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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Factos sobre as férias

Fiz mais praia agora, do que antes de ser mãe. Dizem que lhe faz bem, que é saudável, mas para mim chega vê-lo feliz a fugir das ondas e encher-se de areia.

Não é possível ler na praia, tampouco estar sossegada, o único tempo que sentei o rabinho na toalha foi à hora do lanche. Quando havia toalha, claro. Já que na maior parte do tempo, não passava de uma rodilha na areia.

As sestas sabiam-me pela vida. Foram vários os dias em que também eu passei pelas brasas e houve um dia em que fiquei só sentada, a ouvir o silêncio. Nesse dia, perguntei-me como seriam casas com mais de um miúdo.

Retomei as leituras, hábito perdido desde que as horas de almoço foram ocupadas com exercício físico. "O Quarto de Jack" foi o primeiro, uma boa aposta que me foi sugerida pela Magda, o guru dos livros, reforçada pela Alexandra e que me devolveu um prazer não esquecido, mas há muito anulado. Demorei três dias e já nem eu sabia que era capaz de ler tão rápido. Seguir-se-á o "Filho de Mil Homens", recomendado também por aquelas duas almas. Aceito mais sugestões.

Nem só de pão vive o homem, diz-nos a bíblia, e eu acrescento: nem só de praia se fazem as férias. Parques, parquezinhos, zoológicos, quintinhas pedagógicas, bibliotecas... Imensas coisas se podem fazer com miúdos - novinhos, não tenham medo, eles não mordem - que não incluem areia a saltar-vos em cima.

Por falar em areia, tenho imensa. Alguém sabe se aquilo dá para vender? Pensei em utilizar nas obras, mas já me disseram que não que tem de ser purificada e o caraças. Só a que tenho no carro (sim, tenho, ainda não aspirei) daria seguramente para uma arear uma divisão. Ou duas. Não juntei a das toalhas/brinquedos/mochila toda num bidão, mas aposto que daria outro tanto.

Não pus os pés no ginásio. Tampouco fiz qualquer exercício que não fosse: a) correr atrás do puto, b) ser pior do que o puto, o que implica o ponto a) novamente, c) passear, d) exercício de alongamentos aos globos oculares e de repouso ao cerebelo, leia-se dormir. Tudo o resto foi para as urtigas.

Não comi nem uma bola de berlim, na praia. Em compensação, comi mais gelados que no ano passado todo. Nada de grave.

Não estou morena. O que é estranho, porque fiz mais praia do que em qualquer outra altura, mas aceitável porque apenas o fiz duas/três horas por dia, de manhã, sempre que o tempo permitiu. Tenho uma ligeira corzinha, mas muitoooo ligeira, só os mais atentos darão conta.

Ainda agora regressei e já tenho saudades disto. E por aí? Já foram, ainda vão ou não querem ir? Contem tudo!

Mário report

Aos dois anos, o Mário é capaz de começar o dia a esfrangalhar os nervos de senhora sua mãe. Ou porque quer bolachas, ou porque não quer bolachas (ou porque quer as bolachas "que não pode"), ou porque quer a colher amarela, que afinal não é a azul ou só porque sim. 

Birras, birras, birras.... Pequeno Marocas é pró nelas. E tem jeito para a coisa o rapaz, não o posso negar. É dramático, impostor, persuasivo e chantagista. Tem tudo para singrar no mundo da manipulação. Problema: senhora sua mãe, que teima em fingir que não vê a dor do menino porque não quer comer a sopinha de espinafres ou as suas lágrimas de crocodilo porque também descobriu que lavar o cabelo não é fixe. Sou assim, uma insensível à dor humana e uma mãe do pior. A minha sorte é que ele ainda não se explica muito bem, senão já teria a CPCJ à perna. 

Mas bom, nem tudo é mau e as birras - apesar de constantes e diárias - não são o Mário. 

Aos dois anos, o Mário é bastante ágil na locomoção: corre, trepa, desce, sobe, cai, levanta, mas é um bocado preguiçoso a falar, atropelando-se entre popós, mamas e papás com uns monossílabos indecifráveis pelo caminho. 

Adora cantar e dançar, sendo o seu último single o "ia-ia-ôooooo", que é basicamente a única parte da música que consegue cantar. 

Sabe os sons de diversos animais da quinta e continua a adorar de coração a cabra e os gansos do meu senhorio. 

Tem uma adoração pelos cães, sobretudo desde que descobriu que eles gostam da sua sopa, mas não gosta que lhe retribuam o carinho em forma de lambidela. 

É queixinhas, não se pode tocar no menino, ainda que sem querer que vai a correr, "chorando" e apontando para o ferimento que lhe foi feito. É uma criança muito sensível. 

Gosta de outros bebés, sobretudo mais pequenos, de lhes fazer miminhos e de lhes limpar o nariz. 

Dá abraços e beijinhos espontâneos, caso esteja para aí virado, mas nunca diz "olá" ou "xau" quando lhe peço. Às vezes, deita a língua de fora a desconhecidos, na rua, o que me faz sentir que estou a fazer um péssimo trabalho no que toca à educação. 

Adora os brinquedos espalhados, não para lhes dar uso, mas pelo simples facto de gostar de esvaziar caixas. Já voltar a colocar tudo, é o cabo dos trabalhos. 

Continua a preferir os tupperwares aos blocos de construção e música "para adultos" é coisa que já não me lembro de ouvir em casa. Em compensação, estou pró na Galinha Pintadinha (sim, na brasuca) e sou capaz de fazer medlays dos Caricas. 

Odeia vestir-se e, do alto dos seus dois anos, crê ser possível ser-se feliz só com pijamas e meias fofas. Ainda não consegui explicar-lhe que a vida nem sempre é justa, mas a seu tempo lá chegaremos. 

Adora ralhar, mandar vir e dizer "ai!" de forma melindrada, que o faz parecer o mini humano mais fofo de sempre. 

É gozão, provocador e tem o sorriso mais safadola que já vi. Mas também é capaz de espalhar charme de forma irrepreensível, sobretudo com desconhecidas (os) e se houver batatas fritas na mesa. 

Não é perfeito, não me faz sentir perfeita, dá-me cabo do sistema nervoso central e das paredes lá de casa, mas é mais do que alguma vez poderia pedir. 

 

 

Querem lá ver que estou a criar um pequeno monstrinho?

Ontem, ao jantar, depois da sopa - que tentou arrumar com um "tá tá" - quando lhe apresentei o prato principal:

 - Oláaaaaaaa!

Isto de forma entusiástica, batendo palminhas.

Hoje, depois do pequeno almoço, quando lhe dei uma bolacha:

 - Oláaaaaaaaaa!

Disse-o enquanto lhe fazia umas festinhas, antes de lhe dar uma valente dentada.

Serei só eu que acho isto um bocadinho sinistro?

Conselho útil à sobrevivência parental

Pessoas, mães, pais, tios, avós, escutem o precioso conselho que vos dou de boa vontade e sem pedir nada em troca:

 

Nunca, mas nunca, ensinem aos putos cenas possiveis de adaptar a outras situações, possiveis de causar embaraço ou que vos limitem a correção.

 

Dou-vos um exemplo:

Não ensinem os miúdos, no banho, a enfiar a água que cai do chuveiro na boca, para depois fazer um chafariz com ela - leia-se cuspir de volta. E porquê? Porque é altamente provável

que os putos o façam noutras circunstâncias, com público e com matéria diferente da original.

A mãe tem sempre razão

Imbuída pelo espirito de férias e verão que reina cá por cá casa, convenci o homem a comprar uma piscina para o miúdo. Uma daquelas baratas, que se amarfanham todas num canto para não ocupar espaço quando não estão a ser usadas, coisa pequena, que estorve pouco, só para o puto ter um pequeno lago para chafurdar.

O homem acede, eu dou pulinhos de alegria e vamos ambos, os três, à lojinha dos senhores que vendem tudo mais próxima para a aquisição da coisa.

 

Isto tinha tudo para correr bem, não fosse nenhum de nós ter olhado devidamente para a área que diz "dimensões" e trazermos um lava-pés, em vez de uma piscina pequena.

Para terem noção do tamanho: o puto pegava nela - vazia, obvio - com a maior das facilitades e enviava-a na cabeça, tipo chapéu de carnaval.

- Estou mesmo a ver ele a virar aquele merda com água pela cabeça abaixo. - comento com o homem.

- Acho que aguenta até quinta feira. Apostamos?

Enquanto uma pessoa saca os trocos do bolso para celebrar a aposta, que não, claramente não ia durar tanto tempo, o puto, enfiado dentro do lava pés, mostrando com quantos paus se faz uma canoa e como a sua mãe tem sempre razão, decide morder a borda da piscina, libertando-a do ar que a mantinha firme (?).

É por isto que o ditado "a mãe tem sempre razão", está certinho.

Mário report

E eis que o Caracolinho chega aos 18 meses. Aquela idade espetacular, altamente desgastante, com descobertas constantes a um ritmo alucinante. O puto parece uma esponja, num dia faz uma coisa, no dia seguinte já lhe junta outra habilidade, depois outra e mais outra... Só lhe falta mesmo falar, ainda só diz mamã, papá, cão e olá. Se não me enganar, será uma gralha de tanto palrar que se ouve. Não faço ideia a quem sairá...

 

Assim, aos 18 meses, Caracolinho adora:

 

- Dizer olá;

- Falar ao telemóvel;

- Ouvir música;

- Correr;

- Brincar com os cães;

- Lavar os dentes (ou deverei dizer comer a pasta?);

- Trepar coisas que não lembram ao diabo;

- Subir e descer degraus com ajuda;

- Sentar-se sozinho;

- Jogar à bola;

- Andar de triciclo (ou deverei dizer ser empurrado no triciclo?)

- Desarrumar os brinquedos acabadinhos de organizar (não por ele, lógico);

- Bolachas, de aveia preferencialmente;

- Explorar com eximia atenção e pormenor objetos que não lembrariam ninguém (o último foi a piaçaba);

- Ralhar, com ninguém em especial, só mesmo porque sim, porque lhe apetece;

- Dançar e bater palminhas ao som do último hit do Panda.

 

Também já capaz de identificar pessoas com o olhar (onde está a mamã?), de dizer que não, de reconhecer um pedido (dá-me os Tupperwares, dá-me um bocadinho da tua bolacha) embora nem sempre o conceda, reconhece palavras várias,  aumentou exponencialmente o volume e drama das birras (a Prima Vera acha o máximo e garante que o rapaz tem pinta nas birras) e descobriu que girar sobre si próprio durante a teimosia é muito mais original do que o bater de pés e mãos, já mais visto. Aliás, se há área onde o puto tem mestria é nas birras, tenho que lhe tirar o chapéu. A coisa começa com uns guinchinhos, um "ai que me passo já aqui" em crescendo, um choro sem lágrimas, um sentimento muito profundo, umas voltinhas sobre ele próprio, por vezes a bater o pé ao mesmo tempo, e um amarrar de chibinho do mais profissional que já vi. E não pensem que o enganam: não lhe dão o que ele quer e fica ali no chão, sentado, amuado, sentido, barafustando sozinho até encontrar outra coisa para fazer. 

Há dias em me tira do sério, que me apetece coloca-lo a dormir mal entro em casa, mas depois... Depois sorri, mostrando os seus dentinhos pequeninos, faz aquele ar de mafarrico e safadola, dá abraços e beijinhos babosos e eu não tenho outra escolha a não ser esquecer tudo o resto.