Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Dia C: Casamos a Just

É a segunda pessoa que casamos – salvo seja!

Alguns anos depois (dois? três?) ainda consigo ficar surpreendida pelo facto de ter gente que não conheço fisicamente, mas que fazem tão parte dos meus dias. Não me lembro como era antes de nos juntarmos, só sei que ficou indefinidamente melhor depois disso.

Hoje é para ti Just.

Que o teu dia seja tão especial como tu, que concretize todos os teus sonhos e que sejam imensamente felizes, não só hoje, mas todos os dias que se seguirão. Não será sempre bonito, sempre cor de rosa com unicórnio e nuvens de algodão doce, nem eu te desejo isso. Serão os dias menos bons que te farão procurar a certeza deste dia e que vos tornarão ainda mais cúmplices e unidos.

Sejam muito felizes minha querida e que a vida vos traga todas a oportunidades que merecem para a viverem em plenitude.

Um grande beijinho deste lado que, apesar de virtual, faz tão ou mais parte de nós e dos nossos dias do que o "bom dia" ao colega. 

#passarada

Duas horas saltitantes

Durante as férias deixo que a lontra preguiçosa que há em mim saia da clausura e saltite livre e alegremente por este corpinho fora. E não vale a pena tentarem aliciar-me com aulas ou cenas que nunca posso fazer durante o resto do ano: em férias não mexo uma palha - talvez só uma vezita por semana vá, assim na loucura e para não perder o ritmo na totalidade ou para que não desça a níveis negativos.

Na segunda semana de férias tinha planeado não pôr os pés no ginásio (ups. Acho que não tinha dito isto) mas, meus amigos, se há coisa que vale uma pausa nas férias e um pulinho ao ginásio são duas horitas de JUMP. Isso mesmo: duas horas num mini trampolim. Não, não é impossível e a prova disso é que ainda cá estou – apesar de só ter conseguido normalizar a respiração no domingo à noite.

Para quem raramente faz JUMP – somos temporalmente incompatíveis – posso dizer que até nem correu assim muito mal. Ora vejamos:

 

- Cheguei atrasada. Vá não sejam assim, aqueles cinco minutos fizeram TODA a diferença para conseguir aguentar os 115 minutos seguintes, acreditem.

 

- Consegui não cair e a determinada altura apercebi-me que o meu centro de gravidade já se habituara à instabilidade gravítica de um mini trampolim. Incrível. Por outras palavras: consegui estabilizar o equilíbrio e embater nas laterais do trampolim apenas 12 vezes! Só na primeira hora. Es-pe-ta-cu-lar!

 

- Descobri que se não pensar muito consigo fazer melhor. Estranho, não é? Na semana anterior vi-me à rasquinha para contar 3 (TRÊS!) tempos e dei por mim várias vezes apenas a saltitar, sem saber muito o que estava a fazer, como um pássaro disléxico e sem norte.

 

- Como é óbvio o ponto anterior só funcionou num curto espaço de tempo (60 segundos), pelo que rapidamente troquei a direita com a esquerda, perdi-me no saltinho a meio, o duplo ao terceiro tempo foi no batalha, fazer isso tudo e rodar no sentido do ponteiro dos relógios era bonito mas não foi e… Aíiiiiiiiii jasusssssssss onde raio me fui meter que estava tão bem sem fazer nenhum!

 

 - Sabem aquela ordem que nos faz tremer? Oásis no deserto meus caros, oásis no deserto! A pessoa está ali a tentar concentrar-se por manter o equilíbrio, contar três tempos, ao terceiro tempo fazer um duplo movimento, já não sabe dos pulmões, o oxigénio não chega ao sangue quanto mais ao cérebro, nunca mais acaba o refrão e conta mais três tempos e agora são dois e é tudo duplo e agora três outra vez e de repente…A-CE-LE-RA!!!!!! Graças a deus e aos santinhos todos que já só tenho me concentrar para respirar sem pulmões! YES!

 

Por mim, era a aula toda daquilo e tava feito. Lá agora duplos ao terceiro tempo e correr que nem os cavalos de corrida dos UHF… Pel’amor da santa e das células devidamente oxigenadas: tende piedade de nós e mantende-nos a um só passo, num só ritmo.

Agora a sério, foi giro e insanamente espectacular. Houve ali um momento, na segunda faixa, se não me falha a memória, em que ao olhar pelo espelho percebi a paixão que move esta gente: 42 pessoas perfeitamente sincronizadas a forçar a lona de um trampolim a dois tempos batendo uma palma ao terceiro… É qualquer coisa de muito espectacular. A adrenalina era quase palpável e não importava se falhavam dois passos, se se enganavam nos pés ou se falhavam um duplo. O que importava, o que realmente importa, é a diversão. Aquele ponto que esquecemos a falta de oxigénio, as falhas de órgãos vitais, os enganos, os tropeços, a descoordenação. Aquele momento em que deixamos de pensar que não vamos aguentar e que é uma tremenda loucura estar ali quando não se percebe o que se está a fazer… É esse momento que faz valer a pena. Para alguns são 120 minutos, para outros talvez seja meia hora, para outros ainda 30 segundos. Nesse instante percebes que não há limites, que o impossível não existe e que há gente extraordinária que trabalha todos os dias para te demonstrar isso mesmo: que não são só eles que conseguem, tu também. Basta que disponhas a tentar.

jump2.jpg

 

 

Experiências #15

10 julho 2010

Tomás fita melancolicamente a data gravada na aliança ao mesmo tempo que a acaricia suavemente. Nunca deixara de a usar, nem nunca tal lhe passara pela cabeça. Vai girando o anel dourado, já baço em algumas áreas, detendo-se a fixar o nome gravado no lado oposto à data: Carolina Holster.

Por um segundo, Tomás já não está sentado num banco de jardim, desfrutando da sua pausa da manhã: está no Alentejo, na Holster Village, num final de noite quente. O fotógrafo insistira para que saíssem da festa durante uns minutos a fim de os retratar sozinhos no amplo jardim, pelo que lhe fizeram a vontade acabando por demorar mais do que previram. De volta à festa, uma Carolina apressada puxava-o pela mão, numa corrida quase infantil. Que diabos! A festa não era deles? Não se podiam demorar um bocadinho mais? Tomás deixava-se arrastar pela esposa entusiasmada, enquanto a apreciava. Alguns caracóis mais rebeldes desprenderam-se do apanhado, roçando-lhe pelos ombros ou saltitando ao ritmo do seu passo ligeiro. O vestido de cetim branco deixa-lhe as costas desnudas, num V que tem tanto de encantador como de provocador, com o tecido da saia a ajustar-se perfeitamente às suas ancas, como se de uma segunda pele se tratasse, salientado as suas curvas e incitando à imaginação das pernas que se escondiam por baixo do tecido fino e ligeiramente travado. A mão livre puxava a saia do vestido para cima para dar mais liberdade à passada, expondo a pele perfeita e cálida dos tornozelos. Estava perfeita. Da tenda gigante chegavam os acordes de Chasing Cars, quando Tomás a puxou delicadamente para si, provocando um rodopio de caracóis ruivos e um riso infantil contagiante.

- Estás linda! – Declarou enquanto a abraçava pela cintura, acariciando a pele suave e exposta das suas costas.

- Estás a tornar-te lamechas, Tomás? – Gracejou Carolina ajeitando-lhe a gravata e puxando-o pela lapela do casaco.

Inspirou profundamente e quase que a conseguia sentir novamente, o calor do seu corpo no seu abraço, o seu cheiro floral e requintado, a maciez da sua pele. Forçou a mente a voltar à realidade, devolvendo-a à gaveta dos momentos felizes. Não teria novamente momentos daqueles ou pelo menos não tão cedo e não com Carolina. Definitivamente, não teria uma segunda oportunidade com ela. Ou teria? Conseguiria de alguma forma compensar o passado? Não o esquecendo para não voltar a cair no mesmo erro, mas compensando-o? Tornando o presente melhor, vivendo mais com a sua família a para ela? E se tentasse? Seria um longo caminho, sem dúvida, mas já fizera grande parte do percurso sozinho, reconstruindo-se e voltando aos poucos à vida normal. Porque não telefonar-lhe? Convida-la para um café ou para um pequeno passeio. Começar do zero, conhecendo-se novamente, sem pressas e sem as loucuras de anos idos.

Olhou de relance para o mostrador do relógio de pulso constando tinha quatro minutos para dar a pausa como terminada. Felizmente, a distância que o separava do supermercado era curta, somente a estrada que o separava do pequeno jardim urbano onde se encontrava. Caminhou até à passadeira aguardando o aval verde do semáforo. Um carro abrandou a marcha parando ao sinal vermelho. Dentro dele ecoava Chasing Cars e Tomás deu consigo a sorrir pela coincidência enquanto devolvia a aliança ao sítio onde pertencia. O peão iluminou-se de verde E Tomás caminhou confiante para o supermercado, com uma esperança que há muito não tinha e ignorando o calafria que lhe percorreu o corpo quando ouviu o grito agudo de uma ambulância apressada, segundos depois de ter atravessado a rua. 

Experiências 14

O trânsito lisboeta estava caótico naquele final de tarde. Nada de novo na cidade, mas para Carolina era o inferno. Estava retida há quase duas horas e odiava não conseguir desvencilhar- se dali. Não era o trânsito em si, mas o momento, o silêncio, a incapacidade de calar os pensamentos que sem ordem prévia lhe assombravam o espírito. Piorava o facto de não ter onde se concentrar: já tinha tentado a música, mas não surtiu o efeito desejado, o trabalho tinha terminado, não tinha deixado pendentes, Maria estaria com os pais e não tinha planos para aquela noite. Como em todas as outras, de resto. Há já muito tempo que não saía com ninguém. Namoriscou com o estagiário, todavia não havia nada nele que a preenchesse. Fora um divertimento, uma fuga a um divórcio atribulado e uma consequente quebra radical com o ex marido. Divertiu-se, teve uma ligeira pena do miúdo que usara a seu favor, contudo não lamentava profundamente. No meio do caos que era a sua vida naquele momento, ter alguém quem a desejasse eleva-lhe o ego dando-lhe a sensação de que ainda dominava alguma coisa na situação. 

Não dominava, claro, de contrário não precisaria de distrações e ilusões de poder. Sorriu perante a constatação. Era fácil raciocinar quando a distância temporal se interpunha entre situações. Foi vagueando por entre memórias e o seu pensamento terminou, invariavelmente, em Tomás. 

Tinha saudades do marido. Não do fantasmas do último ano, mas do marido que levara a apaixonar-se todos os dias mais um bocadinho. Que a fazia sentir-se especial, mesmo quando acordava de uma noitada e ainda com hálito a gin tónico. Recordava a forma metódica como organizava as tarefas, inclusive os seus pensamentos e ideias. Era simples conversar com Tomás e não raras vezes a lógica irrefutável e o seu pragamatismo levavam-na à loucura. Tinha agora consciência que muitas vezes se insuflara por nada, mesquinhices que não tinham o mínimo interesse. 

Instintivamente, como um hábito enraizado há muito tempo, brincou com a aliança que ainda mantinha no anelar fio. Sorriu ao recordar a viagem a Paris, apenas dois anos antes, e fez um esforço extra por manter a compostura. Poderia a vida sofrer semelhante volta? Como aconteceu? O que fez de errado? Porquê a ela? Porquê Tomás? Não sabia o quê, quando ou como, nunca se apercebera até ser alertada pelo seu espião de recurso. É sempre assim, nunca vemos o que está mesmo à nossa frente. Estamos permanentemente cegos pela azáfama do dia-a-dia e os detalhes são arrumados a um canto para pensar depois. E depois... Bem, o depois às vezes é tarde demais, dando lugar aos "ses" da vida. Rodou novamente a aliança no dedo enquanto balançava a sua quota parte de culpa na equação tentando,em vão, responder aos seus "ses". 

Suspirou resignada à frustação dos eternos enigmas ao mesmo tempo que o trânsito recomeçava, lentamente, a fluir. A vista da ponte do Tejo era soberba e o pôr do sol conferia uma tonalidade rosada às nuvens, lembrando o algodão doce dos arraiais de verão. 

Talvez por ir tão absorta nos enigmas que nunca teriam conclusão, Carolina não se apercebeu do som, nem do cheiro a borracha queimada. Não viu a guinada do carro da frente, esquisita e sem sentido dado que seguiam numa auto-estrada. Não reparou no ângulo esquisito dos faróis da viatura que seguia em sentido oposto, nem de como rapidamente perdia o controlo da direção. Quando o seu cérebro assimilou o que estava a acontecer já não havia tempo para reagir ou sequer tentar um milésimo de desvio. Pensou em tudo e em nada naquela fração de segundo. A seguir, tudo ficou escuro. 

 

 

Sunshine Blogger Award - Até parece coisa fina...

 

Sunshine-Blogger-Award.jpg

 

 

Caríssima Cunhada desafiou-me a este inquérito já lá vão uns dias. Blogger atenta como sou, só vi hoje... :/ 

Mas cá vai!  

AH! Sintam-se à vontade para responder, não vou nomear ninguém (até porque acredito que metade da bloga já tenha sido nomeada e respondido ao desafio). 

 

Ora vamos lá: 

 

Como te defines?

 

Parva a tempo inteiro, blogger nas horas vagas. E acho uma definição justa, porque só blogo às vezes, enquanto a parvoíce me acompanha até a dormir! 

 

Qual a situação mais caricata que te aconteceu?

 

A sério Cunhada? Mas só hoje ou nos 29 anos anteriores? Pá, esta semana fiz um pão de ló fantasticamente intragável que não era para mim e nem sequer tive o discernimento de provar a massa. Também já confundi LBS com KGS, numa aula de Localizada, que me valeu alto rótulo de tóto. A partir daí, a malta percebeu que só podia piorar. 

 

Qual a cidade que mais gostaste de visitar?

 

Sintra. Adoro o romantismo da cidade, a História que conta estórias, os parques, os palácios.... É todo um mundo de encantar Tuga. =)

 

Como é as tuas férias de sonho?

 

Ao contrário da maioria das pessoas, gosto de aproveitar o tempo e o espaço. Ficar de papo para o ar não é o meu ideal de férias. Adorava viajar sem destino, hoje ali, amanhã sabe deus onde, descobrir o Canyon, fazer escalada, até correr no Central Park! Acordar cedo, aproveitar o dia, descobrir a localidade, chegar às 9 da noite derreada e a dar um rim por um cama. Isso é o meu ideal de férias. :D 

 

O que mais detestas?

 

Não sei se detesto alguma coisa... Há coisas que me tiram um bocadinho do sério, que me enervam, mas detestar não sei se se aplica. 

Ou melhor, peitorais, contam? 

 

O que mais gostas de fazer? Para além de comer... 

 

Nada. Adoro não fazer nada. Infelizmente tenho pouco tempo para praticar essa actividade tão lúdica e necessária à sanidade mental. 

 

Qual a pior mentira que já disseste?

 

"As pilhas acabaram, filho" - quando subitamente o brinquedo deixa de guinchar aos meus ouvidos. 

"Não posso com isso" - em qualquer aula que envolva pesos e sabendo de antemão que provavelmente até posso. 

A última raramente cola, a primeira... O puto ainda não descobriu a gaveta das pilhas. ;)

 

Qual o teu maior desejo?

 

Viver. 

Viver a sério, com qualidade de tempo e de vida. Melhorar, sempre: como mãe, como mulher, como pessoa. Fazer mais, aventurar-me mais, amar mais. Viver mais. 

 

Conta-me aquela vergonha que já passaste que ficou na memória como a histórica.

A sério? Outra vez? Pá, o meu reportório de vergonhas é maior que o meu CV! Mas aqui vai um pequeno resumo: 

Já me caiu uma porta de uma carro em pleno passeio. Já disse "FODA-SE!" num momento de silêncio constrangedor. Já atropelei um BMW, parti-lhe um espelho e fiquei com o pé pisado. Já deixei uma barra moribunda porque lhe encravei as molas. Fiz um dicionário de nomenclatura fit para totós onde demorei 18 minutos a atinar com os clean and press. Ainda hoje não consigo fazê-los direito. Rachei a cabeça na sanita quando era miúda. O único golo que marquei na minha vida foi na baliza da própria equipa. O único corta mato que participei foi para entregar panfletos de ajuda ao leproso. Levei livros para uma viagem de finalistas onde estive sempre sóbria. 

Chega? :P

 

Que actividade mais gostas de fazer?

 

Escrever, sem dúvida nenhuma. 

 

Para ti, o que é felicidade?

Acordar de manhã com a voz do meu filho a perguntar se já são horas de lanchar. Todos os dias sou mais feliz porque ele existe. =) 

Sou fit! E agora? #10

 

Há quem vá a festas temáticas nos spots mais in da cidade (e o que me custou escrever isto?) e há quem vá a festas onde se aplica um certo grau de tortura física. Tem de haver gostos para tudo, não é verdade? Pois que ontem, Dia Mundial da Bicicleta para os desatentos, havia festa no ginásio. E não o tipo de festa que envolva churrasco e batatas fritas de pacote (ideia vencedora esta, hã? De nada.), mas sim uma (ou duas, para quem fosse mais rijo de pernas) aulinha de cycle alusiva aos anos 80. 

Da minha parte, consegui ir apenas a uma aula (ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Snif Snif), mas asseguro que valeu, no mínimo, por três ou quatro. O som da batida seriam hits dos idos de 80 e deveríamos levar indumentária alusiva à decada. Como sou uma xoninhas do pior desenrasquei um outfit (ó balha-me deus...) de uma adolescente daltónica com uma conjugação de padrões e cores capaz de ofuscar as luzes de qualquer árvore de Natal, mas invejei um ou dois fatos de banho de compinchas mais valentes e destemidas que pareciam mesmo saídas de um videoclip dos ABBA.

 

received_592937781059447.jpeg

 

 

Avancemos para a aula que se faz tarde: já há algum tempo que faço cycle com regularidade. Não é asssiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm uma paixão assolapada, mas quando bem feitinho é jeitoso nas pernas e dá uma moca do caraças. Tendo em conta a temática da aula, já ia a contar uma aula mais "acelerada" e com poucas montanhas, mas caramba... Era mesmo preciso tanta bolina? E logo assim a matar? Tinha sugerido o " Total Eclipse of the Heart" da Bonie Tyler, mas para relaxamento, porque confesso que quando a faixa começo tive vontade de tornar o "turn around" mais literal e virar costas à doidice, mas não!, continuei a subir devagar, para definhar a descer num remix marado. 

E por falar em descer: quem é que acelera numa descida? A descer, se bem me recordo das minhas voltas de bicicleta, nem se pedala! Tiram-se os pés dos pedais e aquilo anda sozinho. Lá agora acelerar em descidas. Esta malta lembra-se de cada uma, realmente... 

E gritar? Como, pergunto eu do alto da minha fraca caixa torácica, COMO é que é possível gritar e acompanhar a música a cantar? É que eu ou respiro ou grito ou canto. Os três ao mesmo tempo não dá! E não falo de quem lidera a aula - que esses devem ter uma formação específica em gritos, aposto - é mesmo da malta que consegue fazer essas três proezas em simultâneo, enquanto leva no corpo e sorri, quais masoquistas dos pedais. 

Inexplicavelmente, comecei a aula com uma ressaca danada do dia anterior e terminei bem menos dorida, o que prova aquela teoria já conhecida do mundo fit: para curar de uma tareia, nada melhor que uma coça. E claro, levei com uma dose brutal de endorfinas - muito à conta das estrelas que não estavam no céu, no relaxamento final. A propósito: grande ironia essa de pôr o pessoal a ver estrelas e depois dizer que não estão no céu. Pudera! Só nas coxas tinha constelações gigantes e posso jurar que a Cassiopeia ainda habita no meu costedo. 

Tirando a falta de oxigénio e os incêndios nas pernas, foi espectacular e ia já outra vez. Mas isso sou eu, que sou maluca e não tenho juízo absolutamente nenhum. :D 

 

received_592937507726141.jpeg 

Juro que não conheço ninguém. Gente maluca. 

6 boas razões para se manterem fisicamente activos

Ponha o dedo no ar quem já mexeu, ou vai mexer, o corpinho hoje – e não, subir para o escritório no 23º pelas escadas não conta. Falo mesmo do exercício físico, aquela coisa que nos faz suar em bica, nos bombardeia com uma dose de felicidade pura no final e nos deixa de cama no dia seguinte.

Ora bem, a Evans (do grupo de facebook Cozinha Paleo com a Evans, conhecem?) convidou-me para falar um bocadinho sobre ele e sobre o impacto que teve – e tem – no meu dia a dia.

Podia falar-vos sobre o meu curto percurso neste admirável mundo, mas não vos quero entediar, pelo que vos trouxe 6 boas razões para se manterem fisicamente activos. Preparados? Começamos em 3, 2, 1…

 

- MAIS AGILIDADE / AUMENTO DE RESISTÊNCIA

 

 

Nada de maratonas e agachamentos com 100kg, falo de correr com os miúdos (ou atrás deles) no parque sem falhar na respiração, por exemplo. Ou de pegar num saco de ração para cães de 20kg sem perder os sentidos. E sabem aquela forma para bolos que está bem lá em cima do armário? Provavelmente conseguem esticar-se o suficiente para lá chegar sem chamar reforços.

 

 

- ESTIMULO À SUPERAÇÃO E COMPETIÇÃO PESSOAL

 

 

“Olha que fixe consegui 5 abdominais completos, será que chego aos 10 até 2025?” “Eh pá, corri 500m! Vou já inscrever-me numa corrida de 10km.” “Sejas mariquinhas, se ontem conseguiste 3 burpees, faz no mínimo mais 2.” Quanto mais fazemos, mais nos desafiamos, mais gostamos, mais nos superamos. E essa será talvez a maior magia que iremos ver na vida.

 

 

- MELHORIA DA QUALIDADE DE SONO

 

Sem dúvida! A melhoria é de tal ordem que por vezes começa mal terminamos a coisa. E eu sei bem do que falo que muitas vezes quase adormeço a meio do banho. Agora a sério, é inegável que a qualidade de sono melhora. Não seremos todos iguais e conheço algumas pessoas que apesar de tudo continuam a ter insónias ou outros distúrbios de sono, mas a nível pessoal sinto que repouso melhor, o sono não é tão leve e acaba por ser mais recuperador – menos quando levo uma coça de caixão à cova, aí não nada que me valha e tenho vontade de ficar 3 dias de cama. Sempre a dormir.

 

 

- AUMENTO DA HORMONA DA FELICIDADE

 

Não sei se é a dopamina, a serotina ou outra ina qualquer. Sei que há uma toda uma energia positiva que se liberta durante e no final que nos faz ser os maiores da nossa rua. Podemos já não ter pernas, os pulmões em cinzas e os braços em farrapos: o espírito está lá em cima e é teimoso a descer.

 

 

- MAIOR CONHECIMENTO DA ANATOMIA MUSCULAR

 

Sabem aquele musculozinho pequenito que sabe deus para o queremos? Vão passar a saber que existe. Têm consciência do vosso rabo? Vão passar a ter ainda mais. E os bíceps, sabem onde estão? Ah, mas vão saber. Tal como os tríceps, os quadríceps, os peitorais, os gémeos, a escapula e até a planta dos pés!

 

- RELATIVIZAÇÃO DE PROBLEMAS

O teu colega de trabalho foi nojentinho? 50 flexões e já não te lembras a razão. Discutiste com o marido porque deixou outra vez a máquina de café ligada toda a noite? 200 agachamentos e és tu que vais deixar os bicos do fogão ligados, mais explosão menos explosão, ninguém dá conta. Só tens 2€ na carteira? 4 minutos em prancha e já nem sabes quem és, de onde vens quanto mais pra que raio precisas de dinheiro.

 

 

 

Antes que perguntem: não, não fui sempre assim. Era uma preguiçosa do pior, mantinha uma relação super estável com o sofá e estava bem com o meu peso. Bom, talvez 2 quilitos a menos não fosse mal pensado, mas não foi isso que me levou a inscrever-me num ginásio, foi mesmo o precisar de uma distracção, um sítio onde descansar e esquecer o resto: a maternidade, as obrigações, o trabalho Enfim, um escape. Acabei por me ficar irremediavelmente ligada à coisa e já o faço por gosto (ah, bom… nem tudo), mexendo o corpinho mais de 3x por semana. Não troco a energia que me dá por nada - nem por três bolos de chocolate com recheio de natas e morangos. ;)

 

foto.jpg

  E vocês, já malharam hoje? 

 

5 tipos de mulheres numa Pink Party

Fui a uma Pink Party e sobrevivi para contar a história. Mesmo por unha negra, uma vez que me passou pela frente a terceira categoria e vi a minha vidinha toda a andar para trás. Literalmente.

Como sempre, podem contar comigo para toda a verdade sobre quem são e como são as mulheres, quando soltas à sua natureza numa sala carregada de estrogénio. 

Atentem: 

 

A Tiró-pé-do-chão

Ela tenta, resiste com todas as forças, mas não consegue. Ainda a procissão vai no adro, a sopa a ser servida e já os seus dedos tamborilam na mesa ao som da batida musical. Pouco lhe importa se é pimba, se é samba, se é forró, se é folclore. Mal se ouvem os primeiros acordes há todo um click pavloviano que se inicia e só desliga bem depois da festa terminar. 

 

A #firstworldproblems 

 

Toda a gente comenta o decote da moça roliça do gabinete de contabilidade do8° andar*, o vestido vermelho berrante e curtérrimo de fulana* ou as contorcionistas em poses fotográficas*, quando esta mulher atira um: "Então e a guerra na Síria? Vocês já viram? Não se percebe como ninguém põe fim àquilo...". Quando chamada atenção para detalhes verdadeiramente importantes, como a troca de olhares entre duas mulheres em mesas opostas capaz de incêndiar toda a floresta amazónica, necessita de um esquema desenhado com um gráfico de excel e uma explicação científica de Stephen Hawking.

 

 A Kamikaze das sobremesas 

 

Não se metam com ela ou mata-vos ali, sem dó nem piedade. É capaz de vos afiambrar com o prato de sobremesa (onde empilhará fatias de bolo como se fosse um jogo de Tetris) maneja a faca e o garfo como um samurai e se tiverem a ousadia de colocar a ponta do pé à sua frente, mesmo que seja só para pegar na colher de sobremesa, levam com um toque no ombro e um olhar à ninja que claramente a mensagem: "Não vais comer bolo de brigadeiro antes de mim ou sou capaz de te arrancar os dentes à colherada." 

 

A das fotos

 

 

Ainda ninguém sentou o rabo para jantar e já a das fotos esgotou o primeiro cartão de memória do telemóvel. Traz sempre várias recargas e a powerbank é a sua melhor amiga. Há imensos detalhes que quer recordar para sempre, como a cor das toalhas ou o bordado dos guardanapos e dispara mais clicks por minuto que uma kalashnikov na frente de batalha. 

 

A Esquiva  

 

Conhece o caminho para a casa de banho como a palma da sua mão. É perita a evitar os trilhos manhosos da pista de dança, assolapando o rabo na cadeira para não mais levantar. Bebe mais água que um camelo consegue armazenar nas duas bossas, para assim desculpar as repetidas idas ao WC e reza para que este tenha sempre fila do tamanho de uma Anaconda gigante. Consegue esquivar-se à maior parte das coreografias que todas sabem de cor, não sabe que quem vem lá "É o ritmo do amor" (até porque isso é coisa um bocado íntima) e é sempre a primeira a dar de frosques, acrescentado outro adjectivo a esta categoria: a tinhosice. Quase ninguém dá conta da sua presença na festa, a não ser quando a empurram para a pista e demonstra toda a sua fluidez natural de corpo de granito, mas todas sabem que lá esteve - até porque está a escrever isto. 

 

E é isto, maizómenos, que se passa numa festa destas. O resto... Bom, o que se passa entre mulheres, fica entre mulheres. 😏

 

* Descrições totalmente ficcionadas. 

 

 

Vamos lá pegar neste assunto de frente

Pedi nova avaliação física no ginásio que frequento e levei com uma chapadona à Stalone que até se me vieram as lágrimas aos olhos (exagero, tá? A chapada doeu, mas já era esperada).

Desde julho de 2016 que vou ao ginásio. Comecei com duas vezes por semana, depois três e agora dou comigo lá enfiada entre 4 a 5 vezes por semana.

 Em (quase) dois anos temos:

 

* Boa disposição (sim já tinha, mas melhorei)

* Melhoria na destreza e capacidade em tarefas do dia a dia 

* Superação pessoal 

* Criatividade (também já tinha, facto, mas é inegável a contribuição do exercício físico para a coisa)

* Aumento de energia 

* Aumento de resistência física 

* Diminuição da timidez

* Mais leveza de espírito e relativazação de problemas - ao pé de 20 flexões de completas, ignorar a maledicência e mesquinhez são peanuts

 * perda de volume

* alguma tonificação muscular

 

Porque vos disse isto? Porque é sempre bom começar pela positividade, ver o copo meio cheio, estão a ver? Ora portanto, como eu disse (e bem!), aquilo que descrevi é o que mais pesa na minha balança e só isso leva-me a não desistir e querer mais. 

Sou alminha curiosa, tenho os bichinhos do "e se" e dos "porquês" bem entranhados, portanto gosto de saber mais. Se não me importasse com o resto e isto me bastasse não teria pedido nova avaliação física, não é verdade? Resultado:

 

Massa Gorda: 30% (mais 6% que em julho do ano passado)

Massa Muscular: 29% (menos 4%, na mesma data)

Peso: 59.200kg

 

Eu sabia que a avaria momentânea da balança, antes de lhe subir para cima, era um mau agoiro. Bolas, que grande estaladão! Ainda por cima, começo por saber o peso ( + quase 2kg a mais da última vez) e bateu-me uma esperança de aumento de musculatura, afinal era só mesmo unto. 

"Como é possível?  Passas a vida lá metida..." 

Alimentação minha gente, alimentação. Os resultados de ontem, não são fruto de dois ou três meses a comer de forma equilibrada e mais saudável, são consequência de um ano (e o que está para trás) a "treinar para comer" e o "eu queimo, eu posso", em vez do equilíbrio. Muitas natas com café, muita massa ao almoço, muita bolachinha ao lanche e dá nisto: uma gaja que até cabe num 36, mas que deixa um rasto de banha por onde passa. Aquilo a que vulgarmente se chama "falsa magra" - mas é só nisto, ok? No resto digo sempre a verdade. :P 

 A minha cara de desânimo terá sido de tal ordem que aquela malta tomou logo conta da ocorrência: 

- Agora não vale a pena desmoralizar. É mudar o que há a mudar, treinar mais e melhor e seguir em frente. - diz um. 

 

- Devias passar pela nossa nutricionista. - diz outra.

 

- Dia 23 às 12:30. - remata a terceira. 

 

Mas assim? Já? Amanhã? Sem ter tempo de digerir o assunto? Bom, que seja. 

Como não podia deixar de ser fiz a piada fácil: 

 

- Agora temos que ter cuidado com as cargas, estou fraquinha de musculatura. 

 

E levei como resposta:

 

- Por isso mesmo é que temos de rever isso. Há aí muita gordura a derreter. 

 

Adoro malta que sabe ler nas entrelinhas do que eu digo. ;) Ginásios há muitos, com gente dentro há poucos. E a minha gente é do melhor - mesmo que sinta que assinei com o acordo com o diabo e que ainda lhe agradeço. 

Ah, esquecia-me do detalhe: pedi novo plano de treino, não só para melhorar as massas (até porque aí é uma questão mais alimentar do que física, digo eu) mas para trabalhar equilíbrio, postura e força abdominal - os meus calcanhares de Aquiles - e comprometo-me a fazê-lo, no mínimo, uma vez por semana - curto bués as aulas e não as troco, lamento. 

Modos que é isto: comi que me fartei, paguei o preço e estou disposta a inverter o peso na balança. 

Desejem-me sorte, sim? 

 

 

Proezas Fit

Então Caracoleta, já há tanto tempo que andas no ginásio, conta-nos lá o que já consegues fazer? 

Já pegas em 300 kg? Fazes 50 flexões completas? Então e resultados, hã? 

Adorava falar sobre isso, mas agora não me apetece. Não faço flexões completas - aquilo custa como o diabo! - nem pego em 300kg, mas danço com o meu filho ao colo: 17kg a rodopiar pela sala seguros por estes bracinhos. 

No entanto, descobri recentemente (ontem) uma proeza que alguns terão alguma dificuldade em executar: o encravanço de molas nas barras. Não é fácil  (eu que o diga que a sacana da mola deu luta e a barra acabou encostada às boxes até ao final da aula, porque aquilo nem para a frente, nem para trás), mas é possível. Como? Simples, simples: 

 

1) Ser a última a chegar e ter logo ordem para montar a barrita

 

2) Tentar fazê-lo rápido e bem - duas aptidões que nunca andam juntas

 

3) A primeira mola estar solta e ter de trocar

 

4) Não reparar no "detalhe" do número de anéis da nova mola (não façam essa cara, eu também não sabia deste detalhe. Sempre a aprender.)

 

5) A aula começar e quem lidera aplicar uma certa pressão psicológica enquanto lutamos com o material: empurra daqui, mexe dali, puxa dacolá até a p#$@ da mola colar a meio do destino final e morre ali. 

 

O que fazer numa situação destas? Esquecer a barra moribunda, afagando-a suavemente e garantindo-lhe que o problema não é dela, amaldiçoar as molas, recomeçar num outro local e rezar para que corra tudo bem. Por acaso, só por acaso, correu. 

E por aí quais as vossas proezas fit? Contem tudo, não escondam nada.