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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

5 tipos de pessoas no ginásio

 

 

Já ando nesta vida há algum tempo, o que me permitiu observar e "categorizar" estes cinco tipo de pessoas. 

Vejam lá se identificam com alguma: 

 

 

1. O valente

 

O valente está sempre pronto para o exercício. Não lhe importa se é absolutamente insano, se é humanamente impossível, se vai morrer a seguir. “é para aumentar a carga? Vamos a isso!” “é para repetir mais 359x mesmo quando tenho os pulmões a explodir?! Continuemos, pois então!” #nopainnogain é a hastag favorita, seguida de #noexcuses.

 

2. O Mariquinhas

 

Tal como o valente, o mariquinhas também aceita tudo o que lhe apresentam. Com a diferença que passa a vida a queixar-se. Ora porque dói, ora porque não consegue, ora porque não dá. Se é para fazer 50 burpees, o mariquinhas passa 10 a fazer birra mental, 10 a dizer que não consegue, 10 a dizer que já não pode, 10 a amaldiçoar toda a gente na sala (inclusive ele próprio) e 10 a chamar pelo cangalheiro e o padre da freguesia para extrema unção. #prayforme e #chamemaservilusa são as hastags que utiliza para partilhar o seu sofrimento.

 

3. O Caça-Cantos

 

O Caça-Cantos é a pessoa que ocupa os cantinhos. Se por um acaso já estiverem ocupados, este tipo de pessoa vai empurrando o intruso para a frente até que o cantinho seja só seu. E não importa se a sala é redonda, em extrema necessidade o Caça-Cantos transforma-se n’O Mais Atrás Possível, mesmo que bata contra a parede a meio de um salto. O que lhe importa é que passe despercebido e ninguém repare que está na sala. #euestivelá é frequentemente utilizada, até porque ninguém verdadeiramente se lembra dele - a não ser que tenha tido o azar de ser o empurrado.

 

4. Os mestres de obras

 

Estas são talvez das figuras mais caricatas. Os mestres de obras, treinam sempre, ou quase sempre, em grupinho de duas ou três pessoas e são extremamente organizados entre si: um faz o exercício, o outro conta o número de repetições e o terceiro faz o relato num directo de facebook, sempre acompanhado de #brothersfit (ou#sistersfit) e #fitaddict.

 

5. O Zen

 

Também vulgarmente conhecido como “o-que-não-está-para-se-matar”, este tipo de pessoa faz tudo o que lhe é proposto, mas com caaaaaallllllllmaaaaaaa. Devagar, com suavidade, que até gosta daquilo, mas não está para se cansar. Para quê pegar em 10kg, se 7 já o fazem transpirar? Não há necessidade. #peaceloveandexerciceqb é a hastag que vulgarmente utiliza para as suas partilhas desportivas.

 

Sou claramente uma mistura de 80% mariquinhas, 15% caça cantos e 5% zen. Uma mistura demasido explosiva para uma pessoa só. :D 

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Sou fit! E agora? #6

Há um ano que ando nesta vida. 

Há um ano, troquei o assento do meu carro pela passadeira e os livros pelos halteres, numa tentativa de melhor rentabilizar a minha hora de almoço.

 

Não mudei muito, neste último ano: continuo a preferir uma sala semi vazia; em aulas de grupo continuo a preferir os cantinhos; ainda me atrapalho em alguns exercícios; ainda é um bico de obra utilizar algumas gerigonças; ainda me chicoteio mentalmente por me ter metido nisto; ainda sou muitoooooo mariquinhas. 

 

No entanto, também sei que estou diferente: não sou tão envergonhada - tanto que faço dos calções a minha indumentária diária para o exercício (não gozem, tá?); não sou tão tímida (hmmmm ou talvez não :P); estou mais ágil, mais desenrascada e mais com a mente mais leve. Sou ainda mais idiota, tenho mais ideias (grande parte do que aqui escrevo, surge na mente enquanto canso o corpo), enquadro-me mais em aulas de grupo (o que prova que a gerência tinha razão, desde o inicio), mas também gosto de ser eu a definir o que vou fazer, de aplicar (ou tentar, vá) algum conhecimento adquirido, o que, invariavelmente, resulta em fazer menos. Mas pronto, não se pode ter tudo. 

 

Em retrospectiva, olhando para o ano que passou, posso afirmar que, garantidamente, fui mais activa nestes 365 dias do que nos 27 anos anteriores. Ora vejamos: duas provas de 10km - uma com subidas do demo e outra com um calor dos infernos - corridinhas várias, em grupo, geralmente, ou sozinha, menos vezes. As idas ao ginásio somam-se entre 4 a 5 vezes, o que dá o bonito número de 225 minutos, 3 horas e 45 minutos, em movimento, por semana.

 

Xina pá, agora até eu deixei cair o queixo. Nunca tinha feito estas contas. 

 

Claro que o facto de usar a hora de almoço para isto, dá-me menos desculpas para baldas, porque estou mesmo ali, ao lado, se não tiver tanto tempo disponível, faço menos e a escolha acaba por ser simples. Tenho a certeza que, num outro horário a coisa se traduziria em menos tempo. 

 

Se voltava ao que era antes?

Honestamente, não me lembro como era antes. Passava a hora de almoço sentada a ler, no carro. Não havia mais nada. Sinto alguma falta das histórias, da riqueza que a leitura traz, (leio muito menos, agora), mas não troco a sensação de bem estar que a actividade física me trouxe. 

Não pensem, contudo, que foi uma mudança fácil. Não é fácil deixar de ser preguiçoso. É muito mais fácil ceder à moleza, ao não me apetece, hoje não quero. Como em tudo, é um hábito, uma rotina, estipular uma meta e cumprir. Comecei com objectivo de pôr lá os pés, no mínimo, 2 vezes por semana. Depois três. Até lhe apanhar o gosto - e o jeito, diga-se - e conseguir priorizar isto à preguiça. 

As pessoas foram - e são - parte importante deste processo. A energia, simpatia e, mais importante, a empatia, que se vive e se vê ali dentro, faz com que seja fácil lá voltar. Quase como um regressar a casa - mas sem sofá. :P 

Há um ano que mudei. Deixei o sedentarismo, a preguiça e consegui contornar a "falta de tempo". Há um ano que ganhei mais qualidade de vida, mais energia e mais riqueza pessoal. Há um ano que gasto quase tanto voltaren como pasta dos dentes - exagero, gasto claramente mais voltaren. Há um ano que inseri uma rotina da qual já não abro mão.  

Ah, e obrigada Cunhada! Se não me massacrasses tanto a cabeça, hoje não haveria este texto. ;) 

 

 

 

Sou fit! E agora? #5

Não quero saber. Sinto-me bem, noto diferença na roupa, na agilidade, nas tarefas do dia a dia... Tudo o resto não me interessa.

 

Foi o que sempre apregoei aos sete ventos.

E é verdade, atenção. Só deixa de o ser a partir do momento em que pedimos uma reavaliação física, vá deus nosso senhor saber porquê.

Se eu fosse esperta, tinha esquecido esse assunto nas férias - mesmo que duas alminhas fizessem questão de me recordar diariamente. Sim, estou a falar de vocês. 

E depois... Bem, depois a curiosidade é uma das minhas características. Como estarei? Será que diminui a massa gorda? Hmm, duvido. A julgar pelas porcarias que enfardo... E a muscular? Tenho isdo muitas vezes ao ginásio... Será que se nota?

Eu já suspeitava que não ia estar lá grande coisa... Mas suspeitar é uma coisa, confirmar é outra. Depois de duas semanas sem fazer nenhum, subi ontem à balança (era quem me desse dois pares de estalos por ter esta rica ideia), os resultados são estes: 57.200kg (menos 600gr); massa muscular: 33% (menos 3%); massa gorda: 25% (quase 1% a mais). Os dados anteriores datam de outubro passado (podem reler aqui).

Se me arrependo de não ter exercitado nas férias? Nem por um segundo. O tempo passa a voar, a qualidade de tempo que temos nem sempre é a melhor e as férias são exactamente para compensar isso. Para viver mais devagar, sem pressa. 

Arrependo-me sim, de não ter mais juízo nesta cabeça esgroviada e não ter fechado mais a boca. E não me venham dizer que isto é das férias. Não era sem duas semanas que fica PIOR do que em outubro. Se, naquela altura, ia duas vezes por semana ao ginásio, como raio é que ao ir quatro a cinco vezes por semana a balança me apresenta estes resultados?

Escusam de responder, eu sei a resposta.

O melhor de tudo é o que os olhos não vêem. 

Digo isto n vezes. É verdade. Até porque quando vês só te apetece cortar os pulsos. 

Quando volto a subir à balança? NUNCA MAIS: 

Ou pelo menos, não tão cedo. Lá para 2020, parece-me bem. 

Agora vou ali acabar com caixa de lenços de papel, enquanto enfardo umas cenouras cruas. 

 

 

Sou fit! E agora? #4

Serão os burpees? Os saltos? O trampolim? Os halteres? Qual a pior parte nesta coisa de ser fit? Será a ressaca do dia seguinte? A moleza do próprio dia? 

Não. Nada disso. 

A pior parte nesta coisa de ser praticante de desporto é...

Estão preparados? 

Não sei se aguentam. Sentem lá um bocadinho e respirem fundo. 

Melhores? Cá vai: 

A "obrigação" de ter a depilação sempre em dia. 

E não façam essa cara, alguém tinha que falar sobre isto.

Para começo de conversa: quem foi a gaja que um dia decidiu que era giro andarmos todas sem pêlos, hã? Não devia ter mais nada que fazer, a menina, naquele tempo não havia eurovisão para entreter a malta e vá de sacar a gillete ao marido para rapar as pernas. Contou à vizinha, que achou a ideia genial, mas deu-lhe um toque pessoal e duradouro arrancando o mal pela raiz com uma mistela mal cheirosa, que mais tarde se viria a chamar cera quente. Contou à cunhada que tendo um marido engenhocas, rapidamente lhe inventou uns rolamentos com pinças incorporadas capazes de arrancar o mais bravo dos pêlos. 

E isto são factos científicos, não estou aqui a inventar nada. Só é pena que para as duas últimas opções, ninguém se tenha lembrado de adicionar uma anestesia geral, porque aquilo dói como o caraças.

Mas bom, foquemos no essencial: porque é que isto é chato para quem pratica desporto? Eh pá, porque é mais uma freima. Temos o saco, ora deixa ver se está tudo: toalhas, sapatilhas, roupa interior, t shirt, calções.... Ah, chatice, não tenho a depilação feita, vou ter que levar calças. Mas calças? Com este calor? Lá terá de ser, já é tarde e hoje não há tempo para estéticas. (leia-se: não me apetece. Ah, e atire a primeira pedra quem nunca se viu neste drama) Enfiam-se as leggins no saco, pensando que se calhar até nem era mal pensado levar corsários e cortar a penugem naquele bocadinho de pele que fica à vista, entre o tornozelo e metade da canela. Suspiramos pela idiotice de pensamento e penamos no dia seguinte com um calor desgraçado. 

Mas o problema não se fica por aqui! Não! 

O problema é quando o nosso livra-pêlos mais rápido (leia-se lâmina) se alia a um astigmatismo e uma fraca ou inexistente destreza manual. 

Das duas uma: ou conseguimos um efeito zebrado, de alto gabarito artístico que só as pessoas que não vêem bem conseguem fazer, ou terminamos com um aspecto de quem passou por um túnel de arame farpado, em calções, que é sempre uma cena gira para fazer ao fim de semana.

Não nos bastava a cor de cal que nos calhou em rifa, o sol que teima em não nos estrugir as pernas e os hematomas que não fazemos puto de ideia como aparecem, ainda temos que levar com os sacanas dos pêlos, mais a sua constante erradicação! 

É que não há pachorra! 

 

 

 

 

Sou fit! E agora?! #3

Tenho um noticia terrível para vos contar. 

Estão sentados? Preparados? Vou dizer de uma vez para vos doer menos: 

Já não vou à meia maratona, em junho. 

Aguentaram-se bem? Sobreviveram ao choque?

Passo a explicar: íamos em grupo, no ginásio, havia poucos inscritos e previa-se um calor de ananases. Vai daí, a gerência achou (e muito bem!) que seria muito mais fixolas um pirquenique (com rissóis), em formato familiar (podemos levar a canalha atrás e rissóis), com alguma atividade física (para enfardar os rissóis com mais afinco). 

Não é um ginásio espectacular? Eu sabia que estava no sítio certo. 

Bom, voltando à meia: claro que podia ir sozinha, mas não me apetece deixa-los a enfardar rissóis sozinhos, alguém tem de controlar aquela malta, o argumento o calor faz todo sentido, ainda para mais começando a prova às 10:30 da manhã. O problema... O problema é que já estava mentalizada para o desafio, já tinha ultrapassado a fase da indecisão (10km ou 21?) que durou uma semana - sim, sou pessoa que gosta amadurecer bem as ideias. 

Como eu dizia, já estava mentalizada e fiquei até ligeiramente decepcionada quando me falaram da possível mudança de planos. Até me lembrar dos rissóis, claro, depois passou-me logo a decepção. 

- E agora? - perguntou-me a minha colega em tom de brincadeira - Qual vai ser o sentido da tua vida? 

Pois... 

Agora ficou aqui o bichinho, a curiosidade, a aventura e a dúvida: será que consigo?

Portanto, não há meia em junho, mas estou mesmo decidida a tentar esta: 

Pronto, o boneco parece que vai de lambreta e não a correr, mas tirando isso o percurso parece-me ser bonzinho. Planinho e tal. E é mais cedo. Uma boa parte do trajeto estará à sombra durante algum tempo... A proximidade do rio e do mar ameniza a temperatura. É só em setembro. E é mesmo, mesmo na data em que terminam as minhas festas - o meu verão é um bocado louco entre festinhas, festarolas, piqueniques e aniversários. Começa em maio e só acaba em setembro. 

De modos que é isto:não ganhei juízo e penso (quero!) mesmo meter-me nesta alhada. 

Estão comigo? 

 

 

Fui correr com a Cunhada

E, meus amigos, tenho montes de parvoeira para vos contar.

Verdade que fui eu que a arrastei para esta loucura, falo de forma entusiástica sobre corridas o que a levou a achar que se calhar era divertido falecer. Afinal, diz que não é tão divertido como apregoo e que não quer repetir a façanha.

Cá entre nós que ela não nos lê: ela gostou, está-se é armar e a fazer de difícil.

Mas bom, continuemos, os primeiros dois quilómetros, senti que me tinha enganado e tinha ido parar a uma sala da obstetrícia. Ninguém respira assim, a não ser que tenha oito centímetros de dilatação e esteja a suplicar pela epidural. Qualquer coisa como isto:

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Incluindo este ar de "ai meu deus, nosso senhor, por favor ajudai-me nesta hora difícil!"

Mais adiante, estávamos a meio do trajeto, oiço a criatura suplicar: "Leva o meu dorsal.... Já não posso mais..." 

 

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Qualquer coisa como isto, mas sem o Daryl (infelizmente). Fiquei na dúvida se lhe dava dois estaladões - dos reais - se a insultava - que acabou por acontecer - ou se a mandava internar. Acabei a puxa-la por um braço, calando-a com "anda lá caralho!".

A dada altura, julgando eu que a cachopa tinha finalmente apanhado o ritmo, dou conta que não vem atrás de mim. Olho para trás, procurando o seu cadáver e dou com o seu esqueleto encostado a um muro, sapatilha no chão, meia numa mão, pé ao léu e ar de sofrimento.

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- Mas o que é que foi agora? - atiro, naquilo que entrelinha dizia "qué essa merda, pá?! Tás parva?!".

- Oh pá, doía-me o pé... Estava a ficar com bolhas e tinha que ver o estado da coisa.

A minha expressão deve ter sido mais ou menos esta: 

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Que, basicamente, acabou por ser a minha cara durante os 10 penosos quilómetros. Acabamos por conseguir um tempo razoável, com tanta peripécia, chegando à meta 1:08 após a partida.

Já no carro, pergunto-lhe se está bem e não quer pensar repetir. Respondeu assim:

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Acho que não corre mais comigo...