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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Não estou preparada para isto

Ainda estou em choque e duvido que consiga digerir semelhante informação.

Esta manhã, quando deixei o Caracolinho na creche, a educadora lançou esta bomba: "Já disseste à mamã que tens uma namorada?"

Perante o meu incrédulo: "A sério?" respondeu:

- Olha, mas são tão engraçados, andam sempre aos abraços e aos beijinhos. São mesmo queridos.

 

 

 

 

 

 

 

Vou só ali emborcar uma garrafa de gin, três xanax e já cá volto.

Mário report

E eis que o Caracolinho chega aos 18 meses. Aquela idade espetacular, altamente desgastante, com descobertas constantes a um ritmo alucinante. O puto parece uma esponja, num dia faz uma coisa, no dia seguinte já lhe junta outra habilidade, depois outra e mais outra... Só lhe falta mesmo falar, ainda só diz mamã, papá, cão e olá. Se não me enganar, será uma gralha de tanto palrar que se ouve. Não faço ideia a quem sairá...

 

Assim, aos 18 meses, Caracolinho adora:

 

- Dizer olá;

- Falar ao telemóvel;

- Ouvir música;

- Correr;

- Brincar com os cães;

- Lavar os dentes (ou deverei dizer comer a pasta?);

- Trepar coisas que não lembram ao diabo;

- Subir e descer degraus com ajuda;

- Sentar-se sozinho;

- Jogar à bola;

- Andar de triciclo (ou deverei dizer ser empurrado no triciclo?)

- Desarrumar os brinquedos acabadinhos de organizar (não por ele, lógico);

- Bolachas, de aveia preferencialmente;

- Explorar com eximia atenção e pormenor objetos que não lembrariam ninguém (o último foi a piaçaba);

- Ralhar, com ninguém em especial, só mesmo porque sim, porque lhe apetece;

- Dançar e bater palminhas ao som do último hit do Panda.

 

Também já capaz de identificar pessoas com o olhar (onde está a mamã?), de dizer que não, de reconhecer um pedido (dá-me os Tupperwares, dá-me um bocadinho da tua bolacha) embora nem sempre o conceda, reconhece palavras várias,  aumentou exponencialmente o volume e drama das birras (a Prima Vera acha o máximo e garante que o rapaz tem pinta nas birras) e descobriu que girar sobre si próprio durante a teimosia é muito mais original do que o bater de pés e mãos, já mais visto. Aliás, se há área onde o puto tem mestria é nas birras, tenho que lhe tirar o chapéu. A coisa começa com uns guinchinhos, um "ai que me passo já aqui" em crescendo, um choro sem lágrimas, um sentimento muito profundo, umas voltinhas sobre ele próprio, por vezes a bater o pé ao mesmo tempo, e um amarrar de chibinho do mais profissional que já vi. E não pensem que o enganam: não lhe dão o que ele quer e fica ali no chão, sentado, amuado, sentido, barafustando sozinho até encontrar outra coisa para fazer. 

Há dias em me tira do sério, que me apetece coloca-lo a dormir mal entro em casa, mas depois... Depois sorri, mostrando os seus dentinhos pequeninos, faz aquele ar de mafarrico e safadola, dá abraços e beijinhos babosos e eu não tenho outra escolha a não ser esquecer tudo o resto.

 

Mães (Im)Perfeitas - A Bruxinha

A primeiríssima convidada a abrir esta rubrica é A Bruxinha, doravante tratada por Cunhada.

Olá sou a Sara, mais conhecida por Bruxinha, tenho um pirralho com 4anos, o David, que irá ter um irmão (a), tratado por Bebé. Trabalho na maior empresa deste país! Sou desempregada, mas coletada como vendedora ambulante, trabalho na época de produtos agrícolas, cá na terra. Também faço feiras de artesanato cá na zona. E mais mil e uma coisa... E gosto (sou obrigada) de fazer cárdio...

 

 

Cunhada, diz-me cá que ninguém nos ouve, qual foi a pior birra que o meu sobrinho te fez?

 

O David nunca foi muito de fazer birraaaaa, birraaaaa, mas dá-lhe os cinco minutos... Lembro-me de uma vez,ele armar circo no Pingo doce e o marido só dizer para me despachar que era uma vergonha!  O bebé também já gosta de fazer a sua birra! Não quer cá apertos no espaço dele. O papy põe a mão por cima e lá dá ele de frosques para o outro lado...

 

Homens! Sempre com medo da vergonha! E tu, como lidas com a teimosia infantil?

 

Eu lido bem. Chora? Deixa chorar, quando quiser cala-se!

 

E não tens medo que fique traumatizado? Pobre criança... Como esperas que te recorde?

 

Como uma boa mãe, com os seus defeitos, mas que reconheçam o que faço/farei por eles, um dia...

E não, não tenho medo que fique traumatizado. :P

 

A maternidade é uma experiência do caneco. O que tens aprendido com ela?

 

Tenho aprendido:

1 O amor verdadeiro, o mais puro que poderemos ter;

2 Passam - nos a perna com facilidade, sabem chantagear (mas nós até gostamos....);

3 Só dizem que somos lindas quando lhes interessa;

4 Não dá para viver sem eles.

 

Estás novamente grávida, tens um puto com quatro anos e pico, como está a correr a adaptação dele ao maninho?

 

A adaptação foi fácil, está tudo a correr bem. O David super contente, mas prefere uma irmã, para menino diz ele que já chega ele. E confesso que até me esqueço (agora) que estou grávida, está a passar rápido...

 

És desempregada, é certo, mas uma mulher em casa também trabalha, também tem rotinas... Tens algum segredo especial na gestão do tempo?

 

Não tenho segredo, só tento ter tudo organizado ao máximo para o dia seguinte. Mochilas prontas (filho e marido), saco de ginásio pronto (nos dias que vou), deixo roupa já em cima das cómodas. Tudo adiantado para, na manhã seguinte, ser mais fácil. Que nunca é, o miúdo adora ser lesma a tomar o pequeno almoço. Se quero sair de casa às 8:30h às 7:15h tem de estar tudo fora da cama. E a partir das 19h é tratar dele, banho, jantar... Uma correria.

 

Como te compreendo! Para além de todos os momentos, de todas as birras, de tudo o que se aprende, há algum episódio que te marcado?

 

O único que me marcou, assim a sério, foi quando, com meio ano, teve de ser internado, com uma infecção urinária. Foi horrível, tivemos lá 7 dias. Ver a dor dele, os berros sempre que era picado... Não me aguentei numa das vezes e desatei lá a chorar... Tive largos meses que aquele choro não me saia da cabeça... Ficou mesmo marcado.

 

Imagino... O meu fez análises ao sangue na última ida à urgência e horrível.

Já estamos quase a terminar, mas antes gostaria que tentasses definir a maternidade numa só palavra.

 

Hmmm, só numa não consigo, mas duas sim: amor verdadeiro.

 

Por fim, tens alguma dica para futuros pais?

 

A dica útil que posso deixar é NÃO HABITUAR AO COLO! De dia, sempre que dormirem, nada de silêncios nem escuro, enquanto muito bebés, senão trocas os sonos.

Acho que estas dicas são preciosas, eu seguias à risca e recomendo! ;)

 

Obrigada pela conversa Cunhada!

Para a semana, há mais.

No mesmo sítio, à mesma hora.

 

 

 

Conquistando o mundo

Caracolionho chegou aos 15 meses. Com eles vieram duas habilidades que, além de serem fundamentais à sua sobrevivência, contribuirão para as minhas cãs.

1) Descobriu que consegue alimentar.se sozinho. Já sabe para que serve a colher, mas ainda não a consegue utilizar convenientemente, prefere as mãos. Há um progresso significativo na coordenação, pelo que já é capaz de levar mais comida à boca. No entanto, o chão da cozinha continua a parecer o adro da igreja após um casamento. Quem muito aprecia esta habilidade são os canídeos - Cusco e Berlinde - que se sentam muito direitinhos frente à cadeira da papa, esperando que lhes caia o maná. Para eles, Caracolinho está ao nível divino, sobretudo quando faz chover pedacinhos de carne.

2) Outra conquista recentemente descoberta é o passo de corrida. Não lhe podemos chamar bem correr, é assim mais um andar apressado e desajeitado, ainda pouco equilibrado. Claro que, mafarrico que só ele, já descobriu a utilidade desta aprendizagem: a fuga. Sobretudo despois de despojar o armário das tollhas.

Como se ele corresse mais que a sua mãe.

Muahahahahah

A prima das bolachas

O Mário sempre foi bolacheiro. Sempre que ia à cozinha era vê-lo em bicos de pés a apontar para o armário das bolachas, uma vezes bem sucedido no peditório, outras nem tanto.

Caracolinho era feliz com as suas bolachas maria, até que uma prima lhe ofereceu bolachas de aveia, primeiro em casa dela e depois oferecendo um pacote ao pequeno, dizendo-lhe: "Pega Marinho, leva para casa que a tua mãe não sabe comprar bolachinhas para o menino." E ele, claro, lá veio todo contente com o pacote na mão, coisa que achei se iria esquecer nas próximas horas. Mas não. Quando, no dia seguinte, lhe dei uma bolacha, era vê-lo a erguer o indicador para o pacote amarelo, dizendo que não à Maria que lhe acenava mesmo em frente aos olhinhos. E ele sacudia-a com a mão, ele apontava assertivo para o outro pacote, batia impacientemente com os pezinhos, acho que se falasse me perguntava se estava com falta de percebes. Acabamos por colocar alguma bolachas Maria dentro do pacote das de aveia e ele caiu. As primeiras duas vezes. Depois passou a dá-las ao cão.

Tão esperto este meu filho.

Após várias tentativas, lá vai comendo uma maria - basicamente quando percebe que não lhe vão dar outra - mas continua a ter uma clara preferência pelas de aveia.

Prima, eu sei que dei montes de tralha coisas giras e úteis aos teus filhos - o que me lembra que tenho ali umas coisas muito jeitosas...Também sei que disseste para eu esperar, que um dia ia ter um e ia ver. Mas tinha mesmo que ser com bolachas? Que custam tanto como uma embalagem de quatro da maria? Da próxima vez que aí for quero uma embalagem, faxabor. Industrial.