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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. Não é nada, é mesmo só parvo.

Só eu... #13

Lembram-se do meu Fiat Punto de '99 e das peripécias que já vos contei com ele? Tenho mais uma para hoje. 

Depois de desinfectar a viatura com lixívia, faltava dar um jeitinho aos vidros. Decidi começar pela mala. Sendo um carro comercial a bagageira era imensa e, portanto, a única maneira de limpar os seus pequenos vidros laterais era entrar lá para dentro. Ora, aqui a cabeça de vento esqueceu-se de um detalhe: a porta da mala estava com os amortecedores avariados, fechando-se a cada passo. Para evitar isso, quando limpei afincadamente o seu interior, da última vez, tinha colocado um pau (sim, um pau, uma estaca, se quisermos ser rigorosos) a segurar a porta da mala. Que imagem linda, hã? Continuemos, eu, a expert em limpezas automóveis, achava que aquilo era rápido, que não precisava e que a porta não ia fechar comigo lá dentro. 

Pois... 

A sacana fechou ainda eu ia no primeiro vidrinho. Não consegui abrir por dentro - óbvio - e rezei para que dessem pela minha falta ao almoço, que já estava a ficar com fome e não tinha ali nada para trincar. 

Esperta como só eu sei ser, procurei algo comprido que passasse pela grade de separação, para tentar accionar a alavanca que abria a mala. Não havia. Não tinha a porra de um pé de cabra na mala do meu boguinhas. Toda a gente sabe que os pés de cabra dão imenso jeito, toda a gente devia ter pelos menos dois, para o caso de um se estragar. 

Entretanto, já eu achava que só iriam encontrar o meu cadáver anos mais tarde, com a chave de rodas na mão, passa a minha avó. Aleluia irmãos! Estou safa! 

Bato no vidro, freneticamente, enquanto grito:

- Vó! Vó! Oh Vóoooooooooooo! 

- Olá! - responde. 

Ai valham-me os deuses que estou lixada, vou ter que gritar mais. 

Ó Vóoooooooooooo! Eu estou aqui fechada! Estava a limpar e aporta fechou! 

- Que estás aí a fazer?

Pois...

- Estava limpar os vidros e a porta da mala fechou. Consegue puxar ali aquela alavancazinha ao pé do banco? 

algumas indicações mais e de superar a incredulidade de ter a neta fechada na mala do carro, a avó lá me conseguiu abrir a mala, deixando-me livre.

Excusado será dizer que o pau, ou estaca, passou a fazer parte do conteúdo da mala. Nestas coisas mais vale prevenir e ter à mão do que voltar a ficar fechada! 

Só eu... #11

Esta coisa das corridas bateu-me forte, como diz senhora minha Cunhada, e a verdade é que começo mesmo a gostar de mexer a pernoca. Há já dois fins de semana que queria dar a volta ao quarteirão, lá na terrinha, mas não consegui. Cismei, porque cismei, que seria este domingo. Toca a adiantar tudo, que os sogros vinham almoçar lá a casa, de modo a ficar livre meia hora antes do almoço. 

Saquei uma aplicação XPTO, que tinha uma boa classificação e vários comentários positivos, ativei a minha conta e vamos embora que se faz tarde. 

Ainda antes de começar, a aplicação informa, do alto da sua sabedoria tecnológica, que para optimizar o treino era aconselhado ativar o GPS. Mandei-a dar uma volta, que sabia perfeitamente o trajeto que iria fazer, coisa pouca, não me apetecia gastar tráfego e eu é que mandava. Mas ativei a voz da coisa, porque um incentivo vai sempre bem. 

A meio da corridinha - não é digno sequer chamar corrida àqueles 2.5km - pensei "este gajo desta aplicação deve ser mudo. Já estou quase a meio e ele não diz a quantas ando. Quando chegar a casa, vou reclamar disto."

Volvidos quase 17 minutos, chego a casa, feliz da vida, paro a aplicação que me pergunta imediatamente se pretendo partilhar a coisa no meu facebook. E eu, claro que sim, olha agora a esfalfar-me a subir a minha rua toda e não ia partilhar isso com o mundo. 

Só que... Vinte minutos depois, diz o homem:

- Ó mulher, tu estás muita forte! 0.00 km em 17 minutos?! Uau!

Gelei. 

Fui verificar e era verdade, a porcaria da aplicação não contou os metros percorridos. 

- Olha lá, tu ativaste o GPS? - pergunta o homem.

- Eu não! Para que queria isso? Eu sabia perfeitamente o caminho! Não me ia perder cá na terra! 

Revirar de olhos e estalada mental de azelhice. 

 A culpa é da aplicação, claro, que não explicou devidamente em que consistia a "optimização do treino". 

 

Só eu... #10

Ontem, depois de uma semana parada dada a gripe que de mim se apoderou, retomei o ginásio.

Ia cheia de genica, toda apressada porque já ia atrasada (de novo) e vá de ir buscar o peso num instante.

Durante uns segundos passou-me pela cabeça pegar no disco de 2.5kg, mas depois pensei: "não! Não sejas fraca. Leva este de 5.5."

Chegou até mim uma admiração qualquer, que não percebi muito bem, mas soou a algo como: "onde vais com esse peso todo?!" Fiquei um bocadinho inchada de orgulho, mas foi coisa que me passou rapidamente, sobretudo por me sentir a abafar depois de meia dúzia de saltos.

Houve ali um momento, ao olhar à volta, em que me pareceu que o meu disco era menor, em diâmetro, mas teria com certeza mais espessura, em altura. Ignorei aquela sensação de que algo estava errado e continuei a aula.

No momento em que precisamos de trabalhar com disco, reparo que o meu diz 2.5kg. Oi? Então mas eu peguei no de 5.5... Viro disco e lá estão 5.5...Lbs.

Olha que bem, hã?

Não me bastava este lapso, ainda levo com um irónico "enganaste-te, enganaste-te. Eu sei que te enganaste." da instrutora quando me trocou o disco.

É oficial: a minha fama de preguiçosa precede-me. :D

Só eu.. #8

Conduzia em direção ao trabalho, quando avisto um carro igual ao do homem - até a matricula era semelhante. Questionando-me que raio andava ele a fazer ali naquela zona, àquela hora, faço questão de que ele perceba que foi avistado, buzinando e acenando um "Olá Amorzinho!" .

E é então que percebo que:

1) Não era o homem, era um senhor de meia idade que ficou um bocado parvo perante tanto estalhardete;

2) Nesse dia, eu conduzia o carro do homem.

Escusado será dizer que pressionei um bocadinho mais o acelerador.

Que vergonha senhores, que vergonha.

Só eu.. #7

Vamos aparvalhar?

Acho que a malta está a precisar de descomprimir e desanuviar.

Toca a colocar os cintos, desta vez vez cabem cinco, que a aventura de hoje é com o meu eterno e querido Renault Clio Herdado (sim, gosto de nomes pomposos para as viaturas, e depois?).

Mas, antes, vamos só passar ali nas bombas, que tenho o depósito na reserva.

Sou pessoa fiel aos estabelecimentos, coloco sempre gasolina no mesmo posto, o da minha área de residência.

Naquele dia, não excepção, só não contava que me trocassem as voltas.

Uma pessoa sai da viatura, marca o valor a abastecer, pega na mangueira e espera.

E espera.

E espera mais um bocadinho.

E bufa.

E porra que isto nunca mais acaba, só pedi 20€ senhores, não quero que me entupam o depósito de gasolina!

Nisto, a pessoa, olha para o visor, percebe que aquela treta não está a contar, está ali parado nos 0.00 litros e repara num bonito e singelo aviso "Esta bomba encontra-se em pré-pagamento. Obrigada pela compreensão."

Ora bolas!

Vá de ir efetuar o pagamento e entrar na viatura que se faz tarde.

Liga a ignição, percorre meia dúzia de metros, olha para para o mostrador de combustível e solta um impropério:

- Foda-se! A gasolina não rende mesmo nada! Vinte euros e o ponteiro nem mexeu...

E é aí pessoas, só aí, que se faz luz:

- Ai! Não acredito! Eu não meti gasolina!

Portanto, paguei e zarpei sem o combustível.

Esperta, hã?

 

Só eu... #6

Continuação

Naquela pequena confusão de espelho partido e pé atropelado, juntou-se um pequeno grupo de pessoas à nossa volta, entre elas, o Xô Presidente da Junta de Freguesia lá do sítio que, após a troca de contactos de promessas de ida ao hospital, se prontificou a ajudar-me.

- Queres ajuda Caracol? Que te apoie?

WTF? Já não chega este monte de gente aqui, serem três horas e a loja estar fechada e ainda me queres dar o teu ombro? Poupa-me a essa vergonha.

- Não, obrigadinha Xô Presidente. Eu vou sozinha.

- Mas vais à urgência, não vais?

Chatos, pá!

- Vou, vou. Claro que sim.

E fui.

Oito dias depois do acidente.

O pé estava da cor do crude, ainda estava dorido e, apesar de não me parecer ter nada partido, achei prudente dar um salto (ao pé cochinho) à urgência.

- Qual o motivo da sua vinda? - pergunta a recepcionista.

Oh, sabe, fui atropelada na semana passada...

- Tenho aqui um problemazito num pé...

- Que tipo de problema?

Aquele que pode surgir depois de lhe passar um carro por cima...

- Foi atropelado.

A senhora ergueu pela primeira vez o olhar na minha direção.

- Na semana passada. - continuei ignorando o sobrolho levantado - Parece-me tudo bem, mas como ainda está um bocadinho dorido, achei melhor passar por aqui.

Depois de digerir a informação, mandou-me aguardar para a triagem e desejou-me as melhoras.

Já na triagem, o enfermeiro questiona o mesmo:

- Então, que a traz por cá?

Sê sincera. Não estejas com historinhas.

- Tenho receio de ter alguma lesão no pé. Passou-lhe uma roda de um carro por cima na semana passada... Eu sei que devia ter cá passado mais cedo, mas como ainda me dói um bocadinho...

- Pois devia, nestas coisas não devemos facilitar. Mas diga-me, que tipo de carro foi?

Hã? Para que é isso relevante ao caso? Hmmm. talvez tenha a ver com o peso do veículo...

- Um BMW. - respondi, enquanto o enfermeiro prosseguia o seu raciocínio face à minha hesitação:

- Um carro de bebé, de mão...

Juro, quase ouvi o click quando assimilou a informação que tinha afiançado.

- Ah, foi mesmo um carro!

- Sim, foi mesmo um carro!

- E não veio logo? Fugiu o sacana?

- Hmmm, não. Não vim porque achei mesmo que estava tudo bem, que era só pisado. Só que como ainda está dorido... O senhor foi impecável. Tenho o contacto, caso seja necessário alguma coisa.

Avaliou o meu ferimento e no final:

- Deixe-me que lhe diga, teve muita sorte. Não parece estar partido, ou ter uma lesão maior, mas vamos fazer um raio x para certificar.

- Ok.

- Para a próxima não espere tanto tempo, venha logo. As melhoras.

- Obrigadinha. Não tenciono repetir a façanha.

Finalizada a radiografia - e saliento a dedicação de profissionalismo de quem me atendeu naquela ida à urgência - não tinha mesmo nada partido, só pisado. Segundo o ortopedista - que, minhas amigas, era uma brasinha, quase valia a pena atropelar o outro pé - era normal ainda estar com dores, afinal tinha sido uma grande pancada. Nada de pomadas como Trombocid ou Hirodoid, porque e passo a citar: "não fazem nada a não ser dilatar os vasos sanguíneos, provocando mais dor e aumentando o edema" (fica a dica!;) Recomendação apenas para um analgésico e gelo, muito gelo, caso acontecesse algo do género outra vez.

Terminou bem esta história, fiquei sem lesões de maior, o inchaço e pisado ainda demoraram a sarar, mas nunca mais repito.

O mesmo já não posso dizer na sandália: ficou com a sola partida. Mas salvou-me o pé a fofinha. =)

 

Só eu... #5

Depois de várias peripécias com o saudoso Fiat Punto de '99 (que podem ler aquiaqui e aqui), lembrei-me, ou melhor, a Chic lembrou-me, após uma aventura sua que envolveu o pé, o hospital e um creme, desta minha aventura.

Pois bem, a minha envolveu também um pé, também o hospital mas algo mais... pesado, em vez de um creme.

Antes de mais, deixem-me emitir o seguinte alerta, não vão crianças ler isto e achar que é sempre assim: não façam isto em casa. Nem na rua. Nunca, jamais, em tempo algum, sigam os meus passos.

Prossigamos então para  o dia em que atropelei um carro. Só com um pé, hã? Muita forte eu.

Estava atrasada para o trabalho, já na queima, mesmo em cima da hora, cheia de pressa, vá de verificar bem se podia atravessar, olho para um lado, daqui posso, olho para outro, daqui vem dois, volto a verificar do lado oposto e ok, continua livre, passam os dois carros e vá de começar a atravessar a rua. Só que... Não vi o terceiro carro. Vi a mala que trazia na mão esquerda voar à minha frente (mas apanhei-a com a direita ainda antes de bater no chão. Tenho ótimos reflexos), ouvi um retrovisor a partir e senti qualquer coisa no pé direito.

Ok, penso eu, estás fora da passadeira, partiste o espelho a um carro com a mala... FOGE, antes que perceba que foste tu.

Um péssimo pensamento, eu sei, mas foi a primeira coisa que me ocorreu. E lá fui, tentando escapulir-me atravessando a rua a correr tanto quanto as minhas sandálias de salto me permitiam.

- Ei! Menina? Está bem?

Raios, pá! Afinal, o gajo viu que fui eu!

- Estou. Peço desculpa, não o vi. Parti-lhe o espelho, mas fique com o meu contacto que pago-lhe o arranjo - fui dizendo enquanto o maxilar inferior do sujeito ia descaindo.

- Mas... O espelho? Mas... Eu também não a vi... Tem a certeza que está bem? Eu acho que lhe passei por cima do pé...

E nisto olhamos para o meu pé, que estava de facto um bocadinho escuro.

Ah, ah, afinal foi isto que senti! Boa Caracol, partes o espelho ao gajo e ainda mandas um valente biqueiro na roda! Não podias ter melhor pontaria!

- Se calhar é melhor leva-la ao hospital, isso dá a ideia de estar a ficar pisado.

Hospital? Mas o homem está doido? Eu estou sozinha na loja, não dá jeito nenhum. E já passa da hora...

- O quê? Isto? Não, isto é só sujo. De certeza que foi quando acertei com o pé no pneu. - Aleguei, sacudindo algum pó do pé, mas apercebendo-me que, afinal, não era só sujidade.

- Mas... Não lhe dói? - o homem estava verdadeiramente atónito.

Bom, agora que fala nisso... Talvez um bocadinho. Mas nada de especial. O molar que tenho para desvitalizar às vezes é pior.

- Não. Mói só assim um bocadinho, mas nada especial. Olhe, veja, eu até mexo bem o pé e tudo. - dizia, enquanto girava o tornozelo e mexia os dedos.

- Olhe que é melhor ir ao hospital, isso agora está quente, pode não sentir muitas dores, mas é melhor ver. Eu tenho a certeza que lhe passei por cima do pé. Venha, eu levo-a.

Oh valha-me deus! E a loja, hã? Quem abre a loja?

- Não é preciso, a sério. Eu estou mesmo bem e isto de certeza que está só pisado. Mas, caso não me sinta bem, irei logo à urgência. Fique descansado.

- Então fique com o meu contacto e ligue-me, caso seja necessário ativar o seguro.

- Certo. E fique com o meu também, para pagar o espelho.

- Deixe lá o espelho menina! Vá mas é ao hospital ver isso.

Prometi que sim, que o faria.

Mas isso, fica para outro post, que este já vai longo e o puto já acordou da sesta. =)

 

 

Só eu... #4

Sim, eu sei, já há imenso tempo que vos deixei pendurados à espera de mais aventuras com o Fiat Punto de '99.

Aqui estou, pronta a redimir-me dessa tremenda falha com a aventura mais espetacular de todos os tempos: a da porta.

Escusam de pedir mais, meus amigos, que hoje é O dia.

Esperava tudo daquela viatura, mas não a queda de uma porta. Apanhou-me completamente desprevenida, a mim e ao meu colega de trabalho que, coitado, tanto sofreu comigo ao volante.

Já eram horas de regressar a casa, mas não sem antes colocarmos umas lâmpadas no carro. Cheios de pressa, açambarcamos o máximo de lâmpadas (daquelas fluorescentes, compridas) que conseguimos, fechamos o estaminé e vamo'bora para a viatura que se faz tarde. Procura a chave no bolso, não está neste, deve estar no outro, e o rapaz a bufar, que aquilo lhe estava a escorregar, e eu menos um bocadinho de pressão sim? Tenho a certeza que a chave estava aqui à mão, lá dou com ela e preparo-me para abrir a mala (era preciso levantar uma alavanca junto ao banco do condutor) quando ouço ao meu lado um PLOC. Assim mesmo, PLOC. Olhei em redor, não vi nada de extraordinário, até os meus olhinhos baterem na porta que assentava, num ângulo meio estranho, no chão do passeio.

- Ai, ó C, a porta caiu!

- Caiu?! - não percebi o porquê do revirar de olhos à medida que se ia apercebendo que não, eu não estava a brincar.

- Abre masé a mala que eu já vejo isso.

Desmanchada de riso, lá lhe abri a bagageira para que acomodasse as lâmpadas, mas também me esqueci que tinha os amortecedores estragados, pelo que era preciso segurar manualmente na porta. Logo, enquanto eu avaliava a porta e pensava em possíveis soluções, o meu colega, pobrezito, levava com a outra na tola.

Quando, por fim, lá consegue vir observar o raio da porta, sempre a moer como raio tinha aquela merda caído  e eu sempre a responder sei lá eu, abri e ela caiu assim, do nada. Talvez seja bom referir que tinha batido num raile de auto estrada, exatamente naquele sítio, há uns tempos. Coisa pouca, só ficou ali em bocado amolgado e fazia CLAC cada vez que se abria a porta. CLAC que eu ignorei, com todas as minhas forças, está bom de ver.

Depois de muito olhar, ver, observar e analisar, o colega pôs mãos aos trabalho:

- Só partiu a dobradiça de cima, talvez dê para pôr a porta no sítio e trava-la por dentro.

- Ou então podemos pôr fita cola, daquela larga, acho que há na loja. - eu e as minhas ideias brilhantes.

- Eu bem te avisei que aquele barulho não era normal, devias ter visto isto. - Moía ele enquanto levantava a porta, tentando encaixa-la nas engrenagens, uma e outra vez.

- Ou então tiramos mesmo a porta. Guardamos na mala. Eu vou devagarinho e há-de correr tudo bem. 

As minhas soluções estavam a melhorar, àmedida que o meu cérebro ia apreendo que estavamos mesmo fodidos.

- Ou ligamos para a assistência em viagem, não?

- Sim, ou isso.

Não é à toa que se diz que duas cabeças pensam melhor que uma, apesar que a fita-cola não me parecia uma ideia assim tããããooo descabida.

Ele lá continuou, levanta mais, baixa mais nadinha, está quase lá, até que:

- Já está! Vai pelo outro lado trancar a porta.

Naquele momento, dei graças por ter um carro tão manual, bastou pressionar o travão da fechadura e a porta ficou segura.

Alertou-me o Colega:

- Agora não te esqueças de chegar a casa e abrir a porta, em vez de saires pelo outro lado.

E eu, claro, obediente que sou, não me esqueci. :D

 

 

 

Só eu...#3

 

Prontos para mais uma aventura com o meu saudoso Fiat Punto de '99?

Vamo lá, então! Calma que o machimbombo só pode com dois passageiros, é tirar à sorte quem vai no pendura-banco e pendura-chão, o resto cabe na bagageira que é grande.

Após a minha compra absolutamente espetacular, era tempo de lhe dar uma geral no que toca à higiene.

A minha mamazita, tal como prometido, remendou o buraco do acento com uma joelheira, dando um ar de patchwork ao tecido. Muito, muito auto-fashion.

Até o meu pai, quando viu que eu estava prestes a pincelar os arranhões com um balde de tinta preta, ofereceu a sua habilidade manual com um "dá cá isso, caralho, qu'inda fazes merda!" Agradeci, até porque razão tinha ele, e passei-lhe a lata de tinta. Ficou impéc! Ou tanto quanto se pode esperar dada a qualidade de recursos.

A limpeza do calhambeque ficou a meu cargo. Lá comprei o champô, o abrilhantador de jantes, o Pronto para o painel, o limpa vidros e o diabo a sete.

Depois de uma exímia limpeza exterior, de uma aspiração tão profunda que até um pedaço de carpete descolou, era tempo de limpar o tablier. Meus amigos, aquilo estava encardido. Por muito que esfregasse, por muito líquido que usasse, o raio do trapo estava sempre negro. Ao cabo de algum tempo, lembrei-me daquele produto espetacular, que além de limpar a fundo ainda desinfeta: a lixívia. Sim minha gente, eu limpei o interior TODO com lixívia. E quando digo todo, refiro-me não só a todo o painel da frente, mas a tudo quanto era fibra. Ele foi interior das portas, ele foi pedais, ele foi manete de mudanças, ele foi a bagageira. Tudo corrido a lixívia. Pura, para potenciar o efeito desinfetante e desincrustante. Obviamente que tive atenção à pele e usei luvas, de pano porque só tinha as de jardim, e foi uma operação extremamente delicada ao passar no contorno de tecido dos bancos que, vá-se lá saber como, escaparam incólumes a esta limpeza. Resultado: o carro ficou um brinquinho. E cheiroso! Tanto que tive que andar os três dias seguintes com os vidros abertos. Sempre abertos. Pormenores. Já sabem, para desinfetar viaturas é lixívia. O resto é marketing e do foleiro, qu'aquilo não limpa nada!

Só eu... #2

Sou pessoa dada a peripécias, é um facto inegável. A minha vida está recheada de cenas mais ou menos engraçadas, que ainda hoje me fazem rir.

Decidi, e porque sou pessoa que gosta de partilhar gargalhadas, ir contando algumas por aqui. (Que é como quem diz: deixa-me lá encher aqui uns chouriços, que já não sei do que falar ;)

Começo pelas aventuras com o meu eterno Fiat Punto de '99.

O carro do meu coração. A minha primeira viatura, aquela que me deixou mais lembranças (daquelas que só mesmo a mim...) e saudades. Que viatura, senhores, que viatura!

Era carinhosamente tratado por machimbombo, tal era o ronronar do seu motor. E também por Fiat Punto de '99, quando a ocasião exigia mais pompa e circunstância. Não me perguntem o porquê de incluir o ano no nome, mas sempre o fiz. Era assim uma espécie de linhagem, como aqueles cães XPTO que descendem de campeões e que têm nomes como Matrix Champonix da Quinta dos Labradores de Badajoz. Estão a ver? Não? Pronto, deixem lá isso e avancemos que se faz tarde.

Dizia eu, que o meu Fiat Punto de '99 foi o meu primeiro carro.

Fui vê-lo com a minha mamazita, ao mecânico lá do zona.

E apaixonamo-nos por ele. Era preto, comercial e pequeno. Ou seja: discreto, económico e fácil de arrumar em qualquer canto. Tinha ali umas mazelas, mas nada que uma lata de tinta não resolvesse. Era perfeito.

Quando contei ao meu namorado (atual marido) e ao meu pai, ficaram fulos da vida. Como tinha escolhido um carro sem as opiniões deles? Que audácia! Mandei-os ir ver a minha fantástica compra, lá no garageiro, e logo choveram duras criticas contra o meu boguinhas:

 

- Foi isto que compraste? - questionou o meu rico paizinho, desvalorizando a minha compra com um isto de incredulidade.

- Tu viste aquela lateral toda lixada? E aquele banco roto? - continuou. Pronto, vá estou a suavizar a coisa, o que ele disse foi:

- Viste aquela merda daquela lateral toda esmurrada? E aquele banco todo fodido?

É, o meu pai era pessoa bastante direta e concisa. E caralheira.

Mas eu não me deixei vencer:

- Vi. E já comprei uma lata de tinta para disfarçar. E a mãe já disse que cosia uma "joelheira" no banco.

Lá disse mais meia dúzia de palavrões, mas resignou-se à minha compra.

Por sua vez, o meu homem, foi mais lacónico:

- O carro está todo fodido.

É, os homens da minha vida têm uma pequena tendência para o palavreado menos bonito. (E eu também, às vezes, confesso).

Mas eu, não! Qual fodido, qual carapuça! Estava ó-ti-mo! Os homens é que eram, perdão, são muito exigentes nestas coisas com quatro rodas.

Obviamente, que olhando para trás, o carro não estava assim em tão boas condições. tanto que depois gastei uma pipa de massa em braços de direção, casquilhos, calços, cintas e afins, no entanto isso interessava para nada, era o meu primeiro carro, comprado apenas com a opinião da minha mãe e, para nós, desde que andasse estava ótimo.

Como disse, foi um carro que me trouxe muitas aventuras, porém o texto já vai longo, pelo que hoje deixo-vos só com esta primeira que foi a sua aquisição, a segunda fica para uma próxima.

E inclui um componente muito especial: lixivia.