Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Caracol

Blogue com informação crucial à sobrevivência.

Mário report

Aos dois anos, o Mário é capaz de começar o dia a esfrangalhar os nervos de senhora sua mãe. Ou porque quer bolachas, ou porque não quer bolachas (ou porque quer as bolachas "que não pode"), ou porque quer a colher amarela, que afinal não é a azul ou só porque sim. 

Birras, birras, birras.... Pequeno Marocas é pró nelas. E tem jeito para a coisa o rapaz, não o posso negar. É dramático, impostor, persuasivo e chantagista. Tem tudo para singrar no mundo da manipulação. Problema: senhora sua mãe, que teima em fingir que não vê a dor do menino porque não quer comer a sopinha de espinafres ou as suas lágrimas de crocodilo porque também descobriu que lavar o cabelo não é fixe. Sou assim, uma insensível à dor humana e uma mãe do pior. A minha sorte é que ele ainda não se explica muito bem, senão já teria a CPCJ à perna. 

Mas bom, nem tudo é mau e as birras - apesar de constantes e diárias - não são o Mário. 

Aos dois anos, o Mário é bastante ágil na locomoção: corre, trepa, desce, sobe, cai, levanta, mas é um bocado preguiçoso a falar, atropelando-se entre popós, mamas e papás com uns monossílabos indecifráveis pelo caminho. 

Adora cantar e dançar, sendo o seu último single o "ia-ia-ôooooo", que é basicamente a única parte da música que consegue cantar. 

Sabe os sons de diversos animais da quinta e continua a adorar de coração a cabra e os gansos do meu senhorio. 

Tem uma adoração pelos cães, sobretudo desde que descobriu que eles gostam da sua sopa, mas não gosta que lhe retribuam o carinho em forma de lambidela. 

É queixinhas, não se pode tocar no menino, ainda que sem querer que vai a correr, "chorando" e apontando para o ferimento que lhe foi feito. É uma criança muito sensível. 

Gosta de outros bebés, sobretudo mais pequenos, de lhes fazer miminhos e de lhes limpar o nariz. 

Dá abraços e beijinhos espontâneos, caso esteja para aí virado, mas nunca diz "olá" ou "xau" quando lhe peço. Às vezes, deita a língua de fora a desconhecidos, na rua, o que me faz sentir que estou a fazer um péssimo trabalho no que toca à educação. 

Adora os brinquedos espalhados, não para lhes dar uso, mas pelo simples facto de gostar de esvaziar caixas. Já voltar a colocar tudo, é o cabo dos trabalhos. 

Continua a preferir os tupperwares aos blocos de construção e música "para adultos" é coisa que já não me lembro de ouvir em casa. Em compensação, estou pró na Galinha Pintadinha (sim, na brasuca) e sou capaz de fazer medlays dos Caricas. 

Odeia vestir-se e, do alto dos seus dois anos, crê ser possível ser-se feliz só com pijamas e meias fofas. Ainda não consegui explicar-lhe que a vida nem sempre é justa, mas a seu tempo lá chegaremos. 

Adora ralhar, mandar vir e dizer "ai!" de forma melindrada, que o faz parecer o mini humano mais fofo de sempre. 

É gozão, provocador e tem o sorriso mais safadola que já vi. Mas também é capaz de espalhar charme de forma irrepreensível, sobretudo com desconhecidas (os) e se houver batatas fritas na mesa. 

Não é perfeito, não me faz sentir perfeita, dá-me cabo do sistema nervoso central e das paredes lá de casa, mas é mais do que alguma vez poderia pedir. 

 

 

14 comentários

Comentar post