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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Diário de uma preguiçosa aspirante a fit #13

Minha gente, minha boa gente que me lê e segue atentamente o meu percurso no admirável mundo do exercício físico: conheci o inferno em forma de aula. Juro! Não há uma pontinha de exagero nisto. 

Circuit Fit é o nome da coisa e só aqui já dá para perceber que só pode ser absolutamente infernal. 

O conceito é giro: há variadas estações de exercícios, um toque de campainha e todos rodam no sentido do ponteiro dos relógios avançando para a estação seguinte, mas...

Problema 1: é tudo muito rápido (como sempre) e requer MUITA resistência física.

Problema 2: como a cada estação compete um exercício diferente, não dá para deitar o olho ao colega do lado para tentar perceber o exercício. 

O aquecimento já me deixou ko, aquela malta gosta assim para lá de muito de saltinhos, mas o pior ainda estava para vir. Eram oito ou nove estações, não estou bem certa, e na hora de começar escolhi aquela que me pareceu mais simples: peitorais com peso. Só que... Só quando sentei o rabinho no step é que contei o número de discos que a barra continha. Quatro discos de 5kg. Ainda julguei estar a ver mal, de novo, mas já me confirmaram que não, que eram mesmo 20kg para içar com os bracinhos. Ora eu, pessoa franzina e pouco capaz, bati logo mal. Já tudo estava preparado para realizar o seu exercício em 3,2,1, e eu a derrapar, gritando por ajuda e erguendo a bandeira da derrota. Haveria ali algum engano, com toda a certeza. 

- Calma, não dramatizes. Fazes só o que fores capaz. Concentra-te e não dramatizes! - admoestou gentilmente senhor Madú. (Juro, não sei como ele conseguiu fazer aquele tom de voz tão suave depois de já ter "gritado" tanto.) Lá me ajudou com a barra enquanto TODO o meu cérebro lhe respondia: "EU NÂO ESTOU A DRAMATIZAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!" e os meus cotovelos sucumbiam à força da gravidade. Quando a primeira buzina tocou, já a barra jazia no meu tórax e eu arfava, não só pelo esforço anterior, mas porque aquilo teimava em não querer sair de cima de mim. Senti-me um bocadinho fatia de pão, enquanto deslizava a barra, qual faca com a manteiga, por mim abaixo, até ser capaz de a deixar cair pelos joelhos. Que deprimente! 

Felizmente não fui a única a queixar-me e o exercício passou a ser, para quem não conseguisse elevações, segurar a barra lá no alto. Ainda tentei propor umas estacas, mas não tinha fôlego suficiente para falar. 

Claro que não nos podíamos ficar só pelas estações, claro que não.

A meio da aula, quando já eu tinha assimilado metade dos objectivos, fomos recambiados para o centro e para o chão. Para quê? Burpees. Ó exercício dos confins dos infernos! Mas, quem, quem pergunto eu, quem é que inventou aquilo?! Valham-me os deuses todos naquela hora difícil que só um não chega! 

E para mais o quê? Pranchas infernais onde tudo se mexe ao mesmo tempo e não sobra tempo nem para uma inspiração. 

Ainda por cima, prometeram que não é sempre igual e já me soou aos ouvidos saltos para cima de caixotes. ME-DO!

No final da aula, demorei mais tempo que o habitual a recompor a caixa de ar, só lá para o meio da tarde é que fui capaz de respirar decentemente, e arrastei (arrastar é mesmo o termo) o meu esqueleto definhado e quebrado até ao banco mais próximo, nos balneários, que nunca, mas nunca me pareceram tão longe.