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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

R(a)lações difíceis

Desculpa por ontem. 
Sei que não foi fácil e que é muita coisa para absorver num tão curto espaço de tempo, mas não deixes que isso te faça desistir de nós. 
Adorei cada segundo que estivemos juntos, mesmo naqueles em que mudaste de direcção numa amálgama de braços e pernas desgovernados e desorientados. A culpa foi minha: não te avisei como seria desta vez. Perdoa por isso também. 
Por favor, não tenhas medo de me magoar. Eu mereço e aguento a tua frustração com a elasticidade que precisares. Tu mandas, eu apenas cedo à tua vontade.
Magoa-me que me ignores quando te peço para acelerar. A adrenalina faz parte da minha natureza e eu sei, pela forma como ficaste ofegante, que também faz parte da tua. Não tenhas medo: prometo não te deixar desamparada e serei sempre a rede que amparará a tua queda. 
Palpitar contigo foi a melhor hora da minha noite e fizeste de mim o trampolim mais feliz de todos. 
Não me vires as costas, por favor. És tu que dás mais brilho às minhas molas e por ti cedo até ao chão. 
Perdoa-me por ontem, prometo que vamos conseguir melhorar juntos.
Sempre teu,

JUMP

Sou fit! E agora?

Fiz quatro aulas com PT e ele sobreviveu

 

Não foi fácil, porque dei bastante luta, mas o professor conseguiu levar a cabo a tarefa de me quebrar o esqueleto com bastante distinção. Vou mais longe e acrescento: no lugar dele eu ter-me-ia penitenciado bem mais – mentira, só estou a dizer isto porque já acabou e ele, tão cedo, não me põe a vista em cima.

 

Para começar, vou responder à pergunta que paira na vossa cabeça: porquê fazer aulas com PT?

 

Primeiro pela questão postural: sou torta e raramente me endireito - mesmo tendo essa consciência. Numa aula, ou num plano de treino comum, por muito que te chamem a atenção, não podem – nem devem – insistir sempre no mesmo a cada segundo. Se não te corriges, problema teu. O nosso – ó eu a partir do pressuposto que não sou só eu, hã? – o problema é que muitas vezes o cansaço, a falta de fé e o querer terminar num instante, leva-nos a não querer saber da coluna alinhada, do peito para fora, dos joelhos semi dobrados, do olhar em frente. Só queremos que aquilo acabe. Se levarmos com uma dor aguda na lombar durante a noite, azarito meu amigo, acontece aos melhores e esfrega voltaren que isso passa. Portanto, a primeira razão pela qual optei por fazer isto foi para ter alguém a massacrar-me o juízo durante meia hora  

olhás costas!” “ombros para trás!” “olhá cervical!” “Cola as costas ao colchão!” “Não deixes cair a bacia!” “Não há moedas no chão. Olha em frente!"

 

Como fui eu que tive esta brilhante ideia não pude reclamar (muito) sobre este ponto.

A segunda razão – e que provavelmente me vai custar caro – é que pronto, é verdade, eu assumo: gosto de levar no corpo. É a vida. Há quem goste de periglicofilia* e quem seja fã de BDSM aplicado ao fitness. Não podemos ser todos finos da cachimónia. Além disso, sou demasiado fraquita para arriscar fazer exercícios que não domino bem, mas que no fundo até gosto, sozinha numa sala com um monte de gente e um espelho de ângulos duvidosos, ficando quase sempre pelo basicozinho e sem graça e raramente saindo da zona de conforto.

Ainda estão focados no BDSM, não estão? Confessem, quantas vezes já voltaram lá com os olhinhos a pensar “se calhar enganou-se, tadinha.” Más notícias: não me enganei. Péssimas notícias: vai piorar.

Uma r(a)lação de PT-Aluno tem muito de similar a uma relação de BDSM, não que alguma vez tenha tido algo do género, que não tive, mas já li Mr. Grey e isso dá automaticamente credenciais para falar sobre o assunto. Ora vejamos: alguém Domina, alguém se Submete e é Massacrado. Para o Bondage podemos sempre contar com o amigo TRX.

Uma das premissas de BDSM que não é aplicada entre PT-Aluno e que a meu ver está muito, muito mal, é a não utilização de palavras de segurança. O meu professor, por exemplo, não se acreditava quando lhe dizia que não dava mais, que não podia e que não conseguia sequer respirar. Exigia sempre mais, normalmente 5/6 repetições, mesmo depois de já nem saber sequer saber quem sou e de ter os pulmões a parecer a zona de impacto de Hiroshima. A única vez que de facto acreditou em mim e na minha incapacidade foi quando lhe perguntei se a sala estava a girar ou se seria apenas impressão minha. Tive direito a menos 5 repetições na série seguinte, mas nunca utilizei essa benesse em vão - sou só mariquinhas e não xoninhas. Uma palavra de segurança resolvia este problema:

- Passaste-te? Ainda agora fiz 10 burpees, não posso fazer mais 100 claimbers. Não dá!

- Andaaaaaaa! Claro que dá. Tu consegues.

- Absolvição.

- Tens 30 segundos e retiro-te 70 claimbers.

Vêem? É genial! Não sei porque ainda ninguém me dá ouvidos.

E não vamos sequer falar dos castigos. Eu mantive sempre pouco pio (ah, bom…) porque aquilo é malta de imaginação muito fértil e que faz do elástico a pior das vergastas, mas é algo sempre implícito nas entrelinhas, uma nuvem que paira no ar: “faz e não reclames muito senão é pior”. E eu pergunto-me o que raio pode ser pior que “conversar” uns minutos em agachamento, mas lá me remito ao silêncio porque não quero sequer imaginar.

Então mas foi assim tão mau?

 

Na verdade não. Os alongamentos, por exemplo, foram espectaculares e valeram por toda a experiência.

 

Estava a brincar…

 

Não estava nada.

Foi do pior, odiei cada segundo, tive vontade de insultar em voz alta o professor montes de vezes, estive a pontos de desistir 5893554 vezes, verbalizei mais impropérios do que o número de vezes que a palavra Deus aparece na bíblia (3.828), não menos foram as vezes em que engendrei 1236 hipóteses de lhe acertar com a barra “sem querer” e numa das aulas não senti as coxas nos quatro dias seguintes. Isto traduzido para linguagem técnica significa que foi espectacular, que superou a espectativa e que senti efectivamente que melhorei a postura (noto sobretudo quando faço o plano sozinha que tenho menos dificuldade em autocorrigir-me, independentemente do cansaço) e olho com mais facilidade para o meu próprio reflexo no espelho (não muito, mas enfim, passitos pequeninos e a coisa vai).

No geral e sem ironia ou mariquices: foi uma experiência bastante positiva no meu percurso fit e que tenciono repetir.

Não tão cedo, talvez um dia. Tipo quando D. Sebastião voltar ou assim.

 

*periglicofilia - colecionismo de pacotes de açúcar. 

Sou Fit! E agora?

Da saga: Coisas giras que digo no ginásio


Estou a (tentar) fazer clean and press. E por tentar devemos ter em conta o esforço mental adicional que preciso para executar o movimento. É todo um mantra que repito mentalmente: remada alta, cotovelos alinhados com os ombros, enrola, sobe, desce em remada alta, cotovelos alinhados com os ombros, desenrola e desce. Se perco a concentração nisto, se acelero, se panico a meio ou se tento colocar peso adicional é meio caminho andado para a desgraça. 
Como disse, estava concentrada em fazer o movimento direito, pelo que coloquei o peso habitual: 10kg. 
Ao cabo de uns segundos, ouço o comando:

- Está muito fácil. Põe mais peso, porque essa barra é oca e não pesa nada.

Resposta automática e sem filtro:

- Sabes que isso é impossível? Toda a massa tem algum peso, portanto apesar de oca esta barra também pesa.

Portanto, levei com revirares de olhos vários, dois "valha-me deus, cala-te e põe mais duas rodelas!", acrescentei ao mantra um " chiça, qu'isto pesa comó caraças!" e vários "Odeio esta porra deste exercício!" mas consegui não dobrar os cotovelos. Pumbas!

Sou fit! E Agora?

A meio do treino e depois de uma dose de agachamentos e saltos de canguru vertiginosos:

- Agora vamos descansar um bocadinho e conversar.

Olhar desconfiado.

- Sim, sim…
- Juro! Vamos só conversar. Põe-te aí, de frente para mim. Isso. Agora baixa-te.

Oh, f#$@-#$!

- E então, como está a correr o teu dia?

Uma grande treta se queres que te diga. A bem da verdade talvez isto seja uma benesse neste dia de 72 horas.

- Bem. 
- Trabalhaste muito?

Yep. Mesmo assim não o suficiente para adormecer o cérebro. Ai caraças! As minhas coxas!!!!

- O suficiente. 
- Então e o miúdo? Muitas asneiras?

Vais mesmo continuar a fazer tema? Se me perguntas pelo tempo juro que me passo! É hoje que mando tudo p’rás urtigas!

- O costume.

Caraças, caraças! Ainda falta muito? Estou aqui há mais de duas horas!

- Então e Hóme? Motivado?

TENHO FOGO NAS PERNAS!!!!!!! Sopra, sopra, sopra. Ai caraças, caraças.

- Yep.

CINZAS! TENHO AS PERNAS EM CINZAS!

- Ah-ah! Não vale apoiar a mão no chão! Estica os braços à frente do tronco e mantém as costas direitas.

Misericórdia, Senhor! Eu gosto da minha celulite qual é a piada de sermos todos lisinhos, afinal? Deixa para lá, mais buraco menos buraco. A lua também os tem e é linda. Misericórdia, Senhor!

- Costas direitas! Então e a família? Tudo bem?

Pl’AMOR DE DEUS, CALA-TE!!!!!!!!

- Hmmm.

Fo…piiiiii! Ca….piiiiiiiiii! ISTO NÂO PÁRA?! SOPRA, SOPRA, SOPRA. Não adianta, arde na mesma. ‘SA LIXE! SO-PRA!

- Podes levantar.

Graçá Deus! Minha nossa que…. AUTCH! Isto.. Não… Estica! Ai, caraças, caraças, caraças! Au, Au, au! Sopra, Sopra, sopra! C.A.R.A.Ç.A.S!

Estão a ver? A meio já nem me lembrava que dia era, quanto mais se era bom ou mau!

Atletas Anónimos - Pedro

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Há já muito tempo que não convidava ninguém para duas de letras, não é verdade? Para hoje, convenci o Pedro a conversar um bocadinho sobre desporto e exercício - e sabe deus o quão caro vou pagar por isto. 

Não se iludam pelo aspecto juvenil e inofensivo: em menos de três segundos desfaz-vos os pulmões e deixa o vosso sistema músculo-esquelético reduzido a cinzas, sem dó nem piedade. 

Viu mais Festivais da Eurovisão do que os anos que tem de vida e se lhe perguntarem quem foi o vencedor em 1992 é menino para acertar sem hesitar, mas não sem antes vos "pedir" gentilmente cinco séries de bíceps à coelhinho. 

Ora prestem lá atenção ao que o rapaz tem para dizer: 

 

 

 

 

 

Pedro, jovem, larga aí os halteres de 27.5kg e senta-te aqui um bocadinho. Vou ser breve e indolor, prometo. 

Comecemos pelo princípio: há quanto tempo te dedicas ao desporto?

O desporto apareceu desde cedo na minha vida, comecei por observar vários jogos de futebol quando ainda mal sabia caminhar e o resto fez parte do meu crescimento: comecei no andebol aos 8 anos, mas foi o bichinho do futebol que me levou do pavilhão para o relvado! Foram 14 anos que terminaram agora.

Quanto ao resto do desporto: entrei no 10º ano já com a ideia de entrar em desporto na universidade. Relativamente ao ginásio/fitness: sou apaixonado pelo culto do corpo, pela capacidade de superação constante, pela transcendência.

Dedico-me de corpo e alma ao desporto desde os 8 anos de idade.

E quando decidiste que querias fazer disto vida?

Acho que o que mais me influenciou na escolha foram os bons exemplos dos meus professores de Educação Fisíca: a postura, a alegria no trabalho, as roupas bonitas do fitness, os carros desportivos, os corpos trabalhados, tudo isso fez me querer ser igual a eles!

Agora quero tornar-me a Cátia*, na versão masculina.

 (Provalmente só a malta do ginásio vai perceber esta referência. Quem vai lendo regularmente, também. ;) )

ME-DO! No entanto - e dada minha vasta experiência em matéria de coças e tareias fit's - posso afiançar-te: estás no bom caminho. ;)

No nosso lado, o dos alunos, é quase tudo difícil e inatingível levando-nos a ficar facilmente frustrados por não conseguirmos concretizar um exercício ou atingir um objectivo. De que forma tentas lidar com essa frustração?

Antes de isso acontecer, tento antecipar e evitar esse estado: tento arranjar exercícios que os alunos possam e consigam realizar, porque considero que os objectivos de cada aluno devem ser pensados e idealizados para no fim serem alcançados. Quando tal não acontece, tento adaptar os exercícios para os alunos conseguirem fazer. Acho também que a capacidade de comunicar e tentar explicar o porquê de certos "fracassos" ajudam as pessoas a lidar melhor com a "derrota".

Já falei sobre o antes e o depois do exercício, contudo também durante o exercício penso que os estímulos que emito são muito importantes: o elogio, as pequenas correcções, o olhar, a sinalética do "fixe", o falar mais alto, tudo isso contribuí para que o aluno dê o seu melhor.

A melhor maneira de lidar com a frustração é desvalorizá-la, já que será sempre momentânea, valorizando com reforço positivo os eixos, para que desta forma os alunos começaram a olhar para a frustração como momentos de aprendizagem.

 

Por vezes ensinar alguém a praticar exercício pode ser verdadeiramente frustrante (digo eu que há dois anos que tento e ainda não aprendi praticamente nada) não só para o aluno, como já referi, mas também para o professor, certo? O que mais te irrita durante um treino, no aluno? 

O que mais me irrita no treino curiosamente, não é o facto de as pessoas não conseguirem fazer os exercícios, pois considero que não são obrigadas a saber fazer bem. O que mais me irrita é o uso da expressão "eu não consigo fazer"/"não vou fazer", antes sequer de ter experimentado! Este problema advém do pensamento e do modo de pensar a vida, que para mim diverge daquilo que adopto: pensamento forte, indestrutível, que sou capaz, que consigo e que luto para atingir o céu!

Culpada! Ups. Sorry. 

Imagina lá agora que o fitness é um gelado. Qual é o teu sabor favorito?

Pergunta difícil...

Acho que estou numa crise existencial de meia idade.

Contudo, acho que o meu "gelado" favorito é a musculação! Sou apaixonado por aquilo... Adoro ajudar as pessoas a atingirem os seus objectivos, ajudar em pequenas coisas, pequenas correcções.

As aulas de grupo completam-me e são o momento de libertação total, estou ali focado só naquilo e tento transmitir os meus sentimentos para os alunos, fazê-los sentir a minha energia!

Se pudesse fazer o meu "gelado favorito" seria: base de "sabor" a musculação com umas pepitas de cada outro "sabor". É para isso que luto todos os dias! 

 

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Ter 24 anos e liderar aulas com malta de várias idades não deve ser pêra doce. Qual foi, para ti que és ainda jovem e mais ainda nesta área, o maior desafio profissional?

Nas aulas de grupo e na sala de musculação o modo como lidas com as diferentes faixas etárias é fundamental para conseguir abranger, de forma completa, as necessidades de todas elas. Mais "brincadeira" com os mais novos, mais "seriedade" com os adultos jovens e mais "educação" com "fofura/respeito" com os mais idosos. Acho que com este equilíbrio tudo se consegue, independentemente da idade cronológica, já que tenho como lema: "a idade é apenas um número".

O maior desafio que já senti - e espero sentir até ao fim -  é transmitir a minha evolução e o meu trabalho bem feito aos alunos. O meu objectivo é mostrar o meu trabalho e esperar que eles o apreciem, desfrutem e idolatrem. Quero ter um crescimento constante ao longo da minha carreira.

 

Oh, isso percebeu-se no zumba... Não é qualquer professor que se dispõe a aprender e mais: a fazer coisas que gosta menos perante os alunos.

Falaste atrás sobre o futebol, revelando uma grande paixão pela modalidade. Queres falar-nos um bocadinho sobre a tua época aurea no futebol?

Eu adoro desafios, não nego nenhum! E… Até gostei do zumba.

A minha época áurea no futebol aconteceu com 16/17 anos, altura em que levava o futebol muito a sério e era o meu único foco. Treinava como um animal: deitava-me cedo antes de treinos e jogos, alimentava-me decentemente e tentava ser o mais profissional possível. Jogava no clube da minha terra, SC "Os Dragões Sandinenses, era capitão de equipa e tinha muitas responsabilidades dentro do grupo de trabalho.

A nível colectivo ficamos num honroso 3º lugar e a nível individual marquei 46 golos ao longo da época (a minha posição era avançado, sendo esta a minha melhor marca). Após essa excelente época fui convidado para jogar no Salgueiros, onde fui campeão, sendo este o melhor ano a nível colectivo, pois nunca tinha conseguido conquistar nada. Após esse ano, aconteceu a subida a sénior e regressei ao meu clube base, onde passei 5 excelentes anos que terminaram agora. Nestes 5 anos percebi que acontecem muitas coisas no futebol que não são desporto, que não basta treinares bem e jogares bem - existem muitos factores externos, muitos interesses pessoais que mancham o desporto. Por isso, o meu interesse e foco no desporto de competição, nomeadamente o Futebol, foi-se desvanecendo.

 

Chiça! Caramba, 46 golos é espectacular! Digo eu que em a minha vida só marquei um e foi autogolo.

Esses 46 golos ainda são recorde no clube!

 

Apesar de teres começado a trabalha há pouco tempo, e de estares praticamente em inicio de carreira há alguma situação que te tenha marcado?

Aspecto positivo? Marcou-me ter tido uma aula de circuito às 20h30 em que os alunos não puderam tirar mais senhas porque atingi o limite estabelecido.

 

Uau! E aposto que pederiam por mais. ;)

Por fim, gostaria que definisses o teu trabalho, a tua paixão pelo desporto, numa só palavra.

 

A palavra que mais resume a minha paixão e o meu trabalho talvez seja dedicação - primeiro porque adoro o que faço e segundo porque quero ser melhor a cada dia que passa. Não tenho limites e só com dedicação constante ao que faço posso transcender-me. 

 

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Obriagada jovem Pedro! Foi um gosto ter-te por cá e continuo a achar que deverias considerar seriamente abrir um blogue. ;) 

Vai andando, vai andando que eu já vou lá ter. Sê gentil, por favor. 

 

 

Sou fit! E agora? #10

 

Há quem vá a festas temáticas nos spots mais in da cidade (e o que me custou escrever isto?) e há quem vá a festas onde se aplica um certo grau de tortura física. Tem de haver gostos para tudo, não é verdade? Pois que ontem, Dia Mundial da Bicicleta para os desatentos, havia festa no ginásio. E não o tipo de festa que envolva churrasco e batatas fritas de pacote (ideia vencedora esta, hã? De nada.), mas sim uma (ou duas, para quem fosse mais rijo de pernas) aulinha de cycle alusiva aos anos 80. 

Da minha parte, consegui ir apenas a uma aula (ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Snif Snif), mas asseguro que valeu, no mínimo, por três ou quatro. O som da batida seriam hits dos idos de 80 e deveríamos levar indumentária alusiva à decada. Como sou uma xoninhas do pior desenrasquei um outfit (ó balha-me deus...) de uma adolescente daltónica com uma conjugação de padrões e cores capaz de ofuscar as luzes de qualquer árvore de Natal, mas invejei um ou dois fatos de banho de compinchas mais valentes e destemidas que pareciam mesmo saídas de um videoclip dos ABBA.

 

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Avancemos para a aula que se faz tarde: já há algum tempo que faço cycle com regularidade. Não é asssiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm uma paixão assolapada, mas quando bem feitinho é jeitoso nas pernas e dá uma moca do caraças. Tendo em conta a temática da aula, já ia a contar uma aula mais "acelerada" e com poucas montanhas, mas caramba... Era mesmo preciso tanta bolina? E logo assim a matar? Tinha sugerido o " Total Eclipse of the Heart" da Bonie Tyler, mas para relaxamento, porque confesso que quando a faixa começo tive vontade de tornar o "turn around" mais literal e virar costas à doidice, mas não!, continuei a subir devagar, para definhar a descer num remix marado. 

E por falar em descer: quem é que acelera numa descida? A descer, se bem me recordo das minhas voltas de bicicleta, nem se pedala! Tiram-se os pés dos pedais e aquilo anda sozinho. Lá agora acelerar em descidas. Esta malta lembra-se de cada uma, realmente... 

E gritar? Como, pergunto eu do alto da minha fraca caixa torácica, COMO é que é possível gritar e acompanhar a música a cantar? É que eu ou respiro ou grito ou canto. Os três ao mesmo tempo não dá! E não falo de quem lidera a aula - que esses devem ter uma formação específica em gritos, aposto - é mesmo da malta que consegue fazer essas três proezas em simultâneo, enquanto leva no corpo e sorri, quais masoquistas dos pedais. 

Inexplicavelmente, comecei a aula com uma ressaca danada do dia anterior e terminei bem menos dorida, o que prova aquela teoria já conhecida do mundo fit: para curar de uma tareia, nada melhor que uma coça. E claro, levei com uma dose brutal de endorfinas - muito à conta das estrelas que não estavam no céu, no relaxamento final. A propósito: grande ironia essa de pôr o pessoal a ver estrelas e depois dizer que não estão no céu. Pudera! Só nas coxas tinha constelações gigantes e posso jurar que a Cassiopeia ainda habita no meu costedo. 

Tirando a falta de oxigénio e os incêndios nas pernas, foi espectacular e ia já outra vez. Mas isso sou eu, que sou maluca e não tenho juízo absolutamente nenhum. :D 

 

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Juro que não conheço ninguém. Gente maluca. 

Eu? Como assim eu?

Atingi o auge da minha carreira fit (se é que isto existe). 

Já fiz muita coisa nesta minha vida: já escrevi um livro, já plantei uma árvore e já tive um filho. Nunca, jamais, em tempo algum, pensei convencer alguém a mexer o rabinho. 

Há duas semanas fui confrontada com esta afirmação:

- Falas tanto em exercício que até me dá vontade de ir contigo. 

Apanhada desprevenida, repondo rapidamente: 

- Mas tu estás parva?! Tu és louca?! Eu passo a vida a ganir, a gemer que me dói e tu queres ir?! Quando começas?

Tenho uma ligeira tendência ao drama, não sei se já deram conta. Felizmente a minha colega (dos snikers à sobremesa) já sabe, pelo ignorou essa parte e focou-se apenas no essencial: começaria no inicio do mês. 

A primeira coisa que me passou pela cabeça, foi encomendar um treininho muitooooooo bom, em jeito de vingança pelo snikers que comeu sem remorsos, à minha frente, durante os 30 dias sem porcarias. Mas sou um pequeno bambi, a moça é franzina de cabedal, passa a vida a meter açúcar na veia para aguentar o exercício, pelo que a deixei sossegadita no seu sofrimento. 

(vamos ignorar que lhe estou a chamar fraquinha nas entrelinhas. Caríssima colega, se leres isto, cá beijinho, és a maior e isso passa. Sem ressentimentos, hã?) 

Aguentou-se muito bem a primeira semana, só gemeu até quarta da ressaca de segunda e no sábado não se queixou de dor associada ao exercício. 

Agora, o que me continua a surpreender é isto: como é que consegui esta proeza? Como é que eu, que passo a vida a queixar-me (literalmente), consegui convencer alguém a fazer mais por si? Pois, não façam essa cara, também ainda não cheguei lá. O que é certo é que almoça exercício como prato do dia e dia que gosta, que até é fixe. Era quem lhe batesse. Eu, claro, já me precavi, invoquei a minha autoridade de pessoa mais velha que a gaiata e consegui que me prometesse, a pés juntos, que nunca, jamais, em tempo algum, contaria as minhas figuras lá dentro.

Até porque para isso estou cá eu, não é verdade?

 

Atletas Anónimos - O Joaquim

Ora, ora, finalmente um homem decidiu vir dar duas de letra comigo! (Foi só a mim que isto soou estranho?) Estava a ver que só as mulheres é que eram atletas...

O Joaquim, compincha de ginásio, acedeu ao meu singelo pedido e concedeu-me dois dedos de conversa. Nunca treinei com ele, mas admiro-lhe a preserverança e coragem em enfrentar os desafios que lhe são propostos.

Atentem só:

 

Joaquim, diz me lá, há quanto tempo frequentas o ginásio e porque decidiste começar?

 

Frequento o gináio desde Abril de 2016. Decidi começar a treinar por ter excesso de peso e por motivos de saúde.

 

Mas já fazias desporto ou começaste do zero? (fazer zapping no sofá, não conta...)

 

Comecei do zero!

 

E gostavas de exercício e "não tinhas tempo" ou odiavas mexer-te?

 

Sempre gostei muito de desporto. Jogava futebol de salão com os meus amigos, uma vez por semana, mas depois da minha filha nascer fiquei um pouco sem tempo e, claro, comecei a engordar. Recentemente fazia caminhadas e corridas nos passadiços à beira mar.

 Mais do que eu, que só fazia natação para bebés. Como conseguiste (e vais conseguindo) inserir o desporto na tua rotina diária/semanal?

 

 Quando andava a correr nos passadiços, já corria de Espinho a Miramar e de Miramar Espinho. Cheguei a perder muito peso nessa altura, aí há três anos, mas ganhei líquido no joelho direito e tive que parar.

Agora já estou bem.

O trabalho que tenho, permite que possa ter algum tempo para ir ao ginásio. Quando tenho o dia livre vou durante o dia, à tarde ou de manhã, para poder estar com a minha filha e com a minha mulher ao fim da tarde. Quando ando a trabalhar vou ao fim da tarde levar as tareias da Cátia.

 

Não falemos de tareias, por favor, já passou uma semana da última e ainda estou marcada. Em termos de dia a dia, situações do quotidiano, notas que o exercício regular te trouxe mais qualidade de vida?

 

Claro que sim, é muito bom nos sentimos em forma, a auto estima está em alta sinto me muito feliz!

 Sei que, por razões de saúde, não pudeste participar na corrida do demo lá da terra, que seria um dos teus objectivos para este ano. Tens mais algum?( Seja em exercício ou em peso)

 

O meu principal objectivo é ir a Fátima a pé e talvez, se me sentir bem, fazer alguma prova com o pessoal lá do ginásio. Quanto ao meu peso, não quero perder mais sinto me muito bem.

 

Apesar de praticares desporto antes, a tua atividade física regular é recente. Fala-nos um bocadinho dessa rua experiência. O bichinho entranhou logo? Ou ainda esteve a marinar um pedaço?

 

Nunca tinha frequentado nenhum ginásio, não sabia o que estava à minha espera. No primeiro treino com o Madu, sem fazer grandes exercícios, senti-me mal, quase desmaiava... (mesmo!) Senti-me mesmo muito mal, o Madu deitou-me no chão, abanou a toalha para fazer vento e fiquei mais aliviado. Pensava que não iria conseguir continuar, mas o Madu disse que era normal sentir-me assim porque não estava habituado. Foi um começo um pouco mau, mas a minha vontade de perder peso era enorme e com determinação consegui melhorar dia para dia. Primeiro na sala de musculação e depois as aulas da Cátia. Ai as aulas da Cátia! No princípio andava sempre espalmado, depois habituei-me e tornou-se vício até hoje!

 Conheço o vício... Felizmente ou infelizmente, ainda estarei para conseguir determinar. Imagina agora que do outro lado do ecrã, nos lê um preguiçoso do pior, enquanto enfarda alegremente um pacote de batatas fritas. Como o tentarias convencer a ir contigo ao ginásio?

 

Tentaria convencer com a minha mudança. Mostraria as fotos de quando era mais gordinho para ver o resultado e convencendo que  pode alcançar resultados rápidos, com muita força de vontade e determinação.

 

Já aconselhei algumas pessoas! Elas viram-me mais magro e perguntaram o que eu fiz para emagrecer!

 

Um grande obrigada Joaquim, por este bocadinho e por teres  aceite o convite tão rapidamente!

Diário de uma preguiçosa aspirante a fit #15

Esqueçam tudo o que sabem sobre as teorias de fim do mundo. Esqueçam os Maias, a religião, a ciência que diz que será o sol a explodir e a trazer o Apocalipse. Esqueçam as teorias da conspiração sobre o ambiente, o buraco do ozono, o aquecimento global. O fim do mundo não virá assim, virá sobre a forma de barras de ferro e discos de peso.

Tive essa visão, clara como a água, durante uma aula de power (ou body pump, para quem quiser pesquisar sobre o assunto). E escusam de vir já atirar que estou a exagerar, que estou a dramatizar e rebéubéu pardais ao ninho, aquilo são as profecias apocalípticas reconstruidas para um mundo fit. Não acreditam? Eu provo-vos, seus descrentes:

I) O aquecimento

Ninguém suspeita o que vem atrás daquilo. Dão-nos uma barra enganadora, qual lobo com pele de cordeiro, ficamos ali a suspeitar que se calhar se enganaram, que até podíamos com mais um bocadinho, mas ficamos de biquinho calado, respeitando em silêncio a mãe dos pecados, a preguiça.

Onde está o fim do mundo nisto? Em 1970, ninguém acreditava em malefícios aerossóis e dióxidos de carbono, pois não? Então pronto, não discutamos factos óbvios.

II) Carga Máxima

Sabem aquele ditado, com base religiosa, que diz que só temos a carga que podemos suportar? O power não é assim. O power é um bicho cheio de dor (pudera!), da crónica, que só obtém alivio com pastilhas no bucho. E está nem aí para a vossa capacidade física de aguentar com os benurons (2,5 kg) brufens (3.5 kg) e aulins (5 kg) desta vida. Não subestimem os números: 13 kg no costedo e vêem mais estrelas do que se tivessem consumido cogumelos dos bons.

Fim do mundo nisto? A indústria farmacêutica vai fumegar quando perceber que tem concorrência de peso. Depois digam-me que não tenho razão, quando o preço do ibuprufeno disparar em flecha.

III) DE-VA-GAR

Não pensem que já acabou, não senhor, chegamos agora à melhor parte! Os slows. E escusam de divagar, porque quem comanda a dança é a barra e com pulso de ferro! Quem diz que a mente comanda comanda o corpo, claramente nunca teve 7 kg nos bracinhos para içar de-va-ga-ri-nho. Saudades dos burpees naquele momento, que o Senhor lhes dê muita saudinha. Aliás, houvesse uma seita de saltos e saltinhos e tinham ali uma ovelha seguidora para todo o sempre. Mil avés aos trampolins desta vida.

Onde está o apocalipse? Experimentem lá perder a força nos cotovelos durante uns peitorais de-mo-ra-dos e depois venham falar comigo.

Ainda não estão convencidos? Ainda acham que isto é capaz de ser divertido? Uma palavrinha para vocês: tremores. Não são de terra, mas se fossem rebentavam com a escala de Richter de certezinha. A meio desta beleza cinzenta e preta, já não somos 70% de água, somos 80% de gelatina. E da boa, a julgar pelo frenesim de treme-treme muscular. Tenho para mim que o nome Power, vem precisamente daqui, dos tremeliques, porque aquilo dura e dura e dura e dura.... Um par de horas depois da aula, ainda sentia os presuntos a pulsar! Não sei como aguentei a tarde toda de trabalho e chicoteei-me várias vezes por não ter usado o voltaren como gel de duche. (Fica a dica, não precisam de agradecer.)

Posto isto, poderia ter ganho algum juízo, que já tenho idade, mas não, inscrevi-me para uma maratona de cycle. Duas horas, numa bicla estática. Cheira-me que vamos subir o Evareste e com um jeitinho ainda vamos aos Pirenéus ver a vista. Se sobreviver, conto a história. Se não... Olhem, gostei muito deste bocadinho!...