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A Caracol

Blogue com informação crucial à sobrevivência.

Sou fit! E agora? #4

Serão os burpees? Os saltos? O trampolim? Os halteres? Qual a pior parte nesta coisa de ser fit? Será a ressaca do dia seguinte? A moleza do próprio dia? 

Não. Nada disso. 

A pior parte nesta coisa de ser praticante de desporto é...

Estão preparados? 

Não sei se aguentam. Sentem lá um bocadinho e respirem fundo. 

Melhores? Cá vai: 

A "obrigação" de ter a depilação sempre em dia. 

E não façam essa cara, alguém tinha que falar sobre isto.

Para começo de conversa: quem foi a gaja que um dia decidiu que era giro andarmos todas sem pêlos, hã? Não devia ter mais nada que fazer, a menina, naquele tempo não havia eurovisão para entreter a malta e vá de sacar a gillete ao marido para rapar as pernas. Contou à vizinha, que achou a ideia genial, mas deu-lhe um toque pessoal e duradouro arrancando o mal pela raiz com uma mistela mal cheirosa, que mais tarde se viria a chamar cera quente. Contou à cunhada que tendo um marido engenhocas, rapidamente lhe inventou uns rolamentos com pinças incorporadas capazes de arrancar o mais bravo dos pêlos. 

E isto são factos científicos, não estou aqui a inventar nada. Só é pena que para as duas últimas opções, ninguém se tenha lembrado de adicionar uma anestesia geral, porque aquilo dói como o caraças.

Mas bom, foquemos no essencial: porque é que isto é chato para quem pratica desporto? Eh pá, porque é mais uma freima. Temos o saco, ora deixa ver se está tudo: toalhas, sapatilhas, roupa interior, t shirt, calções.... Ah, chatice, não tenho a depilação feita, vou ter que levar calças. Mas calças? Com este calor? Lá terá de ser, já é tarde e hoje não há tempo para estéticas. (leia-se: não me apetece. Ah, e atire a primeira pedra quem nunca se viu neste drama) Enfiam-se as leggins no saco, pensando que se calhar até nem era mal pensado levar corsários e cortar a penugem naquele bocadinho de pele que fica à vista, entre o tornozelo e metade da canela. Suspiramos pela idiotice de pensamento e penamos no dia seguinte com um calor desgraçado. 

Mas o problema não se fica por aqui! Não! 

O problema é quando o nosso livra-pêlos mais rápido (leia-se lâmina) se alia a um astigmatismo e uma fraca ou inexistente destreza manual. 

Das duas uma: ou conseguimos um efeito zebrado, de alto gabarito artístico que só as pessoas que não vêem bem conseguem fazer, ou terminamos com um aspecto de quem passou por um túnel de arame farpado, em calções, que é sempre uma cena gira para fazer ao fim de semana.

Não nos bastava a cor de cal que nos calhou em rifa, o sol que teima em não nos estrugir as pernas e os hematomas que não fazemos puto de ideia como aparecem, ainda temos que levar com os sacanas dos pêlos, mais a sua constante erradicação! 

É que não há pachorra! 

 

 

 

 

Sou fit! E agora?! #3

Tenho um noticia terrível para vos contar. 

Estão sentados? Preparados? Vou dizer de uma vez para vos doer menos: 

Já não vou à meia maratona, em junho. 

Aguentaram-se bem? Sobreviveram ao choque?

Passo a explicar: íamos em grupo, no ginásio, havia poucos inscritos e previa-se um calor de ananases. Vai daí, a gerência achou (e muito bem!) que seria muito mais fixolas um pirquenique (com rissóis), em formato familiar (podemos levar a canalha atrás e rissóis), com alguma atividade física (para enfardar os rissóis com mais afinco). 

Não é um ginásio espectacular? Eu sabia que estava no sítio certo. 

Bom, voltando à meia: claro que podia ir sozinha, mas não me apetece deixa-los a enfardar rissóis sozinhos, alguém tem de controlar aquela malta, o argumento o calor faz todo sentido, ainda para mais começando a prova às 10:30 da manhã. O problema... O problema é que já estava mentalizada para o desafio, já tinha ultrapassado a fase da indecisão (10km ou 21?) que durou uma semana - sim, sou pessoa que gosta amadurecer bem as ideias. 

Como eu dizia, já estava mentalizada e fiquei até ligeiramente decepcionada quando me falaram da possível mudança de planos. Até me lembrar dos rissóis, claro, depois passou-me logo a decepção. 

- E agora? - perguntou-me a minha colega em tom de brincadeira - Qual vai ser o sentido da tua vida? 

Pois... 

Agora ficou aqui o bichinho, a curiosidade, a aventura e a dúvida: será que consigo?

Portanto, não há meia em junho, mas estou mesmo decidida a tentar esta: 

Pronto, o boneco parece que vai de lambreta e não a correr, mas tirando isso o percurso parece-me ser bonzinho. Planinho e tal. E é mais cedo. Uma boa parte do trajeto estará à sombra durante algum tempo... A proximidade do rio e do mar ameniza a temperatura. É só em setembro. E é mesmo, mesmo na data em que terminam as minhas festas - o meu verão é um bocado louco entre festinhas, festarolas, piqueniques e aniversários. Começa em maio e só acaba em setembro. 

De modos que é isto:não ganhei juízo e penso (quero!) mesmo meter-me nesta alhada. 

Estão comigo? 

 

 

Fui correr com a Cunhada

E, meus amigos, tenho montes de parvoeira para vos contar.

Verdade que fui eu que a arrastei para esta loucura, falo de forma entusiástica sobre corridas o que a levou a achar que se calhar era divertido falecer. Afinal, diz que não é tão divertido como apregoo e que não quer repetir a façanha.

Cá entre nós que ela não nos lê: ela gostou, está-se é armar e a fazer de difícil.

Mas bom, continuemos, os primeiros dois quilómetros, senti que me tinha enganado e tinha ido parar a uma sala da obstetrícia. Ninguém respira assim, a não ser que tenha oito centímetros de dilatação e esteja a suplicar pela epidural. Qualquer coisa como isto:

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Incluindo este ar de "ai meu deus, nosso senhor, por favor ajudai-me nesta hora difícil!"

Mais adiante, estávamos a meio do trajeto, oiço a criatura suplicar: "Leva o meu dorsal.... Já não posso mais..." 

 

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Qualquer coisa como isto, mas sem o Daryl (infelizmente). Fiquei na dúvida se lhe dava dois estaladões - dos reais - se a insultava - que acabou por acontecer - ou se a mandava internar. Acabei a puxa-la por um braço, calando-a com "anda lá caralho!".

A dada altura, julgando eu que a cachopa tinha finalmente apanhado o ritmo, dou conta que não vem atrás de mim. Olho para trás, procurando o seu cadáver e dou com o seu esqueleto encostado a um muro, sapatilha no chão, meia numa mão, pé ao léu e ar de sofrimento.

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- Mas o que é que foi agora? - atiro, naquilo que entrelinha dizia "qué essa merda, pá?! Tás parva?!".

- Oh pá, doía-me o pé... Estava a ficar com bolhas e tinha que ver o estado da coisa.

A minha expressão deve ter sido mais ou menos esta: 

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Que, basicamente, acabou por ser a minha cara durante os 10 penosos quilómetros. Acabamos por conseguir um tempo razoável, com tanta peripécia, chegando à meta 1:08 após a partida.

Já no carro, pergunto-lhe se está bem e não quer pensar repetir. Respondeu assim:

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Acho que não corre mais comigo...

Só eu... #12

Atire a primeira pedra quem nunca disse - ainda que mentalmente e mordendo a língua com todo o fervor - palavrões durante a prática de exercício físico. Durante uma aula e com 10kg seguros nas mãos para levantar e agachar, o professor acha por bem iniciar um mote motivacional: 

- Vamos lá pessoal! É dar o máximo! Qual é a palavra mágica? Vamos lá, todos juntos, começa por F... FFFFFF.

 

- FODA-SE! 

 

Caracol, a destabilizar aulas desde 2016. Prazer. 

Sou fit! E agora?! #2

Eu achei que já tinha feito tudo, que tinha mais vidas que um gato neste mundo do exercício. Achei que podia com tudo, que me podiam colocar na pior das aulas que sairia de lá fresca e fofa, como uma alface acabada de colher. 

Eu achava... Até ao dia que me apresentaram devidamente ao Cross Training. 

As quartas são a roleta russa do exercício, nunca sabemos o que nos vai calhar, vamos às cegas e completamente à mercê dos apetites de quem manda. É uma das aulas que mais gosto, verdade, mas também a que mais dor me provoca. 

Mentiria se vos dizesse que nunca nos tinha calhado em sorte cross training, claro que já penamos naquilo que, na altura, classifiquei como "aula de educação física". Sofremos, verdade, mas não teve nem um terço da intensidade da última. Foi assim uma espécie de rissol de entrada para o prato principal, que é absolutamente infernal. 

Lembram-se dos burpees, que eu amo de paixão? 

São cinquenta. 

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Flexões com uma porra de um saltinho, que-valha-me-nosso-senhor-não-lembra-a-ninguém?

São 25. 

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Sabem os abdominais? Completos? Daqueles mesmo, mesmo, mesmo, bons?

São 70.

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E pranchas, gostam?

São dois minutos a aguentar e uma porrada de tempo a rodar para um lado e para o outro, qual frango no espeto. 

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No final, tens a sensação que te fizeram isto:

 

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E os dias seguintes são assim:

 

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E pronto, está resumida uma aula que não precisa de qualquer acessório a não ser vosso corpinho. E, acreditem, vão desejar ser atropelados por um camião. E não estou a exagerar. 

Eu? Como assim eu?

Atingi o auge da minha carreira fit (se é que isto existe). 

Já fiz muita coisa nesta minha vida: já escrevi um livro, já plantei uma árvore e já tive um filho. Nunca, jamais, em tempo algum, pensei convencer alguém a mexer o rabinho. 

Há duas semanas fui confrontada com esta afirmação:

- Falas tanto em exercício que até me dá vontade de ir contigo. 

Apanhada desprevenida, repondo rapidamente: 

- Mas tu estás parva?! Tu és louca?! Eu passo a vida a ganir, a gemer que me dói e tu queres ir?! Quando começas?

Tenho uma ligeira tendência ao drama, não sei se já deram conta. Felizmente a minha colega (dos snikers à sobremesa) já sabe, pelo ignorou essa parte e focou-se apenas no essencial: começaria no inicio do mês. 

A primeira coisa que me passou pela cabeça, foi encomendar um treininho muitooooooo bom, em jeito de vingança pelo snikers que comeu sem remorsos, à minha frente, durante os 30 dias sem porcarias. Mas sou um pequeno bambi, a moça é franzina de cabedal, passa a vida a meter açúcar na veia para aguentar o exercício, pelo que a deixei sossegadita no seu sofrimento. 

(vamos ignorar que lhe estou a chamar fraquinha nas entrelinhas. Caríssima colega, se leres isto, cá beijinho, és a maior e isso passa. Sem ressentimentos, hã?) 

Aguentou-se muito bem a primeira semana, só gemeu até quarta da ressaca de segunda e no sábado não se queixou de dor associada ao exercício. 

Agora, o que me continua a surpreender é isto: como é que consegui esta proeza? Como é que eu, que passo a vida a queixar-me (literalmente), consegui convencer alguém a fazer mais por si? Pois, não façam essa cara, também ainda não cheguei lá. O que é certo é que almoça exercício como prato do dia e dia que gosta, que até é fixe. Era quem lhe batesse. Eu, claro, já me precavi, invoquei a minha autoridade de pessoa mais velha que a gaiata e consegui que me prometesse, a pés juntos, que nunca, jamais, em tempo algum, contaria as minhas figuras lá dentro.

Até porque para isso estou cá eu, não é verdade?