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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Querem lá ver que estou a criar um pequeno monstrinho?

Ontem, ao jantar, depois da sopa - que tentou arrumar com um "tá tá" - quando lhe apresentei o prato principal:

 - Oláaaaaaaa!

Isto de forma entusiástica, batendo palminhas.

Hoje, depois do pequeno almoço, quando lhe dei uma bolacha:

 - Oláaaaaaaaaa!

Disse-o enquanto lhe fazia umas festinhas, antes de lhe dar uma valente dentada.

Serei só eu que acho isto um bocadinho sinistro?

Conselho útil à sobrevivência parental

Pessoas, mães, pais, tios, avós, escutem o precioso conselho que vos dou de boa vontade e sem pedir nada em troca:

 

Nunca, mas nunca, ensinem aos putos cenas possiveis de adaptar a outras situações, possiveis de causar embaraço ou que vos limitem a correção.

 

Dou-vos um exemplo:

Não ensinem os miúdos, no banho, a enfiar a água que cai do chuveiro na boca, para depois fazer um chafariz com ela - leia-se cuspir de volta. E porquê? Porque é altamente provável

que os putos o façam noutras circunstâncias, com público e com matéria diferente da original.

A mãe tem sempre razão

Imbuída pelo espirito de férias e verão que reina cá por cá casa, convenci o homem a comprar uma piscina para o miúdo. Uma daquelas baratas, que se amarfanham todas num canto para não ocupar espaço quando não estão a ser usadas, coisa pequena, que estorve pouco, só para o puto ter um pequeno lago para chafurdar.

O homem acede, eu dou pulinhos de alegria e vamos ambos, os três, à lojinha dos senhores que vendem tudo mais próxima para a aquisição da coisa.

 

Isto tinha tudo para correr bem, não fosse nenhum de nós ter olhado devidamente para a área que diz "dimensões" e trazermos um lava-pés, em vez de uma piscina pequena.

Para terem noção do tamanho: o puto pegava nela - vazia, obvio - com a maior das facilitades e enviava-a na cabeça, tipo chapéu de carnaval.

- Estou mesmo a ver ele a virar aquele merda com água pela cabeça abaixo. - comento com o homem.

- Acho que aguenta até quinta feira. Apostamos?

Enquanto uma pessoa saca os trocos do bolso para celebrar a aposta, que não, claramente não ia durar tanto tempo, o puto, enfiado dentro do lava pés, mostrando com quantos paus se faz uma canoa e como a sua mãe tem sempre razão, decide morder a borda da piscina, libertando-a do ar que a mantinha firme (?).

É por isto que o ditado "a mãe tem sempre razão", está certinho.

Mário report

E eis que o Caracolinho chega aos 18 meses. Aquela idade espetacular, altamente desgastante, com descobertas constantes a um ritmo alucinante. O puto parece uma esponja, num dia faz uma coisa, no dia seguinte já lhe junta outra habilidade, depois outra e mais outra... Só lhe falta mesmo falar, ainda só diz mamã, papá, cão e olá. Se não me enganar, será uma gralha de tanto palrar que se ouve. Não faço ideia a quem sairá...

 

Assim, aos 18 meses, Caracolinho adora:

 

- Dizer olá;

- Falar ao telemóvel;

- Ouvir música;

- Correr;

- Brincar com os cães;

- Lavar os dentes (ou deverei dizer comer a pasta?);

- Trepar coisas que não lembram ao diabo;

- Subir e descer degraus com ajuda;

- Sentar-se sozinho;

- Jogar à bola;

- Andar de triciclo (ou deverei dizer ser empurrado no triciclo?)

- Desarrumar os brinquedos acabadinhos de organizar (não por ele, lógico);

- Bolachas, de aveia preferencialmente;

- Explorar com eximia atenção e pormenor objetos que não lembrariam ninguém (o último foi a piaçaba);

- Ralhar, com ninguém em especial, só mesmo porque sim, porque lhe apetece;

- Dançar e bater palminhas ao som do último hit do Panda.

 

Também já capaz de identificar pessoas com o olhar (onde está a mamã?), de dizer que não, de reconhecer um pedido (dá-me os Tupperwares, dá-me um bocadinho da tua bolacha) embora nem sempre o conceda, reconhece palavras várias,  aumentou exponencialmente o volume e drama das birras (a Prima Vera acha o máximo e garante que o rapaz tem pinta nas birras) e descobriu que girar sobre si próprio durante a teimosia é muito mais original do que o bater de pés e mãos, já mais visto. Aliás, se há área onde o puto tem mestria é nas birras, tenho que lhe tirar o chapéu. A coisa começa com uns guinchinhos, um "ai que me passo já aqui" em crescendo, um choro sem lágrimas, um sentimento muito profundo, umas voltinhas sobre ele próprio, por vezes a bater o pé ao mesmo tempo, e um amarrar de chibinho do mais profissional que já vi. E não pensem que o enganam: não lhe dão o que ele quer e fica ali no chão, sentado, amuado, sentido, barafustando sozinho até encontrar outra coisa para fazer. 

Há dias em me tira do sério, que me apetece coloca-lo a dormir mal entro em casa, mas depois... Depois sorri, mostrando os seus dentinhos pequeninos, faz aquele ar de mafarrico e safadola, dá abraços e beijinhos babosos e eu não tenho outra escolha a não ser esquecer tudo o resto.

 

A sopa?

Estava ótima, a batata doce dá-lhe um gostinho muito bom.

Mas os dentes continuaram cerrados, os punhos fechados, a teimosia no auge.

O pai tentou que jantasse mais cedo (normalmente, come por volta das 20h), não conseguiu.

Eu tentei mais tarde, por volta das 20:15, comeu duas colheres.

Fomos limpar o pó, tratar de outras tarefas, quando calhava ir à cozinha apontava para o armário das bolachas, apresentava-se-lhe novamente o prato da sopa. Pés a bater, guinchos de frustração e vamos fazer outra coisa, não queres sopa, não há mais nada.

Andamos nisto até às 21:30, hora em que já não via nada à frente tal era a moca de sono. Acabamos por lhe dar sopa, enganando-o com um iogurte. O pai tinha iogurte numa colher, ele abria a boca, eu enfiava a sopa. Foram 3 minutos. Depois comeu o iogurte, todo satisfeito da vida.

Logo, espera-o uma deliciosa farinha de pau.

A mim? Nasceram-me, pelo menos, 10 cabelos brancos. Só esta noite.

O homem? Saiu-se com esta quando ele adormeceu:´"Era mais fácil quando ele era pequenino."

 

 

 

Mães (Im)Perfeitas

Olá, o meu nome é Caracol e sou uma mãe (im)perfeita de um menino, há 15 meses.

Há dias que não sei que lhe fazer.

De há quatro dias para cá, tem sido pior: o miúdo não come a sopa.

Julgo ser do nabo ou do tomate, mas já a confecionei da mesma forma e foi engolida com satisfação.

Julgo ser dentinhos novos a moer nas gengivas.

Julgo ser sono.

Fome a mais ou falta dela.

Talvez não lhe apeteça.

A nós nem sempre apetece o que nos servem, não é verdade?

Outras vezes, tenho a certeza que é para me enervar. Que faz de propósito. Que é um pequeno monstrinho com vontade de própria. Nesses dias, só me apetece abrir-lhe a goela e enfiar-lhe o creme de legumes por lá abaixo.

Nestes dias, consegui que comesse praticamente tudo o que tirara para o prato, sempre acompanhada da Xana Toc Toc ou dos Caricas. Ontem, recusou-se terminantemente a abrir a boca. Mesmo entretido. Dentes cerrados e mãozinhas a afastar a colher, num gesto assertivo de recusa. Tentei, insisti, entretive, voltei a insistir. Ralhei. Expliquei. Bufei.

 A cada colher devolvida, via nutrientes perdidos, défices de verduras, falta de proteínas, carências nutricionais, perda de peso... O drama, o horror. E voltava a insistir, que não podia ser, que tinha que ingerir legumes, que tinha que jantar. E ele que não, que não queria, ou não lhe apetecia.

O homem foi comprar um boião, que não se podia deitar a criança sem jantar. Foi recusado.

Acabei por lhe dar um copo de leite. Apenas metade foi sorvido.

Eu tento manter a calma, eu tento relaxar e dizer que é normal, que é uma fase. O meu lado (im)perfeito não deixa. Abano a cabeça em negação, que não pode ser, o miúdo tem quinze meses, não faz já o que quer. Rais me parta se não o faço comer sopa. E volto a ver défices nutricionais e atestados de incapacidade parental.

Estabelecemos um plano, uma jogada estratégica para combater a recusa sopal: batata doce. Caso não resulte: farinha de pau. Em último recurso: legumes cozidos em pedaços.

E paciência. Carradas de paciência. Algo que as mães (im)perfeitas costumam perder com facilidade.

Dizei-me mães perfeitas, que mais haverei de fazer?

 

 

Conquistando o mundo

Caracolionho chegou aos 15 meses. Com eles vieram duas habilidades que, além de serem fundamentais à sua sobrevivência, contribuirão para as minhas cãs.

1) Descobriu que consegue alimentar.se sozinho. Já sabe para que serve a colher, mas ainda não a consegue utilizar convenientemente, prefere as mãos. Há um progresso significativo na coordenação, pelo que já é capaz de levar mais comida à boca. No entanto, o chão da cozinha continua a parecer o adro da igreja após um casamento. Quem muito aprecia esta habilidade são os canídeos - Cusco e Berlinde - que se sentam muito direitinhos frente à cadeira da papa, esperando que lhes caia o maná. Para eles, Caracolinho está ao nível divino, sobretudo quando faz chover pedacinhos de carne.

2) Outra conquista recentemente descoberta é o passo de corrida. Não lhe podemos chamar bem correr, é assim mais um andar apressado e desajeitado, ainda pouco equilibrado. Claro que, mafarrico que só ele, já descobriu a utilidade desta aprendizagem: a fuga. Sobretudo despois de despojar o armário das tollhas.

Como se ele corresse mais que a sua mãe.

Muahahahahah