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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Das coisas que me chateiam

Há coisas que me tiram do sério. A falta de empatia e sensibilidade para com outro o outro, esfrangalha-me os nervos. Quando "os outros" são crianças, apetece-me sortear estaladas. 

Em todas as épocas festivas ou temáticas há lanches partilhados na escolinha do Caracolinho. Em todas elas, as auxiliares e educadoras têm de fazer um esforço extra por se certificarem que as crianças com intolerâncias alimentares GRAVES não se aproximam da mesa e comem apenas o que trouxeram de casa. 

 Zero partilha para estes miúdos. 

De quem é a culpa? Nossa. E não é por falta de informação, uma vez que somos sempre relembrados quer pelos respectivos pais (que cordialmente nos cedem receitas), quer pelas educadoras. Já há um maior cuidado nos bolos de aniversário (mau era se assim não fosse), mas chega-se aos lanches partilhados e "esquece-se" esse detalhe. E isso tira-me do sério. Ver fotografias dos lanchinhos com um ou dois miúdos estrategicamente mais afastados do grupo, para não cairem na tentação de tocar naquilo que deveria ser para todos, assemelha-se a um duro murro no estômago. Aliás, é pior. Porque ao fim de umas horas já curei o baque do golpe, enquanto ali sei perfeitamente que na próxima vai acontecer exactamente a mesma coisa. E isso chateia-me. Já tinha dito? Lamento, mas chateia-me mesmo. A falta de sensibilidade, o não querer saber "eles lá que desenrasquem" e o "não tenho culpa disso" dão-me cabo dos nervos. Porque não custa seguir as indicações deixadas pelos pais, não custa usar o Google para uma pesquisa rápida de receitas adequadas, não custa perder 30 segundos a ler uma porra de um rótulo para certificar que o produto é adequado, não custa trocar a manteiga pelo azeite ou óleo de côco (incluindo o untar da forma!), não custa trocar uma farinha, não custa procurar uma receita sem leite. O que custa é querer. É mais caro? Percebo o argumento, mas não aceito que justifique a escolha. Há imensas receitas que não precisam de farinhas de trigo, nem leite sem que o seu custo suba exponencialmente. Não queremos ter esse trabalho? Pegamos em três limões, dois litros de água e fazemos uma limonada. Pegamos nuns morangos e nuns bagos de uva e temos umas espetadas de fruta. Pegamos numa embalagem de côco ralado juntamos duas colheres de mel (ou outro adoçante) mais três ovos et voilá uns coquinhos. Agora, não me venham com balelas, não há nada, absolutamente NADA que justifique mandar algo que não pode ser partilhado por todos, que poderá pôr em causa a saúde de outros, que causará stress desnecessário num momento que deveria ser de convivio e alegria e, acima de tudo, magoará uma criança que nada fez nem pediu para ser intolerante a uma proteína. 

Nenhuma destas crianças é o meu filho. Mas poderia ser. Tal como poderia ser o teu. Faz as escolhas que quiseres para o teu filho, mas por favor pensa um bocadinho mais nos outros, sobretudo quandos os outros são miúdos com menos de 6 anos, que partilham mais de 8 horas diárias com o teu filho e que têm todo o direito a estar incluídas num momento de partilha e lazer entre todos.  

 

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