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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Dias que não são dias

Há sempre uma nostalgia no Natal. Ou, para ser mais precisa, nas festas que me são mais queridas. 

Ainda não chegou, mas sei que não tardará. Estou à espera dela, para evitar a surpresa da sua chegada, mas a sacana consegue sempre apanhar-me desprevenida. Para cúmulo, traz consigo a melancolia e a saudade de um tempo que não volta. 

Não me interpretem mal: gosto muito de festas, dos preparativos, das pessoas, do brilho, dos cheiros familiares e reconfortantes. É apenas algo que sou incapaz de controlar. A melancolia abate-se sobre mim de uma forma avassaladora. É um misto de querer fazer e não fazer, de querer que o tempo pare para o saborear melhor e querer que avance a toda a velocidade para esquecer a nostalgia. 

São dias em que não me sinto eu. Sinto-me uma espécie de vaso quebrado com super cola que ao mínimo balanço fica novamente em bocados. Dias em que ligo o piloto automático e faço por fazer, para evitar (ainda mais) a apatia. Dias em que me esforço por fazer valer a pena, por construir memórias, partilhando tempo, gargalhadas e sorrisos.  São dias em que espero, no fundo do meu egoísmo, que ninguém me fale. Que não me desejem boas festas, feliz aniversário, bom ano ou o que quer seja. São também dias em que agradeço profundamente a quem o faz, a quem não me esquece, enquanto seguro estoicamente as lágrimas que teimam em querer fugir. São dias em que sinto profundamente enganada: garantem que o tempo cura tudo. É mentira. O tempo só atenua a dor inicial, a moínha continua lá, à espera da altura certa para atacar e consegue sempre arrancar-nos o sorriso do rosto, ainda que por breves instantes. São dias em que me refugio (ainda mais) no humor, sendo também dias de falta dele.

Há dias que não são dias, já cantavam os Deolinda.

Estes são só mais uns...