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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Experiências 14

O trânsito lisboeta estava caótico naquele final de tarde. Nada de novo na cidade, mas para Carolina era o inferno. Estava retida há quase duas horas e odiava não conseguir desvencilhar- se dali. Não era o trânsito em si, mas o momento, o silêncio, a incapacidade de calar os pensamentos que sem ordem prévia lhe assombravam o espírito. Piorava o facto de não ter onde se concentrar: já tinha tentado a música, mas não surtiu o efeito desejado, o trabalho tinha terminado, não tinha deixado pendentes, Maria estaria com os pais e não tinha planos para aquela noite. Como em todas as outras, de resto. Há já muito tempo que não saía com ninguém. Namoriscou com o estagiário, todavia não havia nada nele que a preenchesse. Fora um divertimento, uma fuga a um divórcio atribulado e uma consequente quebra radical com o ex marido. Divertiu-se, teve uma ligeira pena do miúdo que usara a seu favor, contudo não lamentava profundamente. No meio do caos que era a sua vida naquele momento, ter alguém quem a desejasse eleva-lhe o ego dando-lhe a sensação de que ainda dominava alguma coisa na situação. 

Não dominava, claro, de contrário não precisaria de distrações e ilusões de poder. Sorriu perante a constatação. Era fácil raciocinar quando a distância temporal se interpunha entre situações. Foi vagueando por entre memórias e o seu pensamento terminou, invariavelmente, em Tomás. 

Tinha saudades do marido. Não do fantasmas do último ano, mas do marido que levara a apaixonar-se todos os dias mais um bocadinho. Que a fazia sentir-se especial, mesmo quando acordava de uma noitada e ainda com hálito a gin tónico. Recordava a forma metódica como organizava as tarefas, inclusive os seus pensamentos e ideias. Era simples conversar com Tomás e não raras vezes a lógica irrefutável e o seu pragamatismo levavam-na à loucura. Tinha agora consciência que muitas vezes se insuflara por nada, mesquinhices que não tinham o mínimo interesse. 

Instintivamente, como um hábito enraizado há muito tempo, brincou com a aliança que ainda mantinha no anelar fio. Sorriu ao recordar a viagem a Paris, apenas dois anos antes, e fez um esforço extra por manter a compostura. Poderia a vida sofrer semelhante volta? Como aconteceu? O que fez de errado? Porquê a ela? Porquê Tomás? Não sabia o quê, quando ou como, nunca se apercebera até ser alertada pelo seu espião de recurso. É sempre assim, nunca vemos o que está mesmo à nossa frente. Estamos permanentemente cegos pela azáfama do dia-a-dia e os detalhes são arrumados a um canto para pensar depois. E depois... Bem, o depois às vezes é tarde demais, dando lugar aos "ses" da vida. Rodou novamente a aliança no dedo enquanto balançava a sua quota parte de culpa na equação tentando,em vão, responder aos seus "ses". 

Suspirou resignada à frustação dos eternos enigmas ao mesmo tempo que o trânsito recomeçava, lentamente, a fluir. A vista da ponte do Tejo era soberba e o pôr do sol conferia uma tonalidade rosada às nuvens, lembrando o algodão doce dos arraiais de verão. 

Talvez por ir tão absorta nos enigmas que nunca teriam conclusão, Carolina não se apercebeu do som, nem do cheiro a borracha queimada. Não viu a guinada do carro da frente, esquisita e sem sentido dado que seguiam numa auto-estrada. Não reparou no ângulo esquisito dos faróis da viatura que seguia em sentido oposto, nem de como rapidamente perdia o controlo da direção. Quando o seu cérebro assimilou o que estava a acontecer já não havia tempo para reagir ou sequer tentar um milésimo de desvio. Pensou em tudo e em nada naquela fração de segundo. A seguir, tudo ficou escuro. 

 

 

Sunshine Blogger Award - Até parece coisa fina...

 

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Caríssima Cunhada desafiou-me a este inquérito já lá vão uns dias. Blogger atenta como sou, só vi hoje... :/ 

Mas cá vai!  

AH! Sintam-se à vontade para responder, não vou nomear ninguém (até porque acredito que metade da bloga já tenha sido nomeada e respondido ao desafio). 

 

Ora vamos lá: 

 

Como te defines?

 

Parva a tempo inteiro, blogger nas horas vagas. E acho uma definição justa, porque só blogo às vezes, enquanto a parvoíce me acompanha até a dormir! 

 

Qual a situação mais caricata que te aconteceu?

 

A sério Cunhada? Mas só hoje ou nos 29 anos anteriores? Pá, esta semana fiz um pão de ló fantasticamente intragável que não era para mim e nem sequer tive o discernimento de provar a massa. Também já confundi LBS com KGS, numa aula de Localizada, que me valeu alto rótulo de tóto. A partir daí, a malta percebeu que só podia piorar. 

 

Qual a cidade que mais gostaste de visitar?

 

Sintra. Adoro o romantismo da cidade, a História que conta estórias, os parques, os palácios.... É todo um mundo de encantar Tuga. =)

 

Como é as tuas férias de sonho?

 

Ao contrário da maioria das pessoas, gosto de aproveitar o tempo e o espaço. Ficar de papo para o ar não é o meu ideal de férias. Adorava viajar sem destino, hoje ali, amanhã sabe deus onde, descobrir o Canyon, fazer escalada, até correr no Central Park! Acordar cedo, aproveitar o dia, descobrir a localidade, chegar às 9 da noite derreada e a dar um rim por um cama. Isso é o meu ideal de férias. :D 

 

O que mais detestas?

 

Não sei se detesto alguma coisa... Há coisas que me tiram um bocadinho do sério, que me enervam, mas detestar não sei se se aplica. 

Ou melhor, peitorais, contam? 

 

O que mais gostas de fazer? Para além de comer... 

 

Nada. Adoro não fazer nada. Infelizmente tenho pouco tempo para praticar essa actividade tão lúdica e necessária à sanidade mental. 

 

Qual a pior mentira que já disseste?

 

"As pilhas acabaram, filho" - quando subitamente o brinquedo deixa de guinchar aos meus ouvidos. 

"Não posso com isso" - em qualquer aula que envolva pesos e sabendo de antemão que provavelmente até posso. 

A última raramente cola, a primeira... O puto ainda não descobriu a gaveta das pilhas. ;)

 

Qual o teu maior desejo?

 

Viver. 

Viver a sério, com qualidade de tempo e de vida. Melhorar, sempre: como mãe, como mulher, como pessoa. Fazer mais, aventurar-me mais, amar mais. Viver mais. 

 

Conta-me aquela vergonha que já passaste que ficou na memória como a histórica.

A sério? Outra vez? Pá, o meu reportório de vergonhas é maior que o meu CV! Mas aqui vai um pequeno resumo: 

Já me caiu uma porta de uma carro em pleno passeio. Já disse "FODA-SE!" num momento de silêncio constrangedor. Já atropelei um BMW, parti-lhe um espelho e fiquei com o pé pisado. Já deixei uma barra moribunda porque lhe encravei as molas. Fiz um dicionário de nomenclatura fit para totós onde demorei 18 minutos a atinar com os clean and press. Ainda hoje não consigo fazê-los direito. Rachei a cabeça na sanita quando era miúda. O único golo que marquei na minha vida foi na baliza da própria equipa. O único corta mato que participei foi para entregar panfletos de ajuda ao leproso. Levei livros para uma viagem de finalistas onde estive sempre sóbria. 

Chega? :P

 

Que actividade mais gostas de fazer?

 

Escrever, sem dúvida nenhuma. 

 

Para ti, o que é felicidade?

Acordar de manhã com a voz do meu filho a perguntar se já são horas de lanchar. Todos os dias sou mais feliz porque ele existe. =) 

Sou fit! E agora? #10

 

Há quem vá a festas temáticas nos spots mais in da cidade (e o que me custou escrever isto?) e há quem vá a festas onde se aplica um certo grau de tortura física. Tem de haver gostos para tudo, não é verdade? Pois que ontem, Dia Mundial da Bicicleta para os desatentos, havia festa no ginásio. E não o tipo de festa que envolva churrasco e batatas fritas de pacote (ideia vencedora esta, hã? De nada.), mas sim uma (ou duas, para quem fosse mais rijo de pernas) aulinha de cycle alusiva aos anos 80. 

Da minha parte, consegui ir apenas a uma aula (ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Snif Snif), mas asseguro que valeu, no mínimo, por três ou quatro. O som da batida seriam hits dos idos de 80 e deveríamos levar indumentária alusiva à decada. Como sou uma xoninhas do pior desenrasquei um outfit (ó balha-me deus...) de uma adolescente daltónica com uma conjugação de padrões e cores capaz de ofuscar as luzes de qualquer árvore de Natal, mas invejei um ou dois fatos de banho de compinchas mais valentes e destemidas que pareciam mesmo saídas de um videoclip dos ABBA.

 

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Avancemos para a aula que se faz tarde: já há algum tempo que faço cycle com regularidade. Não é asssiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm uma paixão assolapada, mas quando bem feitinho é jeitoso nas pernas e dá uma moca do caraças. Tendo em conta a temática da aula, já ia a contar uma aula mais "acelerada" e com poucas montanhas, mas caramba... Era mesmo preciso tanta bolina? E logo assim a matar? Tinha sugerido o " Total Eclipse of the Heart" da Bonie Tyler, mas para relaxamento, porque confesso que quando a faixa começo tive vontade de tornar o "turn around" mais literal e virar costas à doidice, mas não!, continuei a subir devagar, para definhar a descer num remix marado. 

E por falar em descer: quem é que acelera numa descida? A descer, se bem me recordo das minhas voltas de bicicleta, nem se pedala! Tiram-se os pés dos pedais e aquilo anda sozinho. Lá agora acelerar em descidas. Esta malta lembra-se de cada uma, realmente... 

E gritar? Como, pergunto eu do alto da minha fraca caixa torácica, COMO é que é possível gritar e acompanhar a música a cantar? É que eu ou respiro ou grito ou canto. Os três ao mesmo tempo não dá! E não falo de quem lidera a aula - que esses devem ter uma formação específica em gritos, aposto - é mesmo da malta que consegue fazer essas três proezas em simultâneo, enquanto leva no corpo e sorri, quais masoquistas dos pedais. 

Inexplicavelmente, comecei a aula com uma ressaca danada do dia anterior e terminei bem menos dorida, o que prova aquela teoria já conhecida do mundo fit: para curar de uma tareia, nada melhor que uma coça. E claro, levei com uma dose brutal de endorfinas - muito à conta das estrelas que não estavam no céu, no relaxamento final. A propósito: grande ironia essa de pôr o pessoal a ver estrelas e depois dizer que não estão no céu. Pudera! Só nas coxas tinha constelações gigantes e posso jurar que a Cassiopeia ainda habita no meu costedo. 

Tirando a falta de oxigénio e os incêndios nas pernas, foi espectacular e ia já outra vez. Mas isso sou eu, que sou maluca e não tenho juízo absolutamente nenhum. :D 

 

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Juro que não conheço ninguém. Gente maluca. 

6 boas razões para se manterem fisicamente activos

Ponha o dedo no ar quem já mexeu, ou vai mexer, o corpinho hoje – e não, subir para o escritório no 23º pelas escadas não conta. Falo mesmo do exercício físico, aquela coisa que nos faz suar em bica, nos bombardeia com uma dose de felicidade pura no final e nos deixa de cama no dia seguinte.

Ora bem, a Evans (do grupo de facebook Cozinha Paleo com a Evans, conhecem?) convidou-me para falar um bocadinho sobre ele e sobre o impacto que teve – e tem – no meu dia a dia.

Podia falar-vos sobre o meu curto percurso neste admirável mundo, mas não vos quero entediar, pelo que vos trouxe 6 boas razões para se manterem fisicamente activos. Preparados? Começamos em 3, 2, 1…

 

- MAIS AGILIDADE / AUMENTO DE RESISTÊNCIA

 

 

Nada de maratonas e agachamentos com 100kg, falo de correr com os miúdos (ou atrás deles) no parque sem falhar na respiração, por exemplo. Ou de pegar num saco de ração para cães de 20kg sem perder os sentidos. E sabem aquela forma para bolos que está bem lá em cima do armário? Provavelmente conseguem esticar-se o suficiente para lá chegar sem chamar reforços.

 

 

- ESTIMULO À SUPERAÇÃO E COMPETIÇÃO PESSOAL

 

 

“Olha que fixe consegui 5 abdominais completos, será que chego aos 10 até 2025?” “Eh pá, corri 500m! Vou já inscrever-me numa corrida de 10km.” “Sejas mariquinhas, se ontem conseguiste 3 burpees, faz no mínimo mais 2.” Quanto mais fazemos, mais nos desafiamos, mais gostamos, mais nos superamos. E essa será talvez a maior magia que iremos ver na vida.

 

 

- MELHORIA DA QUALIDADE DE SONO

 

Sem dúvida! A melhoria é de tal ordem que por vezes começa mal terminamos a coisa. E eu sei bem do que falo que muitas vezes quase adormeço a meio do banho. Agora a sério, é inegável que a qualidade de sono melhora. Não seremos todos iguais e conheço algumas pessoas que apesar de tudo continuam a ter insónias ou outros distúrbios de sono, mas a nível pessoal sinto que repouso melhor, o sono não é tão leve e acaba por ser mais recuperador – menos quando levo uma coça de caixão à cova, aí não nada que me valha e tenho vontade de ficar 3 dias de cama. Sempre a dormir.

 

 

- AUMENTO DA HORMONA DA FELICIDADE

 

Não sei se é a dopamina, a serotina ou outra ina qualquer. Sei que há uma toda uma energia positiva que se liberta durante e no final que nos faz ser os maiores da nossa rua. Podemos já não ter pernas, os pulmões em cinzas e os braços em farrapos: o espírito está lá em cima e é teimoso a descer.

 

 

- MAIOR CONHECIMENTO DA ANATOMIA MUSCULAR

 

Sabem aquele musculozinho pequenito que sabe deus para o queremos? Vão passar a saber que existe. Têm consciência do vosso rabo? Vão passar a ter ainda mais. E os bíceps, sabem onde estão? Ah, mas vão saber. Tal como os tríceps, os quadríceps, os peitorais, os gémeos, a escapula e até a planta dos pés!

 

- RELATIVIZAÇÃO DE PROBLEMAS

O teu colega de trabalho foi nojentinho? 50 flexões e já não te lembras a razão. Discutiste com o marido porque deixou outra vez a máquina de café ligada toda a noite? 200 agachamentos e és tu que vais deixar os bicos do fogão ligados, mais explosão menos explosão, ninguém dá conta. Só tens 2€ na carteira? 4 minutos em prancha e já nem sabes quem és, de onde vens quanto mais pra que raio precisas de dinheiro.

 

 

 

Antes que perguntem: não, não fui sempre assim. Era uma preguiçosa do pior, mantinha uma relação super estável com o sofá e estava bem com o meu peso. Bom, talvez 2 quilitos a menos não fosse mal pensado, mas não foi isso que me levou a inscrever-me num ginásio, foi mesmo o precisar de uma distracção, um sítio onde descansar e esquecer o resto: a maternidade, as obrigações, o trabalho Enfim, um escape. Acabei por me ficar irremediavelmente ligada à coisa e já o faço por gosto (ah, bom… nem tudo), mexendo o corpinho mais de 3x por semana. Não troco a energia que me dá por nada - nem por três bolos de chocolate com recheio de natas e morangos. ;)

 

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  E vocês, já malharam hoje? 

 

5 tipos de mulheres numa Pink Party

Fui a uma Pink Party e sobrevivi para contar a história. Mesmo por unha negra, uma vez que me passou pela frente a terceira categoria e vi a minha vidinha toda a andar para trás. Literalmente.

Como sempre, podem contar comigo para toda a verdade sobre quem são e como são as mulheres, quando soltas à sua natureza numa sala carregada de estrogénio. 

Atentem: 

 

A Tiró-pé-do-chão

Ela tenta, resiste com todas as forças, mas não consegue. Ainda a procissão vai no adro, a sopa a ser servida e já os seus dedos tamborilam na mesa ao som da batida musical. Pouco lhe importa se é pimba, se é samba, se é forró, se é folclore. Mal se ouvem os primeiros acordes há todo um click pavloviano que se inicia e só desliga bem depois da festa terminar. 

 

A #firstworldproblems 

 

Toda a gente comenta o decote da moça roliça do gabinete de contabilidade do8° andar*, o vestido vermelho berrante e curtérrimo de fulana* ou as contorcionistas em poses fotográficas*, quando esta mulher atira um: "Então e a guerra na Síria? Vocês já viram? Não se percebe como ninguém põe fim àquilo...". Quando chamada atenção para detalhes verdadeiramente importantes, como a troca de olhares entre duas mulheres em mesas opostas capaz de incêndiar toda a floresta amazónica, necessita de um esquema desenhado com um gráfico de excel e uma explicação científica de Stephen Hawking.

 

 A Kamikaze das sobremesas 

 

Não se metam com ela ou mata-vos ali, sem dó nem piedade. É capaz de vos afiambrar com o prato de sobremesa (onde empilhará fatias de bolo como se fosse um jogo de Tetris) maneja a faca e o garfo como um samurai e se tiverem a ousadia de colocar a ponta do pé à sua frente, mesmo que seja só para pegar na colher de sobremesa, levam com um toque no ombro e um olhar à ninja que claramente a mensagem: "Não vais comer bolo de brigadeiro antes de mim ou sou capaz de te arrancar os dentes à colherada." 

 

A das fotos

 

 

Ainda ninguém sentou o rabo para jantar e já a das fotos esgotou o primeiro cartão de memória do telemóvel. Traz sempre várias recargas e a powerbank é a sua melhor amiga. Há imensos detalhes que quer recordar para sempre, como a cor das toalhas ou o bordado dos guardanapos e dispara mais clicks por minuto que uma kalashnikov na frente de batalha. 

 

A Esquiva  

 

Conhece o caminho para a casa de banho como a palma da sua mão. É perita a evitar os trilhos manhosos da pista de dança, assolapando o rabo na cadeira para não mais levantar. Bebe mais água que um camelo consegue armazenar nas duas bossas, para assim desculpar as repetidas idas ao WC e reza para que este tenha sempre fila do tamanho de uma Anaconda gigante. Consegue esquivar-se à maior parte das coreografias que todas sabem de cor, não sabe que quem vem lá "É o ritmo do amor" (até porque isso é coisa um bocado íntima) e é sempre a primeira a dar de frosques, acrescentado outro adjectivo a esta categoria: a tinhosice. Quase ninguém dá conta da sua presença na festa, a não ser quando a empurram para a pista e demonstra toda a sua fluidez natural de corpo de granito, mas todas sabem que lá esteve - até porque está a escrever isto. 

 

E é isto, maizómenos, que se passa numa festa destas. O resto... Bom, o que se passa entre mulheres, fica entre mulheres. 😏

 

* Descrições totalmente ficcionadas. 

 

 

Vamos lá pegar neste assunto de frente

Pedi nova avaliação física no ginásio que frequento e levei com uma chapadona à Stalone que até se me vieram as lágrimas aos olhos (exagero, tá? A chapada doeu, mas já era esperada).

Desde julho de 2016 que vou ao ginásio. Comecei com duas vezes por semana, depois três e agora dou comigo lá enfiada entre 4 a 5 vezes por semana.

 Em (quase) dois anos temos:

 

* Boa disposição (sim já tinha, mas melhorei)

* Melhoria na destreza e capacidade em tarefas do dia a dia 

* Superação pessoal 

* Criatividade (também já tinha, facto, mas é inegável a contribuição do exercício físico para a coisa)

* Aumento de energia 

* Aumento de resistência física 

* Diminuição da timidez

* Mais leveza de espírito e relativazação de problemas - ao pé de 20 flexões de completas, ignorar a maledicência e mesquinhez são peanuts

 * perda de volume

* alguma tonificação muscular

 

Porque vos disse isto? Porque é sempre bom começar pela positividade, ver o copo meio cheio, estão a ver? Ora portanto, como eu disse (e bem!), aquilo que descrevi é o que mais pesa na minha balança e só isso leva-me a não desistir e querer mais. 

Sou alminha curiosa, tenho os bichinhos do "e se" e dos "porquês" bem entranhados, portanto gosto de saber mais. Se não me importasse com o resto e isto me bastasse não teria pedido nova avaliação física, não é verdade? Resultado:

 

Massa Gorda: 30% (mais 6% que em julho do ano passado)

Massa Muscular: 29% (menos 4%, na mesma data)

Peso: 59.200kg

 

Eu sabia que a avaria momentânea da balança, antes de lhe subir para cima, era um mau agoiro. Bolas, que grande estaladão! Ainda por cima, começo por saber o peso ( + quase 2kg a mais da última vez) e bateu-me uma esperança de aumento de musculatura, afinal era só mesmo unto. 

"Como é possível?  Passas a vida lá metida..." 

Alimentação minha gente, alimentação. Os resultados de ontem, não são fruto de dois ou três meses a comer de forma equilibrada e mais saudável, são consequência de um ano (e o que está para trás) a "treinar para comer" e o "eu queimo, eu posso", em vez do equilíbrio. Muitas natas com café, muita massa ao almoço, muita bolachinha ao lanche e dá nisto: uma gaja que até cabe num 36, mas que deixa um rasto de banha por onde passa. Aquilo a que vulgarmente se chama "falsa magra" - mas é só nisto, ok? No resto digo sempre a verdade. :P 

 A minha cara de desânimo terá sido de tal ordem que aquela malta tomou logo conta da ocorrência: 

- Agora não vale a pena desmoralizar. É mudar o que há a mudar, treinar mais e melhor e seguir em frente. - diz um. 

 

- Devias passar pela nossa nutricionista. - diz outra.

 

- Dia 23 às 12:30. - remata a terceira. 

 

Mas assim? Já? Amanhã? Sem ter tempo de digerir o assunto? Bom, que seja. 

Como não podia deixar de ser fiz a piada fácil: 

 

- Agora temos que ter cuidado com as cargas, estou fraquinha de musculatura. 

 

E levei como resposta:

 

- Por isso mesmo é que temos de rever isso. Há aí muita gordura a derreter. 

 

Adoro malta que sabe ler nas entrelinhas do que eu digo. ;) Ginásios há muitos, com gente dentro há poucos. E a minha gente é do melhor - mesmo que sinta que assinei com o acordo com o diabo e que ainda lhe agradeço. 

Ah, esquecia-me do detalhe: pedi novo plano de treino, não só para melhorar as massas (até porque aí é uma questão mais alimentar do que física, digo eu) mas para trabalhar equilíbrio, postura e força abdominal - os meus calcanhares de Aquiles - e comprometo-me a fazê-lo, no mínimo, uma vez por semana - curto bués as aulas e não as troco, lamento. 

Modos que é isto: comi que me fartei, paguei o preço e estou disposta a inverter o peso na balança. 

Desejem-me sorte, sim? 

 

 

Proezas Fit

Então Caracoleta, já há tanto tempo que andas no ginásio, conta-nos lá o que já consegues fazer? 

Já pegas em 300 kg? Fazes 50 flexões completas? Então e resultados, hã? 

Adorava falar sobre isso, mas agora não me apetece. Não faço flexões completas - aquilo custa como o diabo! - nem pego em 300kg, mas danço com o meu filho ao colo: 17kg a rodopiar pela sala seguros por estes bracinhos. 

No entanto, descobri recentemente (ontem) uma proeza que alguns terão alguma dificuldade em executar: o encravanço de molas nas barras. Não é fácil  (eu que o diga que a sacana da mola deu luta e a barra acabou encostada às boxes até ao final da aula, porque aquilo nem para a frente, nem para trás), mas é possível. Como? Simples, simples: 

 

1) Ser a última a chegar e ter logo ordem para montar a barrita

 

2) Tentar fazê-lo rápido e bem - duas aptidões que nunca andam juntas

 

3) A primeira mola estar solta e ter de trocar

 

4) Não reparar no "detalhe" do número de anéis da nova mola (não façam essa cara, eu também não sabia deste detalhe. Sempre a aprender.)

 

5) A aula começar e quem lidera aplicar uma certa pressão psicológica enquanto lutamos com o material: empurra daqui, mexe dali, puxa dacolá até a p#$@ da mola colar a meio do destino final e morre ali. 

 

O que fazer numa situação destas? Esquecer a barra moribunda, afagando-a suavemente e garantindo-lhe que o problema não é dela, amaldiçoar as molas, recomeçar num outro local e rezar para que corra tudo bem. Por acaso, só por acaso, correu. 

E por aí quais as vossas proezas fit? Contem tudo, não escondam nada. 

Dicionário de nomenclatura fit para totós - Exercícios parte I

 

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 Se houve coisa que aprendi com isto é que vocês são muito imaginativos no que toca ao exercício. Da lista que tenho apenas três (em 18 nomes) foram auto-sugeridos, o resto foi tudo sugerido por vocemesses. Claro quando se me iluminou a mente com a segunda ideia quis matar-vos, mas pronto foi por um bem maior e alguém tem que ser altruísta o suficiente para sofrer em prol do bem da humanidade. 

Dividi a coisa para não ficar demasiado extenso e para não vos maçar. Aqui vai a primeira parte:

 

Abs Superman 

 

Semelhança com o super homem só mesmo o nome  e o único super poder que vais adquirir é a arte de bater com o corpo no chão sem bater com os queixos na barra - ou no chão. O truque é não "esticar demasiado a corda" ou corres o risco de: A) não conseguir voltar atrás; B) partir os dentes; C) partir o nariz; D) todas as outras ao mesmo tempo. Garantido é que vais sentir que te estão a rasgar TODO o abdominal, mas sossega que isso passa e talvez uma semana depois já não sintas nada. 

 

Bícep Martelo 

 

Sosseguem, ninguém vos pedir para ir para as obras. O único instrumento que vão utilizar serão pesos (sob a forma de halteres, usualmente) e é só o exercício mais secaaaaaaa que existe à face da terra. É um bocado como comer batatas com bacalhau todos os dias - é fixe, mas monótono.  A não ser que tenhas 50kg em cada braço, aí és capaz de dizer um bocado mal da tua vida. 

 

Borboleta 

 

Que nome tão enganador para um tão penoso exercício! A pessoa ouve "BORBOLETA!" e pensa em subtileza, em gentileza, na beleza de uma mariposa delicada. Esqueçam lá isso. É para agachar e afastar e juntar os joelhos numa dança dolorosa que te deixará as coxas carbonizadas. 

 

 

Burpees

Gamando a piada a um compincha e traduzindo à letra: Basta Uma Repetição Para Eu Estar Suado. Sou suspeita, porque lhes acho piada, mas a verdade é que bastam cinco para ver estrelas e dez para rebentar com os pulmões. O burpee é, no fundo, o jihadista do fitness: ninguém suspeita dele, até o curtem na verdade, mas depois explode-vos com o sistema músculo-esquelético-respiratório em três tempos.

 

Cangurus

 

À semelhança dos burpees, os cangurus têm um problema enorme com as repetições. São giros que fartam, mas aniquilam toda a vontade de continuar a fazer o que quer que seja - a não ser uma banhoca quentinha. Lembram os tempos de escola e a alegria de pular só porque sim, daí lhes achar alguma graça. 

 

 

 

Cátia Leg Curl

 

Vais morrer. Vais ter uma morte lenta, dolorosa e excruciante. Adorava estar a exagerar, mas não estou. Da primeira vez que o fiz tive de olhar três vezes para as coxas para me certificar que não tinha nenhuma ferida exposta no fémur - só na primeira ronda. Ao final da terceira já não sabia quem era ou como tinha ido ali parar. É tão bom, mas tão bom, que um dia faço um post só dele. 

 

Clean and Press 

 

Não, não é o novo sistema de limpeza turbo da Vileda. É mesmo um exercício de braços - e tudo o resto. Requer técnica (bastante) e é díficil de atinar com o movimento de braços. Era muito mais giro se fosse um kit de limpeza, acreditem.

 

Cobra

 

É lindo de morrer. E digo-o sem ironia nenhuma, é mesmo bonito o raio do exercício. Quando é bem feito, claro está. Quando não se tem destreza suficiente, o mais certo é estatelar o peito no chão e demorar três vidas a empurrar o rabo de cimento de volta à posição inicial. E não falemos da ondinha, porque ou se tem muita fluídez de movimento ou corremos o risco de parecer um tsunami misturado comum terramoto de 9.5 na escala de Richter. 

 

Crunch 

 

Escusas de lamber os beiços, não há guloseimas para ninguém, mas se fizeres isto bem feitinho é provável que sintas o abdominal todo a estalar de dor. Eu acho que este exercício requeria um equipamento técnico à altura. Como uma grua, por exemplo. Era o ideal para quem, como eu, tem o tronco três vezes mais pesado que o rabo. Tanta imaginação e ainda ninguém pensou naquilo que é de facto importante na execução de um exercício.

 

Vá, confessem lá, qual destes é que não conhecem? 

Exatamente. Por isso mesmo é que me lembrei da utilidade deste vídeo: 

 

Sim, a totó de serviço sou eu mesma. A ideia é mostrar como se sentiria alguém "normal" a executar aquilo que lhe é proposto e demonstrar que é possível fazer com alguma persistência (da nossa parte) e paciência (de quem nos ajuda). 

Divirtam-se! 

 

 

 

Pneus, reboques, tecnologia e crianças - em 60 minutos de animação

Ontem, atrasadissíma como costume, um pneu do meu carro decide falecer a meio do trajecto.

A chover a potes, com uma criança de 3 anos no carro e com a minha excelente capacidade física... É tudo o que uma pessoa pode querer para começar bem o dia.

Apesar de já desconfiar da minha força para desapertar os parafusos da roda e da capacidade de colocar o macaco no sítio certo sem fazer mossa na carroçaria, lá sai do conforto do banco para “tentar”. E por tentar devemos depreender:

  • Retirar a tralha toda da mala para aceder ao material
  • Fazer jogos estranhos de kamasutra entre o macaco e o chassi onde nenhum deles encontrava o ponto certo
  • Desapertar os parafusos da roda ainda com o pneu no chão (lembrava-me de ser assim) e depois logo se via o que fazer ao relacionamento macaco-chassi.

Ora eu forcei a chave, apliquei toda a minha força (ou talvez não), mas os sacanas dos parafusos não mexeram. Ao fim da primeira tentativa, entro no carro decidida a pedir ajuda externa, ligando para a assistência em viagem imaginando que seria enviada para o real bilhar grande por parte da seguradora, pelo que dramatizei ligeiramente a parte do tentar desapertar os parafusos e omiti a parte de não saber posicionar correctamente o macaco. 

- Pois com certeza menina, vamos enviar um técnico.

Eh lá, que se eu sabia nem sequer tinha tentado. E a assistência em viagem agora cobre isto? A evolução é uma coisa espectacular, de facto.

Três minutos depois recebo uma sms a indicar a hora prevista de chegada ao local – cerca de 45 minutos – logo seguida de uma chamada do técnico para saber a minha localização.

 - Pois, isso da localização… Eu até faço este percurso todos os dias, mas não faço ideia no nome da rua, mas tentar ser precisa. Olhe, isto é quem vai de Nenhures para Algures, mas por dentro, está ver? Aquela rua que sobe muito, tem pinhal dos dois lados e cruza por cima da auto-estrada.

Bué precisa. Do outro lado e após meio segundo de hesitação:

 - Ah, não estou mesmo a ver…. Mas olhe, por acaso não está a utilizar um smartphone com dados móveis, pois não?

Tau! Assim a frio, sem dó nem piedade.

Claro que não, senhor. Lá agora eu ter dessas modernices. Eu nem sequer ainda fiz um post no facebook nem entretive o miúdo com vídeos no youtube para o manter quieto na cadeira - sem sucesso.

- Dois minutos e eu já lhe ligo de volta.

Claro que enquanto acedia ao Google Maps, Caracolinho achou giro esvaziar todo o conteúdo do porta-luvas, mas pelo menos já não esperneava na cadeira implorando para vir para a frente.

A meia hora seguinte foi passada entre “não mexas aí!” e “sim, podes fazer pi-pi mais um bocadinho” – acho que a buzina do carro nunca funcionou tanto como ontem. Quando descobriu que pálas da frente eram quitadas de um espelho com luz, foi toda uma excitação:

 

- Olha mamã! – apontando para o dito – é o tablet do Ryder! Vou pedir ajuda à Patrulha Pata!

 

O faz de conta durou até chegar o técnico. Num reboque e-nor-me.

 

- UAU! Qu fixe, mamã! Nós vamos ali?

- Espero bem que não, rico filho. O senhor só deve trocar o pneu e por-nos a andar.

 

Ordem para voltar para a cadeirinha, reclamação e quase birra por não querer voltar, promessa de que poderia ver o senhor a trabalhar e a mamã pelo vidro do carro. Resultou e pude passar o tempo que durou o serviço (15 minutos) a segurar no guarda-chuva para minimizar a molha do técnico. Caracolinho não desgrudou do vidro e meia volta lá ouvíamos um “UAU!” fascinado pela aventura matinal.

A meio da conversa, descubro que afinal não foi pelo meu discurso melodramático que enviaram ajuda, mas sim porque a minha apólice abrange assistência a pneus. Não é espectacular? Eu nem sequer sabia que isto existia, mas dá um jeito do caraças! Lá agora apanhar chuva e frio e vento, sujeitar-me a danificar a pintura da viatura com material esquisito e deslocar falanges a tentar rodar chaves de rodas… Muito melhor – e mais eficaz – chamar quem realmente percebe do assunto.

O pneu, pobrezinho, faleceu de vez, apesar das várias tentativas de reanimação da oficina. Não se pode ter tudo, não é verdade?

Sobre o Carnaval

Em três anos, Caracolinho já foi mascarado de:

- Parolinho (vesti-lhe roupas com os mais variados padrões numa salganhada de cores, riscas e quadrados)

- Mini aspirante a fit (umas leggins, umas caneleiras em lã, sapatilhas, camisola justinha, toalha pelos ombros, uma garrafa de água catita, halteres com balões e 'tá andar)

Este ano e como sou muita fã do Carnaval (#soquenao) pensei em disfarça-lo de Wally. Super fácil: gorro vermelho, camisola às riscas vermelhas, calças ganga, óculos gigantones redondos. Um espétaculo.

Hoje de manhã enquanto falavamos sobre isso, responde-me do alto dos seus três anos:

- Não quero ir de Wally, mamã. Quero ir de pijama.

- Mas pijama não é bem difarce, Caracolinho.

- Mas eu queria... Posso?

Sai um Soneca para mesa do canto, faxabor, que no Carnaval pode-se tudo!

(E ainda por cima rápido de r€solver. Cá beijinho meu rico filho.)