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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Para ti, querida Amiga

Obrigada!

Pelo constante incentivo à escrita criativa. Pelo largos elogios à parvoeira que aqui deposito, mesmo no mais idiota dos textos. Pelas perguntas constantes "então? e o outro texto? não sai?" e pela paciência na espera deles. Por todas as vezes em disseste "fantástico!" quando eu duvidava das palavras escolhidas. 

Obrigada ainda pelo apoio moral numa das piores corridas de sempre. Por me provares - e acima de tudo provares a ti - que é possível mudar e ser mais activa e que não existe um limite temporal para o fazer. Obrigada pela companhia nos quilómetros percorridos e pela compreensão quando avancei um bocadinho mais. 

Obrigada por depositares em mim (e na outra idiota de serviço) toda a fé num projecto que tinha tudo para correr muito mal e ser o maior fracasso humorístico-fit, arruinando aquilo que tínhamos conseguido com tanto carinho. 

Obrigada, querida amiga, por teres tornado este ano mais rico e ainda melhor. 

Pensei em oferecer-te também um frasquinho, mas pensei na tua luta contra as guloseimas e em como estás focada em ser mais saudável. =) Mentira, sempre achei que te devia "oferecer" aquilo que mais gostas e, no fundo, aquilo onde me amanho melhor: as palavras. Naquela que é não só minha, mas também a tua casa blogosférica. 

 

 

MaduMáfia - Bastidores

 

 

Foi talvez das coisas mais giras e divertidas que tive o privilégio de participar.. 

Em amplitude talvez esteja ali a par da prenda para a Mula, onde consegui (saberá deus como) juntar 25 alminhas para dar uma prendar de casamento entre bloggers. Doze de nós - se não me falham as contas - continuamos ligados à conta disto. Umas das ideias mais idiotas que tive e que pensei, sinceramente, não dar em nada. 

Lembram-se de vos ter falado, semana passa, de estar metida num projecto absorvente e que pouco tempo me sobrava para o resto? Pois bem, já vos posso falar sobre ele. (Ou um deles, vá)

Há uns tempos, meia dúzia de compinchas fit tiveram uma ideia. Ideia que deu origem a uma caricatura (porque uma de nós é familiar do ilustrador e o sugeriu) para umas pessoas fixolas - estas pessoas. Já não me lembro da ideia original, do que lhe deu origem ou porque nos juntamos, sei que, de repente, tínhamos uma caricatura e não fazíamos puto de ideia como a entregar. Surgiu a ideia de um vídeo. Ok, muito lindo, e apresentamos o vídeo onde? No facebook? Não tinha graça. 

Todos os anos, de há três para cá, por alturas do mês de novembro, o ginásio realiza a pomposa "Gala de Globos Fitness" - assim uma cena bué supimpa e com pompa e circunstância. Ficou decidido que entregaríamos a prenda e um miminho ao restante staff, nesse dia. Estaríamos no começo de setembro. 

O vídeo era ambicioso: reportar todo o staff de um ginásio para um grupo mafioso procurado por várias polícias internacionais. E não nos chegava só o enredo: precisávamos de testemunhos de "vítimas". Fotografias de várias pessoas, no ginásio, com um quadro ou uma folha de papel onde o classificariam numa palavra - houve malta que entusiasmou e estendeu a palavra a pequenas frases. 

Ora bem, nós não estamos sempre no ginásio e quando lá estamos, regra geral, os boss's também estão, logo íamos precisar de agentes à paisana. Uma de nós, a que tem mais lábia para estas lides, tratou de indrominar o sistema a nosso favor e, de repente, as fotografias começaram a chegar à nossa caixa de mensagens. Uma e outra e outra e outra e outra, num total de 48 retratos. Pode parecer pouco, mas é imenso tendo em conta o tempo. Ainda tiramos mais algumas nos balneários e o meu cacifo, ainda que não tendo sido alugado com este propósito, deu um jeito do caraças para guardar o material (o quadro, o giz, algumas folhas e um marcador). Como é óbvio, coloquei-lhe um aloquete e dividi as diversas chaves por mim, por mais uma compincha e uma outra na recepção do ginásio - não fosse o diabo tecê-las e perdermos as chaves, nada que não eu não fosse capaz de fazer... :P Assim conseguíamos mais pessoas, já que não vamos no mesmo horário e teríamos sempre acesso ao material. Ah, e como é óbvio omitimos aos fotógrafos à paisana a real intenção das fotografias. Sabiam que era para uma surpresa, mas não sabiam que estariam englobados nela. Há relatos de fotografias difíceis  - sei de quem teve inclusive de tirar fotos na casa de banho dado o constante cirandar da boss no balneário feminino. :P Pela minha parte, não houve grandes peripécias (a não ser as duas vezes em quase, quase!, me enganei no destinatário de uma mensagem com conteúdo comprometedor) mas os meus banhos eram sempre imensamente demorados. Quase o tempo para tomar dois ou três banhos. E sim, não fiz aulas que gosto (assim de repente lembro-me do HIIT ou da corrida) para poder apanhar malta que fazia outras aulas e que estaria no balneário nesse tempo. 

A meu cargo ficaram os textos com as descrições de cada um dos elementos da "Máfia", bem como dos crimes por eles perpetuados. Problema: não conhecia todos os elementos do staff, nomeadamente o professor de zumba. Alguém teria que ir a uma aula, já que nenhuma de nós o conhecia. Tirámos à sorte e calhou-e ma mim - mentira, fui praticamente empurrada por elas, que me deixaram sozinha numa aula de zumba, sem saber para que lado mexer os pés. Ricas amigas, estão cá dentro. Pelo meio, fui pondo o olho à aula de zumba kids (que termina no exacto momento em que chego ao ginásio, à sexta feira), para poder descrever maizómenos a professora. O único elemento que nenhuma de nós conhecia tão bem, era apenas o professor de taekwondo, mas com uma ou outra descrição de quem o viu a dar aulas, a coisa acabou por se fazer. 

 A uma semana da gala (que decorreu sábado passado) decidimos mudar o programa de vídeo. Não que estivesse mal ou feio, mas pereceu-nos um nadita " ultrapassado". Pedimos opinião externa à cúmplice que nos ia passar o vídeo na festa e depois do seu aval positivo recomeçamos. Tudo. Outra vez. A pouco menos de uma semana, não sei se já disse. Nunca dormi tão pouco na minha vida. E, em boa verdade, nunca estive tão nervosa como naquele momento em que o vídeo começou a passar. E se ninguém gostasse? E ninguém se risse? E se dispersassem a atenção? O vídeo era longo (quase 9 minutos), tentamos encurtar ao máximo, mas não era possível mais ou cortávamos partes importantes. Conseguir manter cerca de 200 pessoas presas a uma tela durante 9 minutos foi... Incrível. O que vou dizer a seguir poderá parecer cinismo, mas não é: foi o melhor prémio que poderia trazer para casa (ainda não tinha contado aqui, mas estava nomeada para revelação feminina). Os silêncios, as gargalhadas, a expectativa, os "ohhhhhhhhhh's" quando surgiu o underboss, o apogeu de loucura quando entraram os "boss's", a colega de mesa que me segredou " isto tem mão tua, não tem? Só pode ter.." Foi um orgulho imenso pelo nosso trabalho. Por estarem de facto a usufruir, a viver aquilo que fizemos com dedicação e carinho. Pestanejei várias vezes para não lacrimejar. Foi absolutamente incrível.

Sei que já vos disse em privado, mas nunca é demais: foi um enorme prazer trabalhar convosco. Obrigada por confiarem quase cegamente na minha mente criativa (e um nadita parva), por me darem carta branca a quase tudo e, claro, por me aturarem, que não foi nada fácil, eu sei. Um obrigada especial ainda a quem nos ajudou externamente, sobretudo em momentos de pânico (isto funciona como? Como é que faço aquilo? E isto?) e todos aqueles que, sem hesitar e sem saber, tornaram isto possível.

Deixo-vos a caricatura sublime e muito, muito bem captada pelo ilustrador Pedro Silva, tendo como base este texto e bitaites vários de um pequeno grupo de compinchas. E claro, o MaduMáfia. Fujam, eles andem aí.

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A Cátia

Hoje quero dar-vos a conhecer a Cátia, instrutora lá no ginásio que frequento. A sua pessoa está inerente em vários textos deste estaminé, como o do jump, da aula surpresa, dos primeiros 5km e de forma mais direta na entrevista da Claúdia, mas eu tinha prometido e as promessas são para cumprir. Além de que, ela merece de facto que lhe dedique umas palavrinhas.

Não a conheci logo aquando a inscrição - graças a deus e a todos os santinhos, que aqueles primeiros treinos com senhor Madú deram-me cabo do costedo, nem quero pensar se fosse ela a "apresentar-me" ao exercício - só mais tarde e da pior forma possível: sozinha, na sala de musculação e sem ter por onde fugir. Meu deus, que tareia! Só de lembrar já doem os músculos todos.

Confesso que não tinha esta ideia de sôdona Cátia, vi-a na recepção uma ou duas vezes e tinha a ideia que até era boa rapariga... Até me mostrar o saltos e o trampolim.

Logo nos primeiros dias, apenas conhecia o Madú enquanto instrutor, a sua fama foi-me apresentada:

- Vamos tentar elaborar o teu plano de treino esta semana. A ver se a Cátia trata disso... Cuidado, ela é dura!

Completamente ko, sem fôlego sequer para dizer um "ai", perguntava-me como raio era possível haver alguém ainda mais duro que ele. Felizmente, acabou por não ser ela a elabora-lo, a Ana fez o favor de me fazer um bastante ruinzinho, tanto que o senti gravado a ferros no corpinho durante aquela semana.

Naquele instante, na minha cabeça, formou-se esta imagem:

 

 

Mas saiu-me isto:

 

 

 

 

 

E digam-me, quem é que resiste àqueles olhinhos? Ninguém, pois claro! Quem sofre? Nós, pois claro! 

"Oh, só vais fazer cinco quilómetros? Faz sete, anda lá...." Ou ainda: "Faz lá aí uns abdominaizinhos, num instante, só para acabares." E tu pensas "Olha que carago, hã? Eu já tinha acabado...", mas lá cedes e fazes, mesmo que te amaldiçoes o tempo todo.

Não faz por mal, sei que não, aquilo está-lhe no sangue. O exercício corre-lhe nas veias e quanto mais rápido, demoníaco e insano for, mais dinâmica se torna. É verdadeiramente impressionante! Ponham-lhe um trampolim aos pés e é vê-la numa excitação aos pulinhos de contentamento. É capaz de dar uma aula toda a rir, enquanto salta freneticamente de um lado para outro, pega em halteres, saca o TRX do bolso, faz umas pranchas, salta mais um bocadinho, mais uns abdominais, uns agachamentos... E podia continuar, porque a Cátia não pára. Literalmente.

E se acham que ela precisa de instrumentos de tortura para vos pôr a chamar pela mamã, estão muito enganadinhos. Tremam (ou fujam, se tiverem tempo) quando virem uma sala despida de material: vão usar o vosso corpinho e comer as passinhas do Algarve com ele. Digo-vos eu, que prefiro uma bolinha de 6kg, ao peso do meu tronco. Ou do meu rabo. Também escusam de se preocupar muito com números: independentemente do que fizeram, vão repetir mais oito, para saberem o que é bom para a tosse. Não importa se já fizeram vinte flexões de braços ou se já aguentaram dois minutos em prancha. Há sempre mais oito, sejam repetições ou segundos.

Fora tudo isto, a Cátia tem um grave problema: é impossível não gostar dela. É praticamente nula a hipótese de sair de uma aula dela e não querer voltar para a seguinte. Mesmo que vás para o balneário a rastejar. A Cátia é a heroína do fitness: quando mais ela te dá, mais tu queres. Quanto mais ela pede, mais tu fazes. É irresistivelmente viciante. Se neste momento gosto efetivamente de mexer o corpinho, é ela, em parte, a responsável. Se eu conseguir não ficar a meio da Petrus, sou gaja para lhe dar um abraço. Ou então não, que abraços transpirados é capaz de não ser lá grande ideia.

Se comecei este texto a agradecer aos deuses não a ter conhecido logo de inicio, termino a agradecer tê-la na minha jornada de aspirante a fit. E olhem que não é fácil, nada fácil, levar com um cromo como eu que, além de descoordenada, destrambelhada e preguiçosa, ainda tem a mania que é engraçada.