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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Caracolinho armado em miúdo saudável


Chegou ao pé de mim com uma taça vazia e disse:

 



- Pega Mamã! Fiz este bolinho para ti!



- Uau Filho! Obrigada, tem um cheirinho muito bom. É de chocolate?



- Não Mamã. O chocolate faz aranhas nos dentinhos. É de salada! Toma é muito bom!

 



Fiquei na dúvida se me estava a chamar gorda, se apenas repete o ouve cá por casa. Vou acreditar na segunda, mas pelo sim pleo não, vou almoçar uma saladinha

Caracolinho Poliglota

Domingo, dia de casamento, calhou sentarmo-nos na mesa de uns convidados alemães. 
Ora, tudo o que eu sei de alemão aprendi com o José Cid e nos episódios do Rex, o cão polícia, pelo que a conversa decorreu num inglês amarfanhado e bastante arranhado da minha parte.
A páginas tantas, Caracolinho quis meter conversa com a senhora e desatou numa ladaínha animada, recebendo sorrisos como resposta. 
Expliquei que não compreendiam o que lhes dizia, porque falavam noutra língua - o inglês. 
Riposta rapidamente:

- Oh! Eu sei falar inglês! - vira-se para a senhora novamente e acrescenta: - Pink é cor de rosa em inglês. Eu sei dizer pink!

Tem sucesso garantido em línguas estrangeiras! 

Argumentos desarmantes

Estamos com um grupo de amigos, em amena cavaqueira, quando o chamo a atenção para finalizar o seu lanche TODO dada a impertinência anterior para o ter. Estou eu ali, a exercer o meu poder de mãe, a modular a minha voz de "bamby" para voz de comando num discurso sobre birras e terminar tudo o que pede sem deixar uma migalha ou gota. quando ele contra-argumenta de forma muito séria e sentida:

- Oh Mamã! Tu és tão linda!

Como é que se dá seguimento ao sermão depois disto?

O meu filho tem dois anos e não sabe as cores

Ou melhor, sabe, mas apenas em algumas situações que já explico. 

Caracolinho tem quase três anos. Fala pelos cotovelos, trepa, corre e salta. Atrapalha-se a contar até 5 e ainda confunde as cores, bem como a distinção entre o maior e menor - o relatório de avaliação que recebi no final de junho, diz que o miúdo tem dificuldades na matemática. 

Para começo de conversa: para que raio precisa um chavalo de dois anos e meio, na altura, de perceber matemática? Para que raio quero eu um relatório de avaliação pedagógica semestral? E porque raio está o mundo, a sociedade e o ensino tão preocupados com isso? 

À minha volta, vejo pais a quererem que os filhos saibam inglês desde cedo. Que contem até 1500 desde os 10 meses. Que sejam mais, melhores. Do que quem? Do que os próprios pais? Do que o vizinho do lado? Juro que não entendo esta obsessão pelos resultados, pelas metas curriculares impostas desde cedo.

Como disse, o meu filho não sabe, ainda, identificar todas as cores. Nem em português, nem em inglês, nem em jugoslavo.

Sabe, por exemplo, colher morangos, sabendo que só deve colher os vermelhos. Aproveitamos para contar os que trás na mão, mas se encrava no 3, não faço grande drama. Sabe que, na cerca dos animais, há dois gansos brancos, um coelho cinzento, uma cabra branca e uma cabra bebé, cinzenta também. Sabe que o Berlinde é castanho e que o Cusco é preto como a noite. É capaz descer as escadas, sem ajuda, e abre o portão sozinho, todas as manhãs (não, não tenho portão elétrico é tudo manual). Sabe que as ervas à volta das flores não devem lá estar, embora às vezes se engane e lhes arranque uma folha. Ou duas. Sabe bater ovos com a vara de arames e adora cortar massa para bolachas. Diz-vos de cor que "o papá é chato, a mamã é linda, o Mário é espectacular, a tia Sara é gorda e Cláudia vai levar tau-tau", lengalenga ensinada por senhora sua mãe, obviamente.

Não, não quero fale inglês, não quero que saiba contar até 20 e pouco me importa que não identifique ainda as cores.

Quero que corra, que brinque, que pule, que descubra e que explore. Quero que cresça feliz e não a achar que tem que saber tudo. tem muito tempo para aprender matemática e para desenvolver o gosto por línguas. Não agora e não aos dois anos e uns trocos.