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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Matilde

Quando a Leonor deixou este mundo, jurei nunca mais seguir nenhuma página do género. Chamem-lhe egoísmo, falta de amor ao próximo, o que quiserem, mas eu acho que, por vezes, somos mais felizes na ignorância. Há coisas que não precisamos de saber, sabemos que existem, mas seguimos mais facilmente com a nossa vidinha se não as soubermos.

Há dias chegou ao mural de facebook a Luna, que por infortúnio daquela besta chamada cancro, já cá não mora.

No mesmo dia, o Bruno Nogueira partilhou a página da Matilde. E eu lá fui, "só espreitar" disse para comigo. Não consegui "só espreitar", porque ninguém consegue "só espreitar" um bebé que luta desigualmente contra uma leucemia rara, desde os 4 (quatro!) meses de idade. A Matilde tem, neste momento, 16 (dezasseis!!!) meses. É-me impossível não fixar o seu rostinho e lembrar-me do Mário. Porque são ambos bebés, porque têm idades muito, muito próximas, por tudo.

Ralho com o puto por tirar os Tupperwares do armário, mas penso que era isso também que a(s) Matilde(s) devia(m) estar a fazer. A(s) Matilde(s) devia(m) estar a explorar o mundo, absorvendo informação, aprendendo coisas novas, estimulando os sentidos. Não é suposto estarem agarrados a uma cama de hospital.

A Matilde está  internada no IPO-Porto, onde, de resto, tem passado a sua curta vida. Tem aquilo porque muitos anseiam: um dador 100% compatível (uma das suas irmãs). Calhou-lhe na "sorte" aquilo que ninguém pede: uma leucemia que, além de rara, não responde ao tratamento.

Os pais querem leva-la para fora, onde há uma possibilidade cura. Cara. Muito cara.

O que aqui vos peço hoje: se puderem ajudem a(s) Matilde(s).

Não tem que ser especificamente com dinheiro, há mais formas de ajudar a(s) Matilde(s): porque não dar sangue (ou plaquetas) no IPO? Porque não ser voluntário? Até a partilha da página é, de alguma forma, ajuda.

Já se passou um ano do nascimento do Mário, a Matilde relembrou-me que já estou apta a doar sangue, algo tão necessário aos doentes oncológicos, por ajudar na recuperação de tratamentos ou cirurgias, por devolver ao corpo o que doença retira, por dar algum conforto quando é tudo o que se pretende.

Afinal, ao contrário do que pensava, não sou mais feliz na ignorância, porque ela não me relembra o quanto posso ser útil e mudar, mesmo que sejam apenas as horas após a transfusão, a qualidade de vida de alguém.

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