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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Contadores de Histórias

Há qualquer coisa de mágico em escrever histórias. 
Em construir personagens, criar-lhes um rosto, traçar-lhes a personalidade, definir-lhes as manhas. Morar na sua cabeça, mandar na sua voz, no seu tom e no seu discurso. Comandar os seus movimentos, as direcções, as escolhas e definir-lhes opções. 
Há qualquer coisa de mágico em construir um momento de raíz, como um pedreiro que constrói uma sala: os alicerces, os pilares, as vigas de sustentação, o telhado e todos os acabamentos até chegar a um espaço branco, dando lugar ao decorador que vai colocando a mobília, pintando, alterando, ajeitando até que o espaço, o tempo e o ambiente estejam e exactamente como idealizaram. 
O contador de histórias é pedreiro de espaços imaginários, decorador de ambientes vazios, carpinteiro de detalhes e canalizador de emoções. É ser pai de nomes sem rostos e filho das palavras que o dominam.

Criar histórias é um privilégio e é talvez aquilo que mais prazer me dá.

R(a)lações difíceis

Desculpa por ontem. 
Sei que não foi fácil e que é muita coisa para absorver num tão curto espaço de tempo, mas não deixes que isso te faça desistir de nós. 
Adorei cada segundo que estivemos juntos, mesmo naqueles em que mudaste de direcção numa amálgama de braços e pernas desgovernados e desorientados. A culpa foi minha: não te avisei como seria desta vez. Perdoa por isso também. 
Por favor, não tenhas medo de me magoar. Eu mereço e aguento a tua frustração com a elasticidade que precisares. Tu mandas, eu apenas cedo à tua vontade.
Magoa-me que me ignores quando te peço para acelerar. A adrenalina faz parte da minha natureza e eu sei, pela forma como ficaste ofegante, que também faz parte da tua. Não tenhas medo: prometo não te deixar desamparada e serei sempre a rede que amparará a tua queda. 
Palpitar contigo foi a melhor hora da minha noite e fizeste de mim o trampolim mais feliz de todos. 
Não me vires as costas, por favor. És tu que dás mais brilho às minhas molas e por ti cedo até ao chão. 
Perdoa-me por ontem, prometo que vamos conseguir melhorar juntos.
Sempre teu,

JUMP

Sou fit! E agora?

Fiz quatro aulas com PT e ele sobreviveu

 

Não foi fácil, porque dei bastante luta, mas o professor conseguiu levar a cabo a tarefa de me quebrar o esqueleto com bastante distinção. Vou mais longe e acrescento: no lugar dele eu ter-me-ia penitenciado bem mais – mentira, só estou a dizer isto porque já acabou e ele, tão cedo, não me põe a vista em cima.

 

Para começar, vou responder à pergunta que paira na vossa cabeça: porquê fazer aulas com PT?

 

Primeiro pela questão postural: sou torta e raramente me endireito - mesmo tendo essa consciência. Numa aula, ou num plano de treino comum, por muito que te chamem a atenção, não podem – nem devem – insistir sempre no mesmo a cada segundo. Se não te corriges, problema teu. O nosso – ó eu a partir do pressuposto que não sou só eu, hã? – o problema é que muitas vezes o cansaço, a falta de fé e o querer terminar num instante, leva-nos a não querer saber da coluna alinhada, do peito para fora, dos joelhos semi dobrados, do olhar em frente. Só queremos que aquilo acabe. Se levarmos com uma dor aguda na lombar durante a noite, azarito meu amigo, acontece aos melhores e esfrega voltaren que isso passa. Portanto, a primeira razão pela qual optei por fazer isto foi para ter alguém a massacrar-me o juízo durante meia hora  

olhás costas!” “ombros para trás!” “olhá cervical!” “Cola as costas ao colchão!” “Não deixes cair a bacia!” “Não há moedas no chão. Olha em frente!"

 

Como fui eu que tive esta brilhante ideia não pude reclamar (muito) sobre este ponto.

A segunda razão – e que provavelmente me vai custar caro – é que pronto, é verdade, eu assumo: gosto de levar no corpo. É a vida. Há quem goste de periglicofilia* e quem seja fã de BDSM aplicado ao fitness. Não podemos ser todos finos da cachimónia. Além disso, sou demasiado fraquita para arriscar fazer exercícios que não domino bem, mas que no fundo até gosto, sozinha numa sala com um monte de gente e um espelho de ângulos duvidosos, ficando quase sempre pelo basicozinho e sem graça e raramente saindo da zona de conforto.

Ainda estão focados no BDSM, não estão? Confessem, quantas vezes já voltaram lá com os olhinhos a pensar “se calhar enganou-se, tadinha.” Más notícias: não me enganei. Péssimas notícias: vai piorar.

Uma r(a)lação de PT-Aluno tem muito de similar a uma relação de BDSM, não que alguma vez tenha tido algo do género, que não tive, mas já li Mr. Grey e isso dá automaticamente credenciais para falar sobre o assunto. Ora vejamos: alguém Domina, alguém se Submete e é Massacrado. Para o Bondage podemos sempre contar com o amigo TRX.

Uma das premissas de BDSM que não é aplicada entre PT-Aluno e que a meu ver está muito, muito mal, é a não utilização de palavras de segurança. O meu professor, por exemplo, não se acreditava quando lhe dizia que não dava mais, que não podia e que não conseguia sequer respirar. Exigia sempre mais, normalmente 5/6 repetições, mesmo depois de já nem saber sequer saber quem sou e de ter os pulmões a parecer a zona de impacto de Hiroshima. A única vez que de facto acreditou em mim e na minha incapacidade foi quando lhe perguntei se a sala estava a girar ou se seria apenas impressão minha. Tive direito a menos 5 repetições na série seguinte, mas nunca utilizei essa benesse em vão - sou só mariquinhas e não xoninhas. Uma palavra de segurança resolvia este problema:

- Passaste-te? Ainda agora fiz 10 burpees, não posso fazer mais 100 claimbers. Não dá!

- Andaaaaaaa! Claro que dá. Tu consegues.

- Absolvição.

- Tens 30 segundos e retiro-te 70 claimbers.

Vêem? É genial! Não sei porque ainda ninguém me dá ouvidos.

E não vamos sequer falar dos castigos. Eu mantive sempre pouco pio (ah, bom…) porque aquilo é malta de imaginação muito fértil e que faz do elástico a pior das vergastas, mas é algo sempre implícito nas entrelinhas, uma nuvem que paira no ar: “faz e não reclames muito senão é pior”. E eu pergunto-me o que raio pode ser pior que “conversar” uns minutos em agachamento, mas lá me remito ao silêncio porque não quero sequer imaginar.

Então mas foi assim tão mau?

 

Na verdade não. Os alongamentos, por exemplo, foram espectaculares e valeram por toda a experiência.

 

Estava a brincar…

 

Não estava nada.

Foi do pior, odiei cada segundo, tive vontade de insultar em voz alta o professor montes de vezes, estive a pontos de desistir 5893554 vezes, verbalizei mais impropérios do que o número de vezes que a palavra Deus aparece na bíblia (3.828), não menos foram as vezes em que engendrei 1236 hipóteses de lhe acertar com a barra “sem querer” e numa das aulas não senti as coxas nos quatro dias seguintes. Isto traduzido para linguagem técnica significa que foi espectacular, que superou a espectativa e que senti efectivamente que melhorei a postura (noto sobretudo quando faço o plano sozinha que tenho menos dificuldade em autocorrigir-me, independentemente do cansaço) e olho com mais facilidade para o meu próprio reflexo no espelho (não muito, mas enfim, passitos pequeninos e a coisa vai).

No geral e sem ironia ou mariquices: foi uma experiência bastante positiva no meu percurso fit e que tenciono repetir.

Não tão cedo, talvez um dia. Tipo quando D. Sebastião voltar ou assim.

 

*periglicofilia - colecionismo de pacotes de açúcar. 

Caracolinho armado em miúdo saudável


Chegou ao pé de mim com uma taça vazia e disse:

 



- Pega Mamã! Fiz este bolinho para ti!



- Uau Filho! Obrigada, tem um cheirinho muito bom. É de chocolate?



- Não Mamã. O chocolate faz aranhas nos dentinhos. É de salada! Toma é muito bom!

 



Fiquei na dúvida se me estava a chamar gorda, se apenas repete o ouve cá por casa. Vou acreditar na segunda, mas pelo sim pleo não, vou almoçar uma saladinha

Mais não sei quantos tipos de Paleos

Depois de começar com isto ontem, escrito de rajada e num curto espaço de tempo, senti que ficaram muitos Paleos de fora. Não pode ser, porque a paleo adapta-se a todos e cada um faz a sua. Há categorias para todos. 

Posto isto e depois de Moisés, de Júlio César - o reencarnado, do Cro-Magnon da Foz e d' Carpideira (podem ficar a conhecer aqui) vamos a mais algumas classificações: 

 

O PaleoToupeira (definido por Luís Vieira de Melo)

Este paleo vive nas profundezas da terra (não mais que metro, metro e meio) e enquanto está soterrado por entre paleo coisos ninguém nota a sua presença. Caracteriza-se pelas curtas aparições sobre o solo em que a espécie PaleoGeneris diz algo como… “Oh.. tão fofinho”. Tipo… quando estás no Zoo e aparecem as lontras! Sim isso.. mas menos fofinho qualquer coisa. Permanece incógnito tudo o que por entre tuneis e cavernas se passa. O Paleo-Toupeira, caracteriza-se sobretudo por trilhar e escavar o seu caminho, deixando a cada 50cm um pedaço de chocolate negro indicador do caminho de retorno.

 

Lúcifer do Bem 

É o demónio encarnado e tem como único objectivo de vida testar a resistência das glândulas salivares dos comuns aspirantes a paleo. eu não sei, que nunca vi, mas há relatos de ecrãs de telemóvel e teclados afogados em baba à conta deste Paleo. Utiliza 46 farinhas diferentes para cada bolo, abusa do aspecto guloso dos queques, cria doces em copinhos a fazer lembrar o jardim do Éden e até os crepes salgados nos fazem jurar-lhe amor eterno. Tem a distinta lata de partilhar a sua mais recente obra satânica no exacto momento que devoramos um naco de carne cozida com couve lombarda a salivar por uma lasanha de vaca com extra queijo, levando-nos a uma loucura tamanha que damos connosco a lamber o ecrã só para provar o pecado sem passar pela cozinha. 

 

O Matemático 

 

 

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Não me perguntem o que é aquilo, sou de letras. Mas este Paleo garante que aquela é a receita para um bolo de chocolate e avelãs em camadas, com textura de chiffon, recheio de natas com toque de lima e amêndoa crocante e cobertura de chocolate finíssimo que se desfaz ao mínimo toque do fio da faca. 

 

 

O PaleoAccionista

Para este paleo a vida não é a preto e branco é em medidas percentuais. Tem dias que apenas investe 16.85% do seu tempo a alimentar-se bem, noutros perde a cabeça, esvazia os bolsos e aposta 86.3% no seu estilo de vida. Há dias em que é uma mistura de 74.65% e 25.35% de come-tudo-o-que-lhe-aparecer-à-frente. Outros ainda em que abre os cordões à bolsa e arremata a bolsa Paleolítica com uns incríveis 87.65% de paleo.

 

Paleo de Aljubarrota 

O sonho deste Paleo é abrir uma padaria do conceito. Adapta, cria, recria, inventa e revoluciona toda a palavra PÃO. Ele é de frigideira, ele é de forma, ele é alentejano, transmontano, de sementes, de alfarroba, de bagas, de queijo, de tostadeira. O seu cardápio de pão é maior que a ementa de francesinhas do Capa Negra e meia volta lá aparece com uns moletes de fazer salivar as pedras da calçada. 

 

O Pale(i)ador 

 

Este Paleo tem um motor de busca da Google incorporado na caixa craniana e as enciclopédias desde cedo fizeram parte do seu plano de leitura. Fala cientifiquês de forma fluente desde os três anos de idade e tem artigos estrangeiros ainda por traduzir como literatura de casa de banho. 

Qual é o nome cientifico do abacate? O Pale(i)ador sabe. O que é hiperventaminose? O Pale(i)ador sabe. Quem é a Leptina? O Pale(i)ador sabe. Gliconeogénese? Alguém? O Pale(i)ador sabe. Fosfoenolpiruvato? Seriam os fósforos do antigamente? O Pale(i)ador explica. O óleo de côco faz mal? O Pale(i)ador afiambra duas lamparinas bem aviadas para captar a atenção do pupilo e só depois responde com pacatez e sapiciência. 

 

A Escriba

Mais uma vez, as mulheres dominam uma categoria. Obviamente, não será por passarem mais tempo a cozinhar que os homens, mas sim para lhes encaminharem os seus desejos gastronómicos mais lascivos. Ao milésimo do milésimo de segundo da publicação do bolo dominical de Lúcifer do Bem, surge a escriba, caneta na mão, livro de receitas no colo, indicador no ar gritando a plenos pulmões: "RECEITA!" Algumas escribas, as mais preguiçosas, recorrem aos emojis em forma de pin ou de bloquinho e armazenam receitas na nuvem da Google. A receita, para elas, é o Santo Graal da paleo e têm uma verdeira adoração e sentimento de posse para com ela. Não sabem quando as vão fazer, não querem saber se já existem semelhantes, não lhes importa se estão a praticar lowcarb. É uma receita? QUERO! Para quê? AGORA! Vais fazer agora? DESPACHA-TE! 

Quando finalmente a receita é publicada, a Escriba (a verdadeira, que copia receitas para papel com ajuda de uma caneta) guarda-a religiosamente no seu caderno receitas, de olhinhos brilhantes e mãos trémulas, coração aos pulos de contentamento enquanto sussurra: "My precious" com voz rouca e embargada pela emoção. 

 

Bem mais compostinho, hã? Dou como terminada esta árdua tarefa de caricaturar os Paleos que vou vendo e observando por este mundo fora. Foi um trabalho difícil, quiçá perigoso, mas alguém tinha de o fazer. 

Obrigada ao Luís pelo excelente comentário que entrou directamente para a lista. 

 

Ingredientes:

 

- Humor

- Ironia

- Sarcasmo moderado

- Observação Alheia (por vezes com uso de óculos)

- Recursos a fontes externas de informação

- Imagem retirada da Google 

 

Texto isento de glúten, lactose e açúcares adicionados. Apto para diabéticos, grávidas e lactantes. Consumir com moderação e não ler no local de trabalho. 

Não sei quantos tipos de Paleos

Há já algum tempo que tinha idealizado um texto sobre isto e como tenho aqui um bocado de tempo antes de ir dar banho ao miúdo, coloquei os dedos no teclado e vamos embora antes que a Patrulha Pata termine:

O Moisés 

Tal como o profeta, este Paleo anda de post em post pregando o bem e o mal, qual sacerdote entre tribos de Canãa. Usa as tábuas da salvação para trinchar a carne e migar a couve, enquanto recita os benefícios do óleo de côco. 

“Açúcar de cana é obra de Belzebu, minha filha. E não te deixes iludir com a manteiga de amendoim! Foi criada apenas para gerar a discórdia entre os povos e é por ela que não somos um grande rebanho forte e unido. Por ela e pelos tremoços.”

 

Júlio César, o reencarnado

O quê? Misturou cenouras e batata doce na mesma refeição? Levem-no para as mamorras a pão e água! Pão com glúten, para proporcionar uma flatulência dolorosa. 

Como assim acompanhou o borrego assado com batata branca? Arena com ele! Soltem-lhe o Mufasa e o Simba que estam em JI desde o último Gladiador! 

Lanchou melancia? Só melancia? Tragam-me o coração numa bandeja. JÁ! 

 

 O Cro-Magnon da Foz

Este Paleo vive numa caverna situada no 10° andar com vista desafogada para a junção de água doce do rio Douro à água salgada do oceano Atlântico. Usa o telemóvel como meio de comunicação embora já tenha tentado sinais de fumo. Não resultou e lançou o pânico sobre um possível ataque terrorista, quando na verdade só estava a tentar avisar a mulher que estava atrasado para o jantar. Utiliza os wi-fi gratuitos que consegue alcançar da rua enquanto enfrenta a selva do trânsito a pé, porque toda a gente sabe que a roda só surgiu na era da agricultura, portanto não é aceite Paleo. O seu desporto favorito é a caça à farinha de côco, embora os enlatados também o façam suar em bica. 

A carpideira

Tipicamente esta é uma personagem maioritariamente feminina, embora possa acreditar que muito macho se identifique com ela (quem sabe até muitos não serão "eles" com as saias delas?). A carpideira inicia com a ladainha do "Eu não queria, mas tropecei, snif snif, aqui neste calhau, snif snif, e caí, snif snif, mesmo em cima, snif snif, de uma mesa de cafeeeeeeeeee, snif snif snif, com três natas, ai meu deus!, dois pães com margarina, nossa senhora nos acuda!, uma meia de leite, livrai-nos do mal senhor!, e snif snif snif uma fatia de brigadeirooooooooo.... 

Para além dos stocks de lenços de papel, tem um razoável abastecimento de toda e qualquer farinha. Farinha madeira de Ébano? A 65€/kg? Levo já 5kg que vai esgotar num instante! 

 

Terminou o tempo. Talvez um dia volte a esta lista - ainda tão inacabada! Por ora, contem-me: que tipo de Paleo são vocês e quais acrescentariam à lista? Não se acanhem. 

 

 

 

 

 

Sou fit! E agora?

Armadilhas mortais para tótos

 

Ai senhores, estou cá com uma vontade... Jasus! Pirava-me já daqui mais depressa que Bolt percorre 100m. Já tinha idade para ter juízo, de facto, mas não!, venho pr'aqui como se não tivesse morrido e falecido ontem, como se estivesse fina e fresca como as alfaces do Lidl, como se não estivesse mais partida que a última bolacha do pacote de todo o stock daquele lote. Mas bom, já que vim, pelo menos vou acelerar um bocado, não preciso testar os limites mínimos de velocidade do tapete. Credo! 10 não! 8 chega perfeitamente, só para manter o ritmo constante e coise e tal. 
Que raio vou fazer para o jantar? Acho que ainda tenho lá umas...

A partir daqui, aconteceram várias coisas. Por ordem:

- Um dos meus pés saiu do tapete e tentou fazer com que a lateral do tapete rolasse também. Obviamente, não resultou.

- Perdi o equilibrio e apoiei ambas pontas dos pés no centro do tapete. Erro crasso: a velocidade ganhou terreno.

- Percebi que ia malhar

- Tentei segurar-me à lateral da máquina. Não deu.

- Vi o tapete demasiado perto

- Tentei agarrar-me a qualquer coisa. Não arranjei nada.

- Ouvi o professor perguntar: "Vais cair?" ao que me apeteceu responder: "não, faço isto quando estou entediada. É uma maneira de matar o tempo."

- Os pés assentaram no chão firme, mas ainda numa posição esquisita.

- O resto do corpo sofria com a inércia do movimento e cedia à gravidade.

- Percebi que ia bater com a cabeça no tapete.

- Tentei equilibrar a queda com as mãos, o que me levou a galopar com os membros superiores cerca de 3 segundos.

- Consegui restituir algum equilibrio e ergui o tronco.

- Chorei a rir e ainda contribui para uma pausa no sofrimento dos colegas.

 

Quem é 'miga, quem é? 

Mudamos tão pouco em tanto tempo

Escrevi isto há três anos - relembra-me o facebook. 
Três anos.

O pequeno corpo de Alan Kurdi numa praia da Turquia foi partilhado até à exaustão há três anos. Tornou-se simbolo de uma guerra sem nome e de uma batalha perdida. Ou pelo menos foi assim, durante jma semana. Há três anos dissemos, revoltados, que não podia ser, que alguma coisa teria de feita. E fizemos, efetivamente. Elegemos o Trump, erguemos muros numa redoma envolvente aos Estados Unidos, separamos filhos e pais indeferentes aos gritos e aos choros dilacerantes. Dissemos que o aquecimento global é um mito e que as fotografias de plástico nos oceanos são montagens de teóricos da conspiração. 

Afogamos ainda mais a cabeça em águas turvas, fechando os olhos com força para a poeira lamacenta não entrar. Deixamos barcos à deriva, indefinidamente. Fingimos que não existe, porque se a comunicação social não fala é porque já terminou. Tornamo-nos indiferentes ao massacre: passou a ser apenas mais um. Somos todos Paris, Barcelona, Londres, Berlim, Alepo. Somos todos por eles e eles são só mais uns na lista crescente.

Alan Kurdi foi apenas mais um e a sua morte foi completamente em vão.

Caracolinho Poliglota

Domingo, dia de casamento, calhou sentarmo-nos na mesa de uns convidados alemães. 
Ora, tudo o que eu sei de alemão aprendi com o José Cid e nos episódios do Rex, o cão polícia, pelo que a conversa decorreu num inglês amarfanhado e bastante arranhado da minha parte.
A páginas tantas, Caracolinho quis meter conversa com a senhora e desatou numa ladaínha animada, recebendo sorrisos como resposta. 
Expliquei que não compreendiam o que lhes dizia, porque falavam noutra língua - o inglês. 
Riposta rapidamente:

- Oh! Eu sei falar inglês! - vira-se para a senhora novamente e acrescenta: - Pink é cor de rosa em inglês. Eu sei dizer pink!

Tem sucesso garantido em línguas estrangeiras! 

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