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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Fui correr com a Cunhada

E, meus amigos, tenho montes de parvoeira para vos contar.

Verdade que fui eu que a arrastei para esta loucura, falo de forma entusiástica sobre corridas o que a levou a achar que se calhar era divertido falecer. Afinal, diz que não é tão divertido como apregoo e que não quer repetir a façanha.

Cá entre nós que ela não nos lê: ela gostou, está-se é armar e a fazer de difícil.

Mas bom, continuemos, os primeiros dois quilómetros, senti que me tinha enganado e tinha ido parar a uma sala da obstetrícia. Ninguém respira assim, a não ser que tenha oito centímetros de dilatação e esteja a suplicar pela epidural. Qualquer coisa como isto:

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Incluindo este ar de "ai meu deus, nosso senhor, por favor ajudai-me nesta hora difícil!"

Mais adiante, estávamos a meio do trajeto, oiço a criatura suplicar: "Leva o meu dorsal.... Já não posso mais..." 

 

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Qualquer coisa como isto, mas sem o Daryl (infelizmente). Fiquei na dúvida se lhe dava dois estaladões - dos reais - se a insultava - que acabou por acontecer - ou se a mandava internar. Acabei a puxa-la por um braço, calando-a com "anda lá caralho!".

A dada altura, julgando eu que a cachopa tinha finalmente apanhado o ritmo, dou conta que não vem atrás de mim. Olho para trás, procurando o seu cadáver e dou com o seu esqueleto encostado a um muro, sapatilha no chão, meia numa mão, pé ao léu e ar de sofrimento.

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- Mas o que é que foi agora? - atiro, naquilo que entrelinha dizia "qué essa merda, pá?! Tás parva?!".

- Oh pá, doía-me o pé... Estava a ficar com bolhas e tinha que ver o estado da coisa.

A minha expressão deve ter sido mais ou menos esta: 

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Que, basicamente, acabou por ser a minha cara durante os 10 penosos quilómetros. Acabamos por conseguir um tempo razoável, com tanta peripécia, chegando à meta 1:08 após a partida.

Já no carro, pergunto-lhe se está bem e não quer pensar repetir. Respondeu assim:

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Acho que não corre mais comigo...

Diário de uma preguiçosa aspirante a fit #16

Foi hoje.

Corri esta manhã o que dizia, há três meses, ser impossível. Que não era para mim, que não era capaz, que ia atrapalhar, que já os restantes estariam na meta e eu às voltinhas, arrastando-me para lá chegar, isto se conseguisse efetivamente chegar ao fim.

Já estava mentalizada que era capaz (falei sobre isso aqui), mas nunca, nem por sombras, julguei terminar num tempo tão curto. Corro há tão pouco tempo, demorei uma vida e meia a ultrapassar a barreira mental, levei 1:07 a percorrer 9 km... Tinha mentalmente estipulado 1:15 para terminar e ficaria felicíssima se conseguisse fazer esse tempo. Fiz menos. Muito menos. 1:03 foi o tempo que demorei a percorrer os 10 km. Caraças, vou ser a maior da rua durante a semana toda! (Sim, estou um bocado orgulhosa, mas é só um cadito, quase não se nota. :P) Para além disto, levamos para casa o terceiro lugar em equipa feminina e açambarcamos o pódio todo em Juniores femininos. Uma manhã do caraças!

Não posso, nem quero, deixar de agradecer a quem me meteu nisto. Não sei bem quem me inscreveu (sim, já estava inscrita quando me inscrevi efetivamente), mas aposto as fichas todas numa menina cujo nome começa com C, termina em A e tem as letras L, A,U,D e I lá pelo meio. Uma grande beijoca e muito, muito obrigada por teres feito aquilo que eu não faria.

Obrigada à família, com quem pude contar para depositar o puto enquanto ia correr, ao marido que preparou um almoço divinal (e que cumpria os requisitos dos 30 dias sem porcarias), aos amigos que mandaram mensagens de apoio, à Cunhada por me estar sempre a azucrinar a cabeça e pelas mensagens altamente motivadoras.

Por último, mas não em último, um grande obrigada a toda a família fit que acolheu esta preguiçosa. Que todos os dias motiva, acompanha, desafia e supera. Dos monitores, aos compinchas, passando pela incrível claque - foi muito, muito, bom aquele apoio final, quando já só pensava em sopas e descanso e a meta ainda me parecia tãoooooo longe, apesar de já estar mesmo ali, a uns míseros passos.

Passar a meta é uma sensação absolutamente fantástica. Começamos com ela em mente, paira no espírito a cada subida, dá ânimo a cada metro que dela nos aproximamos. Aquela sensação de chegar ao fim por si só, não olhar para o relógio, esquecer a dor nas pernas, a fadiga e ficar só ali a desfrutar dos curtos segundos em que dura aquela alegria em estado puro... Se não é das melhores coisinhas desta vida, anda muito lá perto. Sentir que pertencemos a um lugar, a uma equipa - mesmo sendo por nós e para nós que corremos - saber que temos alguém à espera, alguém que passa por nós e diz "vamos lá", saber que há quem corra connosco, mesmo que não vá ao nosso lado. Isso dá energia extra. É o impulso para mais uns metros, para o bocadinho que falta. "Não vais sozinha", garantiram-me a meio da minha indecisão inicial, no começo dos começos. E não fui. Nenhum de nós foi. Porque quando pertencemos efetivamente a um lugar, nunca estamos sozinhos. O melhor de tudo é o que os olhos não vêem, farto-me de dizer isto. A união é uma dessas coisas. Isso foi notório hoje, mais uma vez. Além da minha vaidade pessoal, tenho um imenso orgulho de todos aqueles com quem partilhei a camisola -  mesmo quem não pôde partilhar o alcatrão, hoje.

Agora, venha a próxima, que as minhas sapatilhas ainda têm muito sola nova!

 

 

 

 

Só eu... #11

Esta coisa das corridas bateu-me forte, como diz senhora minha Cunhada, e a verdade é que começo mesmo a gostar de mexer a pernoca. Há já dois fins de semana que queria dar a volta ao quarteirão, lá na terrinha, mas não consegui. Cismei, porque cismei, que seria este domingo. Toca a adiantar tudo, que os sogros vinham almoçar lá a casa, de modo a ficar livre meia hora antes do almoço. 

Saquei uma aplicação XPTO, que tinha uma boa classificação e vários comentários positivos, ativei a minha conta e vamos embora que se faz tarde. 

Ainda antes de começar, a aplicação informa, do alto da sua sabedoria tecnológica, que para optimizar o treino era aconselhado ativar o GPS. Mandei-a dar uma volta, que sabia perfeitamente o trajeto que iria fazer, coisa pouca, não me apetecia gastar tráfego e eu é que mandava. Mas ativei a voz da coisa, porque um incentivo vai sempre bem. 

A meio da corridinha - não é digno sequer chamar corrida àqueles 2.5km - pensei "este gajo desta aplicação deve ser mudo. Já estou quase a meio e ele não diz a quantas ando. Quando chegar a casa, vou reclamar disto."

Volvidos quase 17 minutos, chego a casa, feliz da vida, paro a aplicação que me pergunta imediatamente se pretendo partilhar a coisa no meu facebook. E eu, claro que sim, olha agora a esfalfar-me a subir a minha rua toda e não ia partilhar isso com o mundo. 

Só que... Vinte minutos depois, diz o homem:

- Ó mulher, tu estás muita forte! 0.00 km em 17 minutos?! Uau!

Gelei. 

Fui verificar e era verdade, a porcaria da aplicação não contou os metros percorridos. 

- Olha lá, tu ativaste o GPS? - pergunta o homem.

- Eu não! Para que queria isso? Eu sabia perfeitamente o caminho! Não me ia perder cá na terra! 

Revirar de olhos e estalada mental de azelhice. 

 A culpa é da aplicação, claro, que não explicou devidamente em que consistia a "optimização do treino". 

 

E então Caracol, essa hora de almoço?

Oh, muito obrigada por perguntarem, correu lindamente.

Fui ao supermercado comprar chocolate para fazer uma sobremesa, que logo tenho convidados em casa e não lhes vou oferecer fruta cozida. Já com o chocolate na mão, pensei em ovos, mas lembrei-me que ainda tinha meia dúzia em casa, chegavam perfeitamente.

Chegada a casa, vá de colocar a maquineta (leia-se bimby) a trabalhar na mousse de chocolate, enquanto ia buscar uma máquina de roupa, colocar outra a lavar, apanhar o cócó dos cães (ah pois, não é só tê-los), verificar taças de água, ração e subir para a cozinha que a bimby já dera sinais de ter terminado a tarefa.

Ora, o que não contava, era com uma máquina tão inteligente e XPTO a mandatr-me bater as claras em segundo lugar. E porquê? Porque lavei o copo às três pancadas, deixando algures algum resquicio de chocolate (não me apanhas outra vez nessa, minha sacana) e a merda porcaria das claras não subiram. Lembram-se dos ovos? É nesta altura que me amaldoçoo por me dar ouvidos e não ter comprado mais uma embalagem.

Preparo-me para sair e ir num ápice ao supermercado mais próximo comprar os ovos, quando reparo que a vizinha está em casa. Sem um pingo de vergonha lá fui questionar se por acaso não me dispensava três. Graças a todos os santinhos, e mais alguns, arranjou-me os ovos. Consegui terminar a mousse, que ficou mais ou manos apresentável e muito comestível - tirei a prova dos nove com as minhas ultra qualificadas papilas gustativas.

Se terminei por aqui? Não senhor, ainda estendi a roupa e fiz uma cama de lavado. À outra só puxei as orelhas, não tive tempo para mais.

Ah, e almocei, claro.