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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Quando uma mariquinhas pensa que é valente

Sou mariquinhas.

Ponto.

Não há volta, passo a vida a queixar-me que dói, que não quero mais, que não preciso de mais carga, que não quero e blá, blá, blá whyskas saquetas. Só que de vez em quando o meu tico e teco entram em curto circuito, pára-me o relógio e dá-me para as loucuras.

Ora, ontem, atrasada como sempre, vá de montar rapidamente a barrita (aula de power/bodypump) com a carga que a minha mariquice julgou correta. Ao pegar na barra detectei imediatamente duas coisas:

1) Parecia demasiado leve (era quem me batesse...)

2) Estava demasiado à frente na sala e demasiado próximo de quem vê TUDO. 

Num momento absolutamente insano, caiu em mim uma espécie de consciência fit levada a extremo e pensei: "é melhor pôr mais uma rodela, antes que me perguntem que peso é este", coisa que fiz no mesmo minuto, com o aval de quem comanda. 

Não percebi, confesso, porque metade da turma se riu naquele instante. Aquela era, na minha cabeça, a carga habitual para aquele exercício (bíceps) e que nós, como bons alunos que somos, contrariamos sempre colocando menos peso - aquele que tinha inicialmente. Só que... Ao focar bem (o meu astigmatismo é lixado) a barra das colegas, percebo que têm o peso que inicialmente coloquei (10kg). Todas. Professora incluída. Morri. A meio da segunda ronda, percebi os comentários, claro, e a barra começou a assemelhar-se a um fio de esparguete cozinhado demais, num zig zag mal amanhado e mal seguro nas minhas mãos. 

Aguentei maizómenos bem até ao fim (yei! Palminhas para mim!), embora me apetecesse retirar o meu extra bacon daquela equação. Não obtive ordem para, portanto lá fiz a terceira ronda a rezar mais pais nossos que todo o seminário junto. 

Se custou? Eh pá, um chiquito. Mas, muito sinceramente, não tanto quanto pensei ao dar conta do "erro". Prova que parte do esforço foi mais mental (algo do género "como é que lembraste de pôr mais peso?! O que é que te deu?! Tás louca?!") do que propriamente físico. Isto claro, dito agora, porque nos segundos que durou a porra da terceira ronda, desejei chicotear-me por não reparado primeiro qual era o peso que estavam a utilizar. 

 

Moral da história: quando a carga vos parecer demasiado leve, continuem que isso passa. 

Sou fit! E agora? #8

Já vos falei do meu top 5 de exercícios favoritos (podem reler aqui), mas esta vida não se faz só de coisas giras e divertidas.Já estava na altura de vos falar deles, dos piores exercícios algumas vez inventados. Extraídos directamente dos confins dos infernos para me infernizar a vida, chego a ter pesadelos com eles e não raras vezes me apetece desistir a meio. São tão maus, tão maus, que nem consigo escrever o nome sem hiperventilar. Vamos lá devagarinho a ver de dói menos: P-E-I-T-O-R-A-I-S. 

Odeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiioooooooooooooooooooooooooooo! 

E enganam os sacaninhas. Uma pessoa ouve "P-E-I-T-O-R-A-L" e acha que vai ficar com umas marufinhas mais catitas, uns dois ou três números abaixo da Pamela Anderson, ou até quem sabe aumentar apenas ao tamanho de copa, mas nicles, tudo igualito e pequenito. E olhem que já os faço há um mês, hã? Não noto absolutamente nada e acredito que seria bem mais feliz sem eles. Mas  pronto, diz que é preciso e tal, que devemos trabalhar todos os grupos musculares e bla bla bla whyskas saquetas. E eu até acredito nisso, a sério que sim, mas temos mesmo que usar uma barra com peso? Ou halteres? O TRX ainda vá que não vá, mas o resto... Não há santo que nos valha. 

E o tempo que aquilo dura? Dois minutos parecem trezentos séculos! O patife do ponteiro do relógio não mexe, a parvalhona da gravidade teima em fazer-se sentir, enfim é tudo a ajudar a descer e nada acode a levantar. São os dois minutos mais longos da minha vida e para cúmulo multiplicam-se por três, já que uma só ronda não era suficiente. 

Eis como passo os primeiros dois minutos:

 

00:15

Isto hoje até está a correr bem. Às tantas já lhe estou a apanhar o jeito. 

 

00:30

Vai na volta e para a semana ponho mais um disco. Dos pequenos. Se calhar ainda aguentava mais um bocadinho. 

 

00:45 

Vou morrer! Adeus mundo cruel!

 

 1:00

 

Começam os impropérios. Vou oscilando entre os "éfes" e os "cês", basicamente.

 

1:15

Desisto! É hoje que desisto!

 

1:30

Devia estar maluca quando me meti nisto! Só podia estar louca!

 

1:45

Mas a p#$@ da buzina avariou ou quê?!

 

2:00

Esta já está, mas nunca mais me meto noutra! Juro que não! E ainda faltam mais 4 minutos?! Não posso! 

 

Aguento sempre, claro, com mais ou menos ajudas dos joelhos quando os braços falham. E na ronda seguinte começa tudoooooooo de novo. 

Pelo meio dos quatros minutos seguintes, alguém se lembra de começar os slows e pergunto: para quê descer e subir em 4 tempos? É mesmo preciso dilacerar os meus bracinhos em farrapos tão pequenos? Juro que naquele momento se me perguntassem o código de activação dos misseis da Coreia do Norte, dizia-os sem hesitar (se os soubesse, como é óbvio). 

No final das rondas já não tenho braços, tenho uma espécie de elásticos moles e desengonçados com vida própria. Isto quando os sinto, claro. 

 

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Sou fit! E agora? #7

Ser fit implica gostar de exercicio. Não todos, obviamente, mas alguns, pelo menos. E não façam essa cara, é impossível no meio de uma panóplia tão grande, não haver um ou dois que vos cative o coração.

No meu caso, há uma estranha relação entre o nível de dificuldade e a paixão assolapada. Ou seja, quanto mais infernal for, mais eu gosto, mesmo que não seja capaz de o executar na totalidade ou não o faça habilmente. Sou estranha, eu sei e esta é uma relação de sado-masoquismo desigual, já que eu saio sempre a rastejar e fico sem pulmões a meio.

Decidi, portanto, que seria giro fazer um top 5 dos meus favoritos.

 

5. Lunge

 

 

Gosto de treino de pernas, no geral, mas o lunge tem um certo encanto - tirando o power lunge, que isso é uma cena altamente dolorosa a todos níveis. Tenho uma certa dificuldade em acertar no ponto de equilíbrio, mas depois disso, se não pedirem demasiado, engreno bem na coisa. pode ser com peso, no bosu, no step... Acho-lhes graça, pronto. Claro que perdem o encanto todo quando me incendeiam as coxas, mas isso já são outros quinhentos.

 

4. Cangurus

 

 

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Não é bem este, mas não encontrei imagem mais adequada.

 

 

 

 

Vá, não sejam assim, o canguru é um exercício catita. Ok, ao fim de 10 estamos prontos para a cova, quando nos pedem 50 queremos a forca, mas lá está, o problema não é o exercício em si, mas sim o número de repetições. Isso é que o torna um bocadinho mauzinho.

 

3. Corrida

 

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A corrida implica uma luta comigo mesma, uma conversa entre o cérebro, os pulmões e as pernas, onde as últimas querem sempre parar, os segundos começam a falhar e o primeiro se esforça por mandar seguir em frente. Apetece-me sempre desistir antes de atingir o objectivo estipulado e estou constantemente a impedir-me de o fazer. É por esta luta que gosto de correr - e porque sei que a sensação final, compensa tudo.

 

2. Abdominais com rolinho

 

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Confesso que fiquei indecisa neste lugar: há um impasse muito grande entre este exercício e as pranchas maradas. Os abdominais com rolinho acabam por ganhar, por uma nesga, pela minha capacidade de execução. Morro sempre nas pranchas e basta pedirem para levantar um membro que seja, que pareço uma casa de palha no meio de um Katrina. Depois, este abdominal é catito, tem o grau de dificuldade certo e podes sempre tentar ir mais um bocadinho além. É giro. Gosto dele, já disse?

 

1. Burpees

 

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Oh, vá lá, não façam essa cara, os burpees são giros. Tenho uma espécie de ralação com eles: acho-lhes graça, mas dão-me partem-me o corpo todo. Tal como acontece com os cangurus, o problema é o número de vezes que os fazemos: a partir do 5º já estou a dizer mal da vida e ao 10º já trabalho em câmara lenta. Tirando isso, o burpee é um exercício alegre, com vida. E aquele saltinho no final? Tãoooooo giro!

 

 

E por aí quais são os exercícios que mais gostam? Ou ainda não chegaram a essa fase? Estavam a contar com esta lista ou nem por isso? Contem-me tudoooooooooo!

 

Nota: Nenhuma das meninas das fotos sou eu, não tenho assim tão boa figura, muito menos a fazer exercício físico. Todas as imagens foram retiradas da internet.

 

5 tipos de pessoas no ginásio

 

 

Já ando nesta vida há algum tempo, o que me permitiu observar e "categorizar" estes cinco tipo de pessoas. 

Vejam lá se identificam com alguma: 

 

 

1. O valente

 

O valente está sempre pronto para o exercício. Não lhe importa se é absolutamente insano, se é humanamente impossível, se vai morrer a seguir. “é para aumentar a carga? Vamos a isso!” “é para repetir mais 359x mesmo quando tenho os pulmões a explodir?! Continuemos, pois então!” #nopainnogain é a hastag favorita, seguida de #noexcuses.

 

2. O Mariquinhas

 

Tal como o valente, o mariquinhas também aceita tudo o que lhe apresentam. Com a diferença que passa a vida a queixar-se. Ora porque dói, ora porque não consegue, ora porque não dá. Se é para fazer 50 burpees, o mariquinhas passa 10 a fazer birra mental, 10 a dizer que não consegue, 10 a dizer que já não pode, 10 a amaldiçoar toda a gente na sala (inclusive ele próprio) e 10 a chamar pelo cangalheiro e o padre da freguesia para extrema unção. #prayforme e #chamemaservilusa são as hastags que utiliza para partilhar o seu sofrimento.

 

3. O Caça-Cantos

 

O Caça-Cantos é a pessoa que ocupa os cantinhos. Se por um acaso já estiverem ocupados, este tipo de pessoa vai empurrando o intruso para a frente até que o cantinho seja só seu. E não importa se a sala é redonda, em extrema necessidade o Caça-Cantos transforma-se n’O Mais Atrás Possível, mesmo que bata contra a parede a meio de um salto. O que lhe importa é que passe despercebido e ninguém repare que está na sala. #euestivelá é frequentemente utilizada, até porque ninguém verdadeiramente se lembra dele - a não ser que tenha tido o azar de ser o empurrado.

 

4. Os mestres de obras

 

Estas são talvez das figuras mais caricatas. Os mestres de obras, treinam sempre, ou quase sempre, em grupinho de duas ou três pessoas e são extremamente organizados entre si: um faz o exercício, o outro conta o número de repetições e o terceiro faz o relato num directo de facebook, sempre acompanhado de #brothersfit (ou#sistersfit) e #fitaddict.

 

5. O Zen

 

Também vulgarmente conhecido como “o-que-não-está-para-se-matar”, este tipo de pessoa faz tudo o que lhe é proposto, mas com caaaaaallllllllmaaaaaaa. Devagar, com suavidade, que até gosta daquilo, mas não está para se cansar. Para quê pegar em 10kg, se 7 já o fazem transpirar? Não há necessidade. #peaceloveandexerciceqb é a hastag que vulgarmente utiliza para as suas partilhas desportivas.

 

Sou claramente uma mistura de 80% mariquinhas, 15% caça cantos e 5% zen. Uma mistura demasido explosiva para uma pessoa só. :D 

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Sou fit! E agora? #6

Há um ano que ando nesta vida. 

Há um ano, troquei o assento do meu carro pela passadeira e os livros pelos halteres, numa tentativa de melhor rentabilizar a minha hora de almoço.

 

Não mudei muito, neste último ano: continuo a preferir uma sala semi vazia; em aulas de grupo continuo a preferir os cantinhos; ainda me atrapalho em alguns exercícios; ainda é um bico de obra utilizar algumas gerigonças; ainda me chicoteio mentalmente por me ter metido nisto; ainda sou muitoooooo mariquinhas. 

 

No entanto, também sei que estou diferente: não sou tão envergonhada - tanto que faço dos calções a minha indumentária diária para o exercício (não gozem, tá?); não sou tão tímida (hmmmm ou talvez não :P); estou mais ágil, mais desenrascada e mais com a mente mais leve. Sou ainda mais idiota, tenho mais ideias (grande parte do que aqui escrevo, surge na mente enquanto canso o corpo), enquadro-me mais em aulas de grupo (o que prova que a gerência tinha razão, desde o inicio), mas também gosto de ser eu a definir o que vou fazer, de aplicar (ou tentar, vá) algum conhecimento adquirido, o que, invariavelmente, resulta em fazer menos. Mas pronto, não se pode ter tudo. 

 

Em retrospectiva, olhando para o ano que passou, posso afirmar que, garantidamente, fui mais activa nestes 365 dias do que nos 27 anos anteriores. Ora vejamos: duas provas de 10km - uma com subidas do demo e outra com um calor dos infernos - corridinhas várias, em grupo, geralmente, ou sozinha, menos vezes. As idas ao ginásio somam-se entre 4 a 5 vezes, o que dá o bonito número de 225 minutos, 3 horas e 45 minutos, em movimento, por semana.

 

Xina pá, agora até eu deixei cair o queixo. Nunca tinha feito estas contas. 

 

Claro que o facto de usar a hora de almoço para isto, dá-me menos desculpas para baldas, porque estou mesmo ali, ao lado, se não tiver tanto tempo disponível, faço menos e a escolha acaba por ser simples. Tenho a certeza que, num outro horário a coisa se traduziria em menos tempo. 

 

Se voltava ao que era antes?

Honestamente, não me lembro como era antes. Passava a hora de almoço sentada a ler, no carro. Não havia mais nada. Sinto alguma falta das histórias, da riqueza que a leitura traz, (leio muito menos, agora), mas não troco a sensação de bem estar que a actividade física me trouxe. 

Não pensem, contudo, que foi uma mudança fácil. Não é fácil deixar de ser preguiçoso. É muito mais fácil ceder à moleza, ao não me apetece, hoje não quero. Como em tudo, é um hábito, uma rotina, estipular uma meta e cumprir. Comecei com objectivo de pôr lá os pés, no mínimo, 2 vezes por semana. Depois três. Até lhe apanhar o gosto - e o jeito, diga-se - e conseguir priorizar isto à preguiça. 

As pessoas foram - e são - parte importante deste processo. A energia, simpatia e, mais importante, a empatia, que se vive e se vê ali dentro, faz com que seja fácil lá voltar. Quase como um regressar a casa - mas sem sofá. :P 

Há um ano que mudei. Deixei o sedentarismo, a preguiça e consegui contornar a "falta de tempo". Há um ano que ganhei mais qualidade de vida, mais energia e mais riqueza pessoal. Há um ano que gasto quase tanto voltaren como pasta dos dentes - exagero, gasto claramente mais voltaren. Há um ano que inseri uma rotina da qual já não abro mão.  

Ah, e obrigada Cunhada! Se não me massacrasses tanto a cabeça, hoje não haveria este texto. ;) 

 

 

 

Sou fit! E agora? #5

Não quero saber. Sinto-me bem, noto diferença na roupa, na agilidade, nas tarefas do dia a dia... Tudo o resto não me interessa.

 

Foi o que sempre apregoei aos sete ventos.

E é verdade, atenção. Só deixa de o ser a partir do momento em que pedimos uma reavaliação física, vá deus nosso senhor saber porquê.

Se eu fosse esperta, tinha esquecido esse assunto nas férias - mesmo que duas alminhas fizessem questão de me recordar diariamente. Sim, estou a falar de vocês. 

E depois... Bem, depois a curiosidade é uma das minhas características. Como estarei? Será que diminui a massa gorda? Hmm, duvido. A julgar pelas porcarias que enfardo... E a muscular? Tenho isdo muitas vezes ao ginásio... Será que se nota?

Eu já suspeitava que não ia estar lá grande coisa... Mas suspeitar é uma coisa, confirmar é outra. Depois de duas semanas sem fazer nenhum, subi ontem à balança (era quem me desse dois pares de estalos por ter esta rica ideia), os resultados são estes: 57.200kg (menos 600gr); massa muscular: 33% (menos 3%); massa gorda: 25% (quase 1% a mais). Os dados anteriores datam de outubro passado (podem reler aqui).

Se me arrependo de não ter exercitado nas férias? Nem por um segundo. O tempo passa a voar, a qualidade de tempo que temos nem sempre é a melhor e as férias são exactamente para compensar isso. Para viver mais devagar, sem pressa. 

Arrependo-me sim, de não ter mais juízo nesta cabeça esgroviada e não ter fechado mais a boca. E não me venham dizer que isto é das férias. Não era sem duas semanas que fica PIOR do que em outubro. Se, naquela altura, ia duas vezes por semana ao ginásio, como raio é que ao ir quatro a cinco vezes por semana a balança me apresenta estes resultados?

Escusam de responder, eu sei a resposta.

O melhor de tudo é o que os olhos não vêem. 

Digo isto n vezes. É verdade. Até porque quando vês só te apetece cortar os pulsos. 

Quando volto a subir à balança? NUNCA MAIS: 

Ou pelo menos, não tão cedo. Lá para 2020, parece-me bem. 

Agora vou ali acabar com caixa de lenços de papel, enquanto enfardo umas cenouras cruas. 

 

 

Sou fit! E agora? #4

Serão os burpees? Os saltos? O trampolim? Os halteres? Qual a pior parte nesta coisa de ser fit? Será a ressaca do dia seguinte? A moleza do próprio dia? 

Não. Nada disso. 

A pior parte nesta coisa de ser praticante de desporto é...

Estão preparados? 

Não sei se aguentam. Sentem lá um bocadinho e respirem fundo. 

Melhores? Cá vai: 

A "obrigação" de ter a depilação sempre em dia. 

E não façam essa cara, alguém tinha que falar sobre isto.

Para começo de conversa: quem foi a gaja que um dia decidiu que era giro andarmos todas sem pêlos, hã? Não devia ter mais nada que fazer, a menina, naquele tempo não havia eurovisão para entreter a malta e vá de sacar a gillete ao marido para rapar as pernas. Contou à vizinha, que achou a ideia genial, mas deu-lhe um toque pessoal e duradouro arrancando o mal pela raiz com uma mistela mal cheirosa, que mais tarde se viria a chamar cera quente. Contou à cunhada que tendo um marido engenhocas, rapidamente lhe inventou uns rolamentos com pinças incorporadas capazes de arrancar o mais bravo dos pêlos. 

E isto são factos científicos, não estou aqui a inventar nada. Só é pena que para as duas últimas opções, ninguém se tenha lembrado de adicionar uma anestesia geral, porque aquilo dói como o caraças.

Mas bom, foquemos no essencial: porque é que isto é chato para quem pratica desporto? Eh pá, porque é mais uma freima. Temos o saco, ora deixa ver se está tudo: toalhas, sapatilhas, roupa interior, t shirt, calções.... Ah, chatice, não tenho a depilação feita, vou ter que levar calças. Mas calças? Com este calor? Lá terá de ser, já é tarde e hoje não há tempo para estéticas. (leia-se: não me apetece. Ah, e atire a primeira pedra quem nunca se viu neste drama) Enfiam-se as leggins no saco, pensando que se calhar até nem era mal pensado levar corsários e cortar a penugem naquele bocadinho de pele que fica à vista, entre o tornozelo e metade da canela. Suspiramos pela idiotice de pensamento e penamos no dia seguinte com um calor desgraçado. 

Mas o problema não se fica por aqui! Não! 

O problema é quando o nosso livra-pêlos mais rápido (leia-se lâmina) se alia a um astigmatismo e uma fraca ou inexistente destreza manual. 

Das duas uma: ou conseguimos um efeito zebrado, de alto gabarito artístico que só as pessoas que não vêem bem conseguem fazer, ou terminamos com um aspecto de quem passou por um túnel de arame farpado, em calções, que é sempre uma cena gira para fazer ao fim de semana.

Não nos bastava a cor de cal que nos calhou em rifa, o sol que teima em não nos estrugir as pernas e os hematomas que não fazemos puto de ideia como aparecem, ainda temos que levar com os sacanas dos pêlos, mais a sua constante erradicação! 

É que não há pachorra!