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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Vamos lá entrar no espírito Halloween?

Então: se o ginásio fosse um filme de terror, qual seria?

Para mim:

- O Sexto Sentido

Toda a gente que lá pára precisa de um, se não tem ainda vai ganhar e perceber que "Hoje são só 10 kgs para agachamento" traz água no bico. Forçando um bocadinho mais a piada: "I see dead people" - sobretudo depois dos burpees. 🤪🤷‍♀️

- O Exorcista

Basta olhar no espelho, apreciar o nosso próprio reflexo durante uma ronda interminável de bíceps e está explicado.

- Massacre no Texas

Podia perfeitamente chamar-se "Massacre no Peitoral". 
Terrívelmente apropriado.

🎃🎃


Sentem-se, estejam à vontade. A minha caixa de comentários é o vosso sofá. (não é tenho é pipocas... Sorry.)

Apetece-me repostar

Senti a vossa falta nestas festas.
Tanta como senti nas anteriores e em todo e qualquer aniversário que comemore por esta vida fora.
Sinto a falta dos teus abraços lamechas, com a roupa a cheirar ao tabaco qua nunca largavas.
Fugia a sete pés dos teus abraços, nunca fui muito dada a essas demonstrações de afeto, mas tu sabias, lá fundinho, que era só para ser difícil.
Devia ter-te abraçado mais.
Devia ter-vos abraçado mais.
Talvez por isso carreguei as vossas urnas com tanta determinação: foi o meu último abraço, o mais forte, o mais marcado, o mais doloroso. 
 
A saudade vai aumentado proporcionalmente ao declínio da dor. Nunca me custou falar de vós, pronunciar o vosso nome, dizer que tinham falecido ao invés de inventar uma historinha bonita sobre o céu e os anjinhos. Gosto de o fazer, de vos relembrar, de tentar reter todos os pedacinhos da nossa história juntos, tentando não esquecer nenhuma peça. Devo-vos isso: memória.
Lembro-me do quanto gostavas do natal e de como fizeste (muito contra a vontade da mãe) aquela árvore improvisada só com luzinhas, numa planta lá de casa. Lembro-me do primeiro pinheiro a sério que compraste, que era tão pequeno que coube em cima do frigorifico. Lembro-me de como enfeitavas a casa com fitas pindéricas e cintilantes. Lembro-me de gostares do natal, de o viveres, de entrares no espirito de união ao ires visitar a família na véspera, mesmo aqueles que pouco te falavam. Lembro-me de ir contigo ao Porto comprar o bacalhau à mercearia.
Recordo a mãe, sempre fiel à sua fé, dizendo que não era correto comemorarmos o natal, mas comprando os doces e fazendo rabanadas. Lá no fundo, eu acredito que a mãe também gostava do espirito, embora não o demonstrasse. Ou talvez fosse só mesmo para te ver feliz, ou melhor, nos ver felizes.
Já do ano novo a mãe não se queixava: gostava de ver o fogo de artificio, no Porto. Claro, era uma maneira de te controlar, já que não o fazias sozinho. A mãe era mesmo assim, não era só minha, era tua também. Encarregava-se de fazer tudo o que pudesse para que estivesses bem, que tivesses o essencial, de te iluminar esses caminhos um tanto ou quanto obscuros que passeavam pela tua mente. A mãe amava-te como uma mulher ama um homem e como uma mãe ama um filho. Tenho pena que, às vezes, não lhe desses o devido valor. Embora, tenho a certezinha, ela soubesse que a amavas e que te perderias sem o seu pilar. 
 
É um tanto ou quanto engraçado como mudamos quando morre alguém que amamos. Costumo dizer que não mudamos, renascemos. Somos iguais fisicamente, temos o mesmo aspeto, o tempo vai passando da mesma forma (às vezes mais devagar), mas lá dentro há qualquer coisa que se perde e outra que se encontra. Perdemos a fragilidade e encontramos a força. Perdemos a fantasia e encontramos a realidade. Perdemos a fé no sobrenatural e ganhamos fé no próximo, na família, nos amigos... Temos de aprender a viver novamente, sem determinada pessoa. Uma hora de cada vez. Um dia de cada vez. Aprendendo a não recalcar pensamentos, alimentando memórias, sobrevivendo entre vazios. Valorizando quem nos apoia, suporta, quem em nós acredita. Acreditando que o amanhã será melhor que hoje. E se não for, acreditar no mesmo para o dia seguinte.
Sinto a vossa falta todo o ano, todos os dias. Posso estar numa festa com 25 pessoas, que irão sempre faltar duas, irão sempre faltar dois aniversários, duas prendas para comprar, menos dois lugares à mesa. Tal como disse, aprendendo. Faltam duas, sim, mas tenho 25, há que as saber aproveitar.
 
#repost 

 

Caracolinho

- Mamã, as vaquinhas têm leite? 
- Têm sim Caracolinho. 
- E os senhores puxam o leite delas? 
- Puxam, filho. Mas não deviam... 
- Pois não! Porque o leite delas é dos bebés delas.

Nunca lhe falei sobre a ordenha, já a sobre a segunda parte falámos pela primeira vez ontem. 
E nós? Quanto tempo mais precisaremos para perceber o mesmo?

Caracol, a poetisa - ora fala, ora desliza

Arraso na cozinha

Sobretudo quando como

Já quando cozinho

Às vezes é a ruína

Nunca fui fã de desporto

Nem de equipas coletivas

Agora vou à ginásio

Ando sempre morta todos os dias

Na família somos todos pintarolas

Pintas mesmo só usamos nas camisolas

Não uso make ups

Nem disfarço as olheiras

Sabem as unhas de gel?

Tirei-as

Raramente sei como agir c'as birras

Que o miúdo arma todos os dias

Quando se atira para o chão

Leva logo um safanão

Adorava tirar boas fotografias

Mas nem com as melhores lentes

As selfies me saem bonitas

Se me avaria um aparelho

Leva logo com o joelho

Antes isso que ter opiniões

A torto e a direito

O humor não me incomoda

Mas acho triste quem não tem

Sou piucuinhas com os meu livros

Já com os euros, nem por isso

Chiça, qu'isto é tanta categoria

Que quase cabia na Assembleia

Sabiam que os caracois são assexuados?

Pumbas, duas categorias numa

Se leste até ao fim

Senhor te dê muita saudinha

 

(Já sabem em que categoria nomear este molusco fofinho e quase poeta? É por ali ---->https://saposdoano.blogs.sapo.pt/sapos-2018-as-nomeacoes-4171