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A Caracol

Blogue com informação crucial à sobrevivência.

Só eu... #13

Lembram-se do meu Fiat Punto de '99 e das peripécias que já vos contei com ele? Tenho mais uma para hoje. 

Depois de desinfectar a viatura com lixívia, faltava dar um jeitinho aos vidros. Decidi começar pela mala. Sendo um carro comercial a bagageira era imensa e, portanto, a única maneira de limpar os seus pequenos vidros laterais era entrar lá para dentro. Ora, aqui a cabeça de vento esqueceu-se de um detalhe: a porta da mala estava com os amortecedores avariados, fechando-se a cada passo. Para evitar isso, quando limpei afincadamente o seu interior, da última vez, tinha colocado um pau (sim, um pau, uma estaca, se quisermos ser rigorosos) a segurar a porta da mala. Que imagem linda, hã? Continuemos, eu, a expert em limpezas automóveis, achava que aquilo era rápido, que não precisava e que a porta não ia fechar comigo lá dentro. 

Pois... 

A sacana fechou ainda eu ia no primeiro vidrinho. Não consegui abrir por dentro - óbvio - e rezei para que dessem pela minha falta ao almoço, que já estava a ficar com fome e não tinha ali nada para trincar. 

Esperta como só eu sei ser, procurei algo comprido que passasse pela grade de separação, para tentar accionar a alavanca que abria a mala. Não havia. Não tinha a porra de um pé de cabra na mala do meu boguinhas. Toda a gente sabe que os pés de cabra dão imenso jeito, toda a gente devia ter pelos menos dois, para o caso de um se estragar. 

Entretanto, já eu achava que só iriam encontrar o meu cadáver anos mais tarde, com a chave de rodas na mão, passa a minha avó. Aleluia irmãos! Estou safa! 

Bato no vidro, freneticamente, enquanto grito:

- Vó! Vó! Oh Vóoooooooooooo! 

- Olá! - responde. 

Ai valham-me os deuses que estou lixada, vou ter que gritar mais. 

Ó Vóoooooooooooo! Eu estou aqui fechada! Estava a limpar e aporta fechou! 

- Que estás aí a fazer?

Pois...

- Estava limpar os vidros e a porta da mala fechou. Consegue puxar ali aquela alavancazinha ao pé do banco? 

algumas indicações mais e de superar a incredulidade de ter a neta fechada na mala do carro, a avó lá me conseguiu abrir a mala, deixando-me livre.

Excusado será dizer que o pau, ou estaca, passou a fazer parte do conteúdo da mala. Nestas coisas mais vale prevenir e ter à mão do que voltar a ficar fechada! 

Fui correr com a Cunhada

E, meus amigos, tenho montes de parvoeira para vos contar.

Verdade que fui eu que a arrastei para esta loucura, falo de forma entusiástica sobre corridas o que a levou a achar que se calhar era divertido falecer. Afinal, diz que não é tão divertido como apregoo e que não quer repetir a façanha.

Cá entre nós que ela não nos lê: ela gostou, está-se é armar e a fazer de difícil.

Mas bom, continuemos, os primeiros dois quilómetros, senti que me tinha enganado e tinha ido parar a uma sala da obstetrícia. Ninguém respira assim, a não ser que tenha oito centímetros de dilatação e esteja a suplicar pela epidural. Qualquer coisa como isto:

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Incluindo este ar de "ai meu deus, nosso senhor, por favor ajudai-me nesta hora difícil!"

Mais adiante, estávamos a meio do trajeto, oiço a criatura suplicar: "Leva o meu dorsal.... Já não posso mais..." 

 

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Qualquer coisa como isto, mas sem o Daryl (infelizmente). Fiquei na dúvida se lhe dava dois estaladões - dos reais - se a insultava - que acabou por acontecer - ou se a mandava internar. Acabei a puxa-la por um braço, calando-a com "anda lá caralho!".

A dada altura, julgando eu que a cachopa tinha finalmente apanhado o ritmo, dou conta que não vem atrás de mim. Olho para trás, procurando o seu cadáver e dou com o seu esqueleto encostado a um muro, sapatilha no chão, meia numa mão, pé ao léu e ar de sofrimento.

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- Mas o que é que foi agora? - atiro, naquilo que entrelinha dizia "qué essa merda, pá?! Tás parva?!".

- Oh pá, doía-me o pé... Estava a ficar com bolhas e tinha que ver o estado da coisa.

A minha expressão deve ter sido mais ou menos esta: 

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Que, basicamente, acabou por ser a minha cara durante os 10 penosos quilómetros. Acabamos por conseguir um tempo razoável, com tanta peripécia, chegando à meta 1:08 após a partida.

Já no carro, pergunto-lhe se está bem e não quer pensar repetir. Respondeu assim:

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Acho que não corre mais comigo...

Atletas Anónimos - O António e a Maria João

 

Depois da Páscoa - e dos exageros - nada melhor que retomar (e intensificar) a atividade fisíca. Para que não vos falte motivação, convidei dois compinchas (dos valentes, hã?) para duas de letras. 

Um desafio, porque são dois ao mesmo tempo, que culminou numa conversa intimista e deliciosa. 

A vossa atenção à Maria João e ao António, por favor.

 

Agora que a Páscoa já terminou e estamos todos a precisar de malhar (de novo), contem-me lá: há quanto tempo começaram a fazer exercício e porque decidiram dar o primeiro passo?

MJ: Eu sempre fiz desporto, desde criança, apesar de sempre ter tido excesso de peso! Passei pela ginástica, depois pela natação, andebol e por fim inscrevi-me no ginásio, por volta dos 14 anos. Mas só há cerca de um ano é que estou no Madugym.

A: Eu sempre adorei e pratiquei desporto. Desde os 5 anos que joguei futebol federado. Até aos 18 nunca tive problemas de engordar. Depois, por culpa de trabalho e por ter deixado de praticar tão assiduamente, aumentei bastante o meu peso. Chegando a uma estupidez de 115kg.

Wowowowowow.... 115kg?! Tu?! Caramba...Como é que sempre praticando desporto, se deixa de ter tempo para ele?

A: Yap. 115!!! Emergência mesmo… No meu caso deixei por um tempo, mais tarde retomei a jogar futebol com os amigos ao fim de semana e comecei a praticar BTT. Às vezes era falta de tempo, ou falta de vontade e também desmotivação. 115 kg não são muito motivadores na prática de qualquer desporto.

Acredito... Até porque não tens o mesmo rendimento. Conseguiste perder quanto em quanto tempo?

A: Exactamente. Até que me "caiu a ficha": comecei a ter mais controlo na boca e comecei a dar mais uso à minha menina (bicicleta). Fazia controlo de peso todos os dias! Tinha objectivo de ter sempre menos, nem que fosse 50grms! Ao fim de ano e meio tinha menos 30kg, mas muito fraco em rendimento. Faltava pulmão e definir mais músculo.

Além da mais que notória perda de peso, notaram mais benefícios em fazer exercício regularmente?

A: Sim, notam-se bastantes diferenças em coisas que por vezes nem damos conta, como andar mais calmo, descansar melhor… A resistência aumenta bastante nas tarefas do dia a dia.

MJ: A primeira foi deixar de sentir falta de ar ao apertar as sapatilhas - que vergonha dizer isto com a minha idade! Agora a sério, ajudou em situações práticas do dia a dia como carregar os sacos das compras; ajudou a aumentar a motivação para deixar de fumar (não fazia muito sentido fazer exercício e depois mandar abaixo uns cigarros); melhorou a qualidade do sono; ajudou a diminuir a minha tendência depressiva; ajudou a aumentar a auto-estima, a descobrir capacidades que não sabia que tinha; promoveu o estabelecimento de laços de amizade (muito importantes de momento) e deixou o bichinho da superação a funcionar (porque acima de tudo eu compito comigo mesma e não com os outros) para tentar alcançar novas metas a cada dia.

Não fazia sentido nenhum (fumares) e ainda bem que deixaste. A propósito do bichinho da superação, ainda bem que falas nisso: entranhou logo ou ainda esteve em banho maria algum tempo?

MJ: Eu inscrevi-me no ginásio determinada a mudar o meu corpo. Uma vez que já tinha perdido tanto peso, estava na altura de complementar esse trabalho! No primeiro dia fiz 3 aulas: jump, power e cycle. Só agora, recentemente, soube que na passagem para a terceira, quando a Cátia me viu a tirar senha foi à Filipa dizer: “aquela miúda nova, a Maria João, fez jump e power e veio tirar senha para o cycle, não lhe vai dar o fanico?” Voltando ao que estava a dizer, eu entrei determinada e quando tive contacto com a Cátia pensei: "Quero ser como tu". Tornou-se como um ídolo para mim, aquela irmã mais velha que eu nunca tive ou algo do género... Mas por outro lado pensava: ela é uma força da natureza, eu nunca vou ter a energia dela! Portanto, acho que o bichinho da superação acordou no dia em que entrei e vi que tinha ali uma grande inspiração, alguém à altura para me ajudar a alcançar os objetivos! Mas, quando esse bichinho vinha, sentia as dores musculares que tu própria já conheces, ficava em coma e só pensava: isto não é para mim!

Tu és completamente doida!!! Três aulas seguidas?! TRÊS?! Quantos sacos de açúcar emborcaste? E mexias te no dia seguinte ou ficaste em estado vegetativo?

MJ: 3!!! Nenhum! Mexia, com alguma dificuldade as pernas, mas mexia. Tanto mexia que devo ter ido treinar no dia seguinte.

E a ti António, a febre do exercício pegou logo ou resististe até ao fim?

A: No meu caso não foi bem o resistir, até porque a menina Cátia não deixa. Mas a superação que a MJ fala também aconteceu comigo. Por exemplo: hoje tens 20kg na barra e estás no limite (julgas tu). No outro dia, ouves a Cátia a perguntar "que peso é esse?" E lá vão mais 5kg. Depois dás contigo a aumentar 10/12kg ao que pensavas ser o limite. Então pensas: afinal consigo isto e muito mais. Depois todo o ambiente que se formou no ginásio: o espírito de entre ajuda, os desafios que nos colocam, os amigos que fazemos, tudo isso faz com que queiras atingir objectivos para teu bem e também um pouco como forma de agradecimento por tudo o que fazem por ti e pelas pessoas que são. Neste momento não me via a estar parado sem fazer exercício.

Barra... 20kg...isso existe?! A última vez fiz com 10 e tive tantas saudades dos meus 7...(Sou uma fraquinha, eu sei.)

 Vocês são dois, a motivação para continuar e não faltar é a dobrar ou pelo contrário, é mais fácil ceder à preguiça?

MJ: Acho que é a dobrar! Há fases em que um anda mais motivado que o outro e acaba por arrastar o que está preguiçoso.

A: Exactamente. Assino por baixo a resposta da MJ.

Foi difícil, no início, inserir a rotina do exercício? De que forma o conseguem inserir na vossa vida?

A: Não achei muito complicado. Uma questão de adaptação e prioridades. Depois as amizades que fizemos, juntamente com o ambiente do ginásio faz com que nos sintamos bem e parece que estamos sempre à espera da hora de lá voltar.

MJ: Não foi difícil. Primeiro pela oferta de aulas do ginásio, depois porque como ambos somos sócios, acabamos por até ir juntos e não temos de abdicar de estarmos juntos para ir ao ginásio. Assim ninguém sente que é deixado para trás por causa dos treinos. E tal como o Tozé disse, como atualmente o nosso grupo de amigos passa um pouco por alguns outros sócios, quando marcamos convívios é depois do treino.

Neste tempo todo, já perderam os quilogramas que tinham estipulado?

MJ: Eu cheguei a perder peso a mais! Houve uma altura que cheguei aos 49,5kg e a coisa já estava a descambar, mas depois consegui encontrar um equilíbrio! Agora o que acontece é que já não me guio tanto pela balança, guio-me mais pela roupa. Porque a massa muscular é mais pesada que a gorda e uma pessoa às vezes pensa que está muito bem e se vai à balança desanima. Acima de tudo o importante é estarmos saudáveis e sentirmo-nos bem para podermos viver a vida! Em tempos já fui "escrava" do meu corpo: evitava certos sítios e certos convívios ou então ia e comia comida de grilo, enquanto os outros comiam francesinha. Mas a vida é muito curta para lhe colocarmos restrições que nos fazem infelizes. Como um dos maiores prazeres da vida para mim é estar à mesa com os amigos... Há que treinar para compensar!

A: Eu ainda não atingi o peso que pretendia. até pelo contrário cheguei a aumentar. Talvez pelo que a MJ diz em relação ao peso da massa muscular vs massa gorda. A realidade é mesmo essa: a roupa agora é que manda e não a balança.

E em termos de treino, algum objectivo estipulado para este ano? Eu tinha a Petrus, por exemplo, mas neste momento gostava mesmo, mesmo de Conseguir aumentar o número de flexões, morro antes das 10…

MJ: Em termos de treino acho que não, só se for aumentar aos km'S que corro ou diminuir o tempo que demoro a correr 10km, que é o meu máximo até agora.

A: No que diz respeito ao treino é tipo cada vez mais e melhor. Quando começaram estas doenças das corridas, conforme o que fazia antes estipulei fazer os 10km em menos que uma hora. Consegui logo à primeira. Pareceu-me muito básico. Fui melhorando Agora tenho um objectivo em mente que é fazer os 10km em menos de 40 minutos. Mas com calma…

Caramba... Menos de uma hora para 10km, logo à primeira é muito nice! Parabéns.

A propósito, doenças das corridas é muito bom! E pega se…

A: A MJ se não me engano também conseguiu menos de 1h. Não foi Ju?

MJ: Fiz 10km em 58 minutos.

Caraças! Parabéns MJ!

Vamos imaginar que do outro lado do ecrã nos lê a mais sedentária das pessoas. E ainda por cima como um pacote de batatas fritas enquanto mexe os olhos. Como a tentariam convencer a ir treinar convosco?

MJ: Pergunta difícil! Eu acho que lhe mostrava a minha foto do antes e depois de perder os meus 25kg, dizia-lhe: se eu consegui, tu também consegues! Deixa de te matar a cada dia que passa com esse sedentarismo e com esses maus hábitos alimentares e vem descobrir aquilo que o teu corpo é capaz de fazer e sentir o bem estar da mudança! Acho difícil motivares alguém que necessite de mudar, acho que podes consciencializar a pessoa do seu estado e dos riscos que corre, mas se a pessoa não estiver intrinsecamente motivada, não muda! Eu tinha consciência de como estava, mas o meu estado emocional fazia com que eu me estivesse a matar aos poucos diariamente… Através da alimentação, do tabaco, das muitas horas que passava na cama - todas as que podia.

A: Eu acho que independentemente de dizer algo, temos de tocar no coração. Mostrava as fotos com as mudanças que tive e dizia todas as coisas boas que acontecem com o exercício, porque não é só a nível físico que temos vantagens mas também a nível psicológico. É uma questão de começar, experimentar e sentir os benefícios de uma vida activa e saudável. Primeiro estranha-se, mas depois entranha-se.

 

Um grande, grande obrigada ao simpático casal que tão prontamente acedeu ao convite, pela simpatia, boa disposição e motivação que trouxeram até este tasquinho. Boa sorte para esses objectivos! 

Os filhos não são nossos

Já o dizia a minha rica mamazita. 

Considero-me uma mãe relaxada (tanto quanto baste), descontraída (na medida do possível) e não sou super protetora. Acho importante ir soltando as asas ao puto, que caia para que aprenda a levantar, que descubra, explore e conheça o meio que o rodeia. Tenho sempre em mente que, mais cedo ou mais tarde, vou ficar para trás, no seu voo pela liberdade e descoberta própria. 

E isto é tudo muito lindo, muito eficaz, mas sempre comigo por perto, como rede de amparo. 

Caracolinho frequenta a natação para bebés desde os seis meses. Senhora sua mãe, preguiçosa que era no desporto, achou por bem incutir bons hábitos de exercício desde tenra idade. Além de todos os benefícios já conhecidos (e que a meu ver superam os "contras"), acaba por ser uma aula divertida, o cachopo adora e são 45 minutos muito bem passados. 

Ora, estamos a chegar à fase de "desmame": os pais vão na mesma para o tanque, mas são incentivados a soltar a rédeas da "segurança". A forma de segurar é diferente, menos protetora, mais livre; nadam agarrados ao esparguete, connosco a servir de cenoura para que nos sigam. E a impressão que aquilo me faz? E se larga aquilo de repente e me vai fundo? Estou mesmo ali, a dois dois segundos e meio de distância, mas já não o seguro, não o sinto tão perto, sou apenas a rede que ampara a queda e não o arnês de segurança. E isso, aperta-me ligeiramente o coração.

Os pais passam, agora, uma boa parte da aula encostados às boxes, incentivando uma autonomia que não desejam, mas que sabem ser importante. Acenam, sorrindo, aos petizes que vão no barco improvisado contentes pela chuva que a professora lança sobre eles. Dizem-nos adeus, como se fossem para o outro lado do mundo, quando na realidade só vão até ao outro lado da piscina. É inevitável pensar que um dia não será assim tão a brincar, tão pouca distância. Quando esse dia chegar, espero ter a mesma capacidade de sorrir e acenar, deixando que a felicidade dele se sobreponha à minha melancolia, que a sua vida, tão essencial à minha, seja feita por ele, pelos caminhos que escolher e pelos trilhos que traçar.

Quanto a mim, cá estarei, sempre na retaguarda, à distância de dois segundos e meio, com colo livre e abraços prontos a entregar. 

 

 

Só eu... #12

Atire a primeira pedra quem nunca disse - ainda que mentalmente e mordendo a língua com todo o fervor - palavrões durante a prática de exercício físico. Durante uma aula e com 10kg seguros nas mãos para levantar e agachar, o professor acha por bem iniciar um mote motivacional: 

- Vamos lá pessoal! É dar o máximo! Qual é a palavra mágica? Vamos lá, todos juntos, começa por F... FFFFFF.

 

- FODA-SE! 

 

Caracol, a destabilizar aulas desde 2016. Prazer. 

Sou fit! E agora?! #2

Eu achei que já tinha feito tudo, que tinha mais vidas que um gato neste mundo do exercício. Achei que podia com tudo, que me podiam colocar na pior das aulas que sairia de lá fresca e fofa, como uma alface acabada de colher. 

Eu achava... Até ao dia que me apresentaram devidamente ao Cross Training. 

As quartas são a roleta russa do exercício, nunca sabemos o que nos vai calhar, vamos às cegas e completamente à mercê dos apetites de quem manda. É uma das aulas que mais gosto, verdade, mas também a que mais dor me provoca. 

Mentiria se vos dizesse que nunca nos tinha calhado em sorte cross training, claro que já penamos naquilo que, na altura, classifiquei como "aula de educação física". Sofremos, verdade, mas não teve nem um terço da intensidade da última. Foi assim uma espécie de rissol de entrada para o prato principal, que é absolutamente infernal. 

Lembram-se dos burpees, que eu amo de paixão? 

São cinquenta. 

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Flexões com uma porra de um saltinho, que-valha-me-nosso-senhor-não-lembra-a-ninguém?

São 25. 

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Sabem os abdominais? Completos? Daqueles mesmo, mesmo, mesmo, bons?

São 70.

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E pranchas, gostam?

São dois minutos a aguentar e uma porrada de tempo a rodar para um lado e para o outro, qual frango no espeto. 

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No final, tens a sensação que te fizeram isto:

 

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E os dias seguintes são assim:

 

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E pronto, está resumida uma aula que não precisa de qualquer acessório a não ser vosso corpinho. E, acreditem, vão desejar ser atropelados por um camião. E não estou a exagerar. 

Eu? Como assim eu?

Atingi o auge da minha carreira fit (se é que isto existe). 

Já fiz muita coisa nesta minha vida: já escrevi um livro, já plantei uma árvore e já tive um filho. Nunca, jamais, em tempo algum, pensei convencer alguém a mexer o rabinho. 

Há duas semanas fui confrontada com esta afirmação:

- Falas tanto em exercício que até me dá vontade de ir contigo. 

Apanhada desprevenida, repondo rapidamente: 

- Mas tu estás parva?! Tu és louca?! Eu passo a vida a ganir, a gemer que me dói e tu queres ir?! Quando começas?

Tenho uma ligeira tendência ao drama, não sei se já deram conta. Felizmente a minha colega (dos snikers à sobremesa) já sabe, pelo ignorou essa parte e focou-se apenas no essencial: começaria no inicio do mês. 

A primeira coisa que me passou pela cabeça, foi encomendar um treininho muitooooooo bom, em jeito de vingança pelo snikers que comeu sem remorsos, à minha frente, durante os 30 dias sem porcarias. Mas sou um pequeno bambi, a moça é franzina de cabedal, passa a vida a meter açúcar na veia para aguentar o exercício, pelo que a deixei sossegadita no seu sofrimento. 

(vamos ignorar que lhe estou a chamar fraquinha nas entrelinhas. Caríssima colega, se leres isto, cá beijinho, és a maior e isso passa. Sem ressentimentos, hã?) 

Aguentou-se muito bem a primeira semana, só gemeu até quarta da ressaca de segunda e no sábado não se queixou de dor associada ao exercício. 

Agora, o que me continua a surpreender é isto: como é que consegui esta proeza? Como é que eu, que passo a vida a queixar-me (literalmente), consegui convencer alguém a fazer mais por si? Pois, não façam essa cara, também ainda não cheguei lá. O que é certo é que almoça exercício como prato do dia e dia que gosta, que até é fixe. Era quem lhe batesse. Eu, claro, já me precavi, invoquei a minha autoridade de pessoa mais velha que a gaiata e consegui que me prometesse, a pés juntos, que nunca, jamais, em tempo algum, contaria as minhas figuras lá dentro.

Até porque para isso estou cá eu, não é verdade?

 

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