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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

A sopa?

Estava ótima, a batata doce dá-lhe um gostinho muito bom.

Mas os dentes continuaram cerrados, os punhos fechados, a teimosia no auge.

O pai tentou que jantasse mais cedo (normalmente, come por volta das 20h), não conseguiu.

Eu tentei mais tarde, por volta das 20:15, comeu duas colheres.

Fomos limpar o pó, tratar de outras tarefas, quando calhava ir à cozinha apontava para o armário das bolachas, apresentava-se-lhe novamente o prato da sopa. Pés a bater, guinchos de frustração e vamos fazer outra coisa, não queres sopa, não há mais nada.

Andamos nisto até às 21:30, hora em que já não via nada à frente tal era a moca de sono. Acabamos por lhe dar sopa, enganando-o com um iogurte. O pai tinha iogurte numa colher, ele abria a boca, eu enfiava a sopa. Foram 3 minutos. Depois comeu o iogurte, todo satisfeito da vida.

Logo, espera-o uma deliciosa farinha de pau.

A mim? Nasceram-me, pelo menos, 10 cabelos brancos. Só esta noite.

O homem? Saiu-se com esta quando ele adormeceu:´"Era mais fácil quando ele era pequenino."

 

 

 

Mães (Im)Perfeitas

Olá, o meu nome é Caracol e sou uma mãe (im)perfeita de um menino, há 15 meses.

Há dias que não sei que lhe fazer.

De há quatro dias para cá, tem sido pior: o miúdo não come a sopa.

Julgo ser do nabo ou do tomate, mas já a confecionei da mesma forma e foi engolida com satisfação.

Julgo ser dentinhos novos a moer nas gengivas.

Julgo ser sono.

Fome a mais ou falta dela.

Talvez não lhe apeteça.

A nós nem sempre apetece o que nos servem, não é verdade?

Outras vezes, tenho a certeza que é para me enervar. Que faz de propósito. Que é um pequeno monstrinho com vontade de própria. Nesses dias, só me apetece abrir-lhe a goela e enfiar-lhe o creme de legumes por lá abaixo.

Nestes dias, consegui que comesse praticamente tudo o que tirara para o prato, sempre acompanhada da Xana Toc Toc ou dos Caricas. Ontem, recusou-se terminantemente a abrir a boca. Mesmo entretido. Dentes cerrados e mãozinhas a afastar a colher, num gesto assertivo de recusa. Tentei, insisti, entretive, voltei a insistir. Ralhei. Expliquei. Bufei.

 A cada colher devolvida, via nutrientes perdidos, défices de verduras, falta de proteínas, carências nutricionais, perda de peso... O drama, o horror. E voltava a insistir, que não podia ser, que tinha que ingerir legumes, que tinha que jantar. E ele que não, que não queria, ou não lhe apetecia.

O homem foi comprar um boião, que não se podia deitar a criança sem jantar. Foi recusado.

Acabei por lhe dar um copo de leite. Apenas metade foi sorvido.

Eu tento manter a calma, eu tento relaxar e dizer que é normal, que é uma fase. O meu lado (im)perfeito não deixa. Abano a cabeça em negação, que não pode ser, o miúdo tem quinze meses, não faz já o que quer. Rais me parta se não o faço comer sopa. E volto a ver défices nutricionais e atestados de incapacidade parental.

Estabelecemos um plano, uma jogada estratégica para combater a recusa sopal: batata doce. Caso não resulte: farinha de pau. Em último recurso: legumes cozidos em pedaços.

E paciência. Carradas de paciência. Algo que as mães (im)perfeitas costumam perder com facilidade.

Dizei-me mães perfeitas, que mais haverei de fazer?

 

 

Conquistando o mundo

Caracolionho chegou aos 15 meses. Com eles vieram duas habilidades que, além de serem fundamentais à sua sobrevivência, contribuirão para as minhas cãs.

1) Descobriu que consegue alimentar.se sozinho. Já sabe para que serve a colher, mas ainda não a consegue utilizar convenientemente, prefere as mãos. Há um progresso significativo na coordenação, pelo que já é capaz de levar mais comida à boca. No entanto, o chão da cozinha continua a parecer o adro da igreja após um casamento. Quem muito aprecia esta habilidade são os canídeos - Cusco e Berlinde - que se sentam muito direitinhos frente à cadeira da papa, esperando que lhes caia o maná. Para eles, Caracolinho está ao nível divino, sobretudo quando faz chover pedacinhos de carne.

2) Outra conquista recentemente descoberta é o passo de corrida. Não lhe podemos chamar bem correr, é assim mais um andar apressado e desajeitado, ainda pouco equilibrado. Claro que, mafarrico que só ele, já descobriu a utilidade desta aprendizagem: a fuga. Sobretudo despois de despojar o armário das tollhas.

Como se ele corresse mais que a sua mãe.

Muahahahahah

Equipa 5 estrelas

No passado domingo recorri com Caracolinho à urgência. Tinha febre de 39.5º, que apesar de ceder com benuron, não demorava mais que 4/5 horas a subir.

Foi diagnosticado, além da varicela, um exantema multiforme (acho que é assim, googlei e deu isto) de origem vírica. Não gostaram do aspeto de algumas vesículas, pelo que lhe prescreveram um antibiótico.  Não satisfeitos apenas com aquela visita, marcaram consulta para ontem, para que pudessem seguir mais de perto a evolução das viroses, onde foram novamente exímios em observações e avaliações.

Porque foram incansáveis, atenciosos, simpáticos e de um profissionalismo exemplar, aqui fica o meu muito obrigada a toda a equipa que esteve na urgência pediátrica do hospital de Gaia, no domingo, em particular so Dr. Sérgio Alves e Drª Sara Pinto. Muito obrigada pela dedicação e empenho.

Mário report

O Mário é levado da breca. A sério, aquele moço vai tingir-me o cabelo de brancas. Até há uma semana, chorava para ir para o banho, agora chora quando é para sair; detesta vestir-se, ou despir-se, ou tudo o que implique ficar sem poder mexer as mãozinhas durante 30 segundos, é um rapaz muito ocupado, não gosta de perder tempo com ninharias; continua dramático na arte da manipulação, mas agora descobriu que é muito mais fixe bater com os pés no chão (dai-me paciência!); adora abrir gavetas, mas já sabe que não deve  deixa-las despojadas (aleluia irmãos!); deixou de chorar quando fica na creche e já houve dias que me deixou ali sozinha, na entrada, enquanto caminhava alegremente para a sua sala (tão pequenino e já me voa o fedelho!); dá beijinhos, que dizer abre a boca e encosta-a à nossa bochecha, às vezes também se sai com uma lambidela, acho que deve ter aprendido com o Cusco; leva as mãos à cabeça quando lhe dizem "ai a minha vida!"; faz olhinhos (outra habilidade que aprendeu claramente com os canídeos) e desvia a conversa quando percebe que sabemos que está a praticar o asneiranço; acorda pelas 5:30 da madrugada com o claro intuito de vir para a minha cama (e eu importada com isso); espeta o indicador pequenito para apontar o que quer e dá-nos uma sapatadita com a outra mão se falhamos o alvo; continua um fofinho e faz-nos mais felizes a cada dia que passa.