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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Os filhos não são nossos

Já o dizia a minha rica mamazita. 

Considero-me uma mãe relaxada (tanto quanto baste), descontraída (na medida do possível) e não sou super protetora. Acho importante ir soltando as asas ao puto, que caia para que aprenda a levantar, que descubra, explore e conheça o meio que o rodeia. Tenho sempre em mente que, mais cedo ou mais tarde, vou ficar para trás, no seu voo pela liberdade e descoberta própria. 

E isto é tudo muito lindo, muito eficaz, mas sempre comigo por perto, como rede de amparo. 

Caracolinho frequenta a natação para bebés desde os seis meses. Senhora sua mãe, preguiçosa que era no desporto, achou por bem incutir bons hábitos de exercício desde tenra idade. Além de todos os benefícios já conhecidos (e que a meu ver superam os "contras"), acaba por ser uma aula divertida, o cachopo adora e são 45 minutos muito bem passados. 

Ora, estamos a chegar à fase de "desmame": os pais vão na mesma para o tanque, mas são incentivados a soltar a rédeas da "segurança". A forma de segurar é diferente, menos protetora, mais livre; nadam agarrados ao esparguete, connosco a servir de cenoura para que nos sigam. E a impressão que aquilo me faz? E se larga aquilo de repente e me vai fundo? Estou mesmo ali, a dois dois segundos e meio de distância, mas já não o seguro, não o sinto tão perto, sou apenas a rede que ampara a queda e não o arnês de segurança. E isso, aperta-me ligeiramente o coração.

Os pais passam, agora, uma boa parte da aula encostados às boxes, incentivando uma autonomia que não desejam, mas que sabem ser importante. Acenam, sorrindo, aos petizes que vão no barco improvisado contentes pela chuva que a professora lança sobre eles. Dizem-nos adeus, como se fossem para o outro lado do mundo, quando na realidade só vão até ao outro lado da piscina. É inevitável pensar que um dia não será assim tão a brincar, tão pouca distância. Quando esse dia chegar, espero ter a mesma capacidade de sorrir e acenar, deixando que a felicidade dele se sobreponha à minha melancolia, que a sua vida, tão essencial à minha, seja feita por ele, pelos caminhos que escolher e pelos trilhos que traçar.

Quanto a mim, cá estarei, sempre na retaguarda, à distância de dois segundos e meio, com colo livre e abraços prontos a entregar. 

 

 

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