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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Atletas Anónimos

Eu avisei que dava para fazer uma sigla semelhante aos "Alcoólicos Anónimos". Começa hoje a rubrica que pretende mostrar os preguiçosos que decidiram mexer o rabinho. O objectivo principal é desmistificar a ideia de que o exercício é só para alguns, só para os magros ou só para quem tem excesso de peso. Perder aquela ideia parva de que o exercicio não é para nós, os desengonçados, e que só nós é que temos dificuldades em realizar um determinado exercicio. Não virá aqui falar sobre desporto somente malta que não sabe, virão também aqueles que já o praticam há mais tempo, de forma regular e consistente. Iremos falar de objetivos, dificuldades, conquistas, o melhor e o pior nisto de se ser atleta anónimo.

Assim sendo, vou aproveitar este pequeno espaço hoje, para fazer o meu próprio relato sobre a minha experiência de quase meio ano de ginásio.

Mentiria se dissesse que me inscrevi "só" para me mexer, que não precisava de perder peso para o que comia (a ainda como, é o meu ponto fraco) em excesso. Claro que não gostava completamente da figura que me olhava ao espelho. Apesar dos 58kg estarem relativamente bem distribuídos, havia ali muita carne a sair da roupa, muita banha a perder. Também seria parvo culpar a gravidez, já tinham passado 18 meses e a minha barriga ainda parecia albergar um pequeno ser com 4 meses de gestação.

Dezoito meses antes, por alturas em que comecei a querer vestir a mesma roupa que usava antes da gravidez, prometi a mim mesma que iria para o ginásio às horas de almoço, por ser de facto o único horário em que me disporia a realmente estar lá e fazer alguma coisa. O Mário fez um ano, passou quase ano e meio e continuei sem lá pôr os pés. Podia pôr aqui um bocadinho de humor e dizer que sou pessoa que gosta de amadurecer muito bem as ideias, mas não foi só isso. Foi muita preguiça misturada com as rotinas loucas de um bebé amamentado até aos 13 meses. É pessoas, durante, 13 meses fui uma espécie de vaquinha ambulante. E as horas de almoço acabaram por ter um papel crucial nisso: precisava de fazer a ordenha. Com o desmame, acabei por ficar novamente mais liberta nesse tempo, o que voltou a trazer à baila o exercício nesse horário. Acabou por acontecer a meio de julho.

Agradou-me particularmente a ideia de ter uma sala semi vazia: detestava exercício, detestava mexer-me e tinha vergonha que alguém me visse a fazer mal alguma coisa. Descobri que o humor é um bom aliado nestas coisas: nada melhor do que olhar para o  espelho, ver a minha figura completamente desgrenhada, despenteada, sem fôlego nem para dar mais um passo e rir-me um bocado. Alivia um bocadinho aquela sensação de não saber fazer nada, porque afinal de contas ainda me sei rir de mim. Claro que nem sempre é assim tão linear, há alturas em que ainda me pergunto porque raio me meti nisto - sobretudo quando entramos na loucura de saltos para um lado e para outro - mas é uma questão que abafo com um "cala-te e contínua".

Muita coisa mudou neste meio ano: deixei de ser incapaz de correr e passei a fazê-lo com gosto, sendo neste momento capaz de percorrer 3km na passadeira, numa velocidade que para muitos é uma caminhada ligeira. Muito de vós, do alto da vossa capacidade física, dirão :"3km?! Mas isso quase não aquece!" Eu digo: fixe para vocês. Sou muito feliz com os meus 3km e a capacidade de os fazer. Se para a semana for capaz de fazer mais, ótimo, se não paciencia. O caminho faz-se caminhando e não pretendo ser maratonista. Há uma série de exercícios cujas séries me matavam a um terço da contagem e que se foram tornando mais fáceis. O meu ponto fraco, aquilo que mais me enerva e me faz perder a paciência comigo são as posturas e o equilíbrio. Tenho uma tendência terrível para arquear a coluna e encolher os ombros, apesar de ter perfeita noção que não é benéfico para o corpo. Ainda demoro uns segundos a conseguir equilibrar-me num exercício tão simples como os lounges, e nem sequer precisam de ser aqueles loucos com saltos ou duplos, os mais simples ainda me fazem parecer um bêbado às quatro da manhã.

Há muita coisa que tenho que aprender (controlar a respiração é uma delas), mas o que eu gostava mesmo, mesmo de ser capaz era de conseguir fazer com que pareça fácil. Tenho uma ponta de inveja daquele pessoal que faz exercício e parece não estar a custar nada. Conseguem estar ali só a mexer o músculo que pretendem, numa postura exímia, sem mexer qualquer outra parte do corpo. Invejo essa capacidade de concentração e coordenação. Eu não sou capaz, nem sei se está ao meu alcance. Sinto sempre que me vou desmembrar a qualquer instante. 

Para este ano, tenho a meta dos 10km estipulada, mas quero melhorar essencialmente aquilo que falei em cima: posturas, respiração e equilíbrio

A quem ainda está indeciso quanto à inscrição num ginásio: vai. É o melhor que podes fazer por ti, pela tua saúde física e mental. E, acredita, se eu consigo, tu também consegues. 

 

Para a semana voltamos com outro Atleta Anónimo. Contamos convosco desse lado! :)

 

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