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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Estado com Graça #5

Algumas reflexões sobre este estado

 

Toda a gente vos diz que isto é lindo. Que isto é miraculoso (e se é, senhores, se é). Que isto é assim tudo muito fofi-fofi e bilu-bilu. E é. É tudo isso e muito mais. É para lá de espectacular, mas depois há, como direi, os danos colaterais... Aquilo que rapidamente se esquece, porque depois de nos enfiarem o pequeno ser nos braços, tudo para trás e imediatamente arquivado para os confins da memória. Assim, e porque isso ainda está a 87 (já?!) dias de me acontecer, deixo-vos algumas constatações sobre a gravidez, aos sete meses de gestação.

 

Perda de Campo Visual

 

Não caríssimos, isto não se resolve com óculos. O problema é mesmo a barriga que impede a visão da cinta para baixo. Ainda consigo ver os pés - embora chegar-lhes comece a tornar-se custoso - mas tenho que admitir: já não a vejo há algum tempo. Sim, falo dela, a porta de saída dos bebés. Há umas quantas semanas que não lhe ponho a vista em cima, tanto que não fosse o espelho a assegurar-me que está tudo no devido lugar, temia que se tivesse metamorfoseado noutra coisa qualquer.

 

Ter dois cérebros não significa ter mais rapidez de raciocínio

 

Estou (ainda) mais lenta. Mais lenta a pensar. Mais lenta a caminhar. Toda eu sou lentidão. Então se me envolvo em questões de grande profundidade lógica é um desgaste! Para mim, que pareço um desenho animado com um ponto de interrogação na cabeça, e para o outro que tem de explicar tudo como se fossemos lerdos das ideias.

 

Consigo ver o meu sistema circulatório

 

Tanto que da primeira vez que me apercebi disso corri a ver se homem via o mesmo que eu. Todas a veias desde os ombros até ao baixo ventre estão visíveis. E são tantas! Credo, pareço um boneco de estudo de anatomia! Ou o mapa das estradas de Portugal, com trilhos pedonais incluídos. Diz que é normal, devido ao aumento do fluxo sanguíneo (pesquisei no Google), mas o que é certo é que já anotei na agenda a pergunta para a senhora doutora. Não vá eu estar a transformar-me em qualquer coisa desconhecida e ser um achado clínico.

 

Nunca tenho o que vestir

 

É o drama do mulherio, eu sei, mas numa grávida é 365x pior. Os vestidos são os melhores amigos é um facto, mas comer sempre batatas com bacalhau é uma seca! Tudo quanto sejam calças, calções e afins dão uma trabalheira danada! Arrependo-me sempre que os visto. Não acreditam? Vou descrever-vos uma simples ida à casa-de-banho, vestida com um macacão: despe macacão (não esqueçamos que é uma peça única); desce cinta (abençoada seja todos os dias); desce cuecas; faz o que lá foi fazer; sobe cuecas; sobe cinta; ajusta elásticos da cinta; veste macacão. Ufa! Que caseira! Ainda por cima, se o miúdo se alojar em cima da bexiga, quando acabar, é provável que esteja pronta a recomeçar.

 

No meio de toda esta canseira, ainda consigo arranjar tempo para ler à criança!

Coisas boas, bonitas e úteis, como podem ver. =)

 

 

Sim, tenho uma barriga gigantone.
E não, não me importo nada com isso. ;-)