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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Cunhadices take III e IV

Já vos foi relatado parte do episódio na caixa de pagamento da primark, mas falta a parte mais emocionante - e embaraçosa.

 

Quando vou às compras, tenho o hábito de levar dinheiro. Faço um cálculo mental do que vou gastar e levo guito com margem para uma ou outra coisa. Durante as compras vou calculando (homem se leres isto, é mesmo verdade, aprendi contigo;) o custo das peças que ponho no cesto e, regra geral, do dinheiro que levo ainda sobra.

O problema meus amigos, foi a primark estar carregada de pechinchas. Era tudo a três e quinhentos, tudo a preço vermelho e tudo apetecível. Ali a meio da demanda, perdi-me nas contas (olha a novidade), mas achei sempre que a cheta chegava.

Pois que não chegou.

Faltava guito.

E não, não tinha cartão multibanco. Estava bem guardado no bolso da minha bata, na loja.

Estávamos em caixas separadas - eu e a Cunhada - pelo que perguntei ao funcionário se poderia aguardar um minuto, o tempo que ela demoraria a chegar à minha beira.

- Olha ó Cunhada, preciso que me orientes aí cheta, faltam-me uns trocos e deixei o cartão na loja.

- Ah, mas eu não tenho dinheiro. Tenho cartão.

Não assimilei a última parte. A parte do "não tenho dinheiro" ficou em eco no meu cérebro.

Como raio tinha vindo ela sem dinheiro às compras?! Acaso esperava que lhas pagasse?! Oh, valham-me os deuses...

- Ela está a brincar. Ele tem dinheiro. - digo eu para o funcionário, enquanto lhe pergunto novamente - Não tens?

- Não Caracol, não tenho. Mas tenho cartão.  

Por esta altura, já não ouvia nada. Fiz rapidamente uma lista mental do que levava de forma a poder selecionar o que poderia deixar ficar na caixa.

Que vergonha.

No meio deste meu transe, vejo um cartão a passar da Cunhada para o caixa.

- Eu disse-te que não tinha dinheiro. Em notas. Mas tinha multibanco. Trenga pá! Ou achas que vinha às compras sem dinheiro?

Olha, por acaso....

Claro que tive que pagar com juros, que a Cunhada é pior que o Salgado, mas pelo menos não tive que escolher por entre os bens de primeira necessidade que levava.

Para hoje, acordamos uma foto à palhacitas:

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A croma com o prémio mais fixe de todo o sempre.

Cunhadices, take II

A desnaturada da minha cunhada esqueceu-se da história que tinha para hoje.

E eu também.

Portanto, vou atar alguns fios soltos nas cuecas.

Como ela referiu, eu estava beeeeeeemmmmmm longe, quando ouço a voz esganiçada:

 

- Ó Cunhada! Anda aqui ver as cuecas! Olha estas, são giras? 

Só a vi, porque avistei a peça a acenar no ar.

 

O que ela não disse, foi que ficamos na dúvida com os tamanhos, seria melhor um M ou L?

 

Com toda a sua vasta experiência na área cuecal - para a Cunhada elas nunca são demais - saca de um exemplar e coloca-o à sua frente, medindo costuras com as calças que trazia vestidas. 

- Ah, para mim é este. Não goste da carne apertada.

(Juro, ela disse mesmo assim. E em sua defesa só tenho a dizer pegou num pack já aberto, não abriu propositadamente para o efeito.)

 

O seu entusiasmo era tal com o raio das cuecas que peguei num pack para mim também.

 

Chegadas à caixa, já com as compras terminadas, diz-me com ar sério o funcionário:

- Este pack está aberto, quer levar na mesma?

- Sim, eu sei, fui eu que abri para experimentar.

Podia jurar que o vi mudar de cor, no mínimo três vezes, sobretudo depois de confirmar que sim, tinha experimentado e ainda perguntar se havia algum problema.

Atarantado e provavelmente com receio que tivesse feito o mesmo a mais exemplares até descobrir o certo, tentou explicar-me que não se podia experimentar cuecas, que era totalmente contra as normas da empresa e sobretudo de higiene. Tudo de forma calma, sem rudeza ou arrogância, mesmo surpreso perante a minha afirmação. Melhor: tinha sentido de humor, porque deu uma valente gargalhada quando expliquei que sabia isso tudo, mas só tinha trazido aquele pack, porque o pequenito o tinha arrancado da prateleira.

Mais funcionário assim, precisam-se. Em várias lojas.

 

Cunhadices, take I

A partir de hoje e até ao final da semana, vão poder contar com as Cunhadices. Textos que contarão as peripécias entre duas cunhadas - qual delas a pior - e que visa averiguar qual de nós é menos fina da moleirinha. Claro decisão de tal calibre caberá a vocês. Como? Votando, claro.

No último post, na sexta feira, é só deixar em comentário #caracolaopodio ou #bruxinhaaopoder para que uma das duas seja classificada como a melhor das piores.

A minha Cunhada já vos relatou a passagem de ano em que pedi guarda-chuvas numa esquadra e mais tarde meia de leite e uma tosta mista numa roulotte de cachorros, pelo eu venho relatar a troca tintas que desce nela de quando em vez.

E não dêem a desculpa da gravidez, ela é mesmo assim.

Há duas semana, aquela desgraçada prenha, decidiu, porque sim, estragar-me um dia de praia e requisitar os meus serviços de motorista para a levar ao exame do 3º trimestre.

"Ah e tal, não posso conduzir e o o teu cunhado está doente" e blá blá blá whiskas saquetas.

Lá fui, que sou um coração de manteiga e compadeço-me sempre com quem sofre.

Não havia uma porra de um parque livre, o puto dormitava no carro, pelo que estacionei à patrão em frente ao laboratório, aguardando na viatura por sua excelência.

Meia hora depois, mais coisa menos coisa, já com puto alapado no lugar de pendura, chega a grávida, com duas pupilas muito dilatadas e um rasto de baba: esteve a apreciar as montras das confeitarias.

 

"Queres comer alguma coisa?", pergunta de olhinhos muito brilhantes.

Entrar num café com Caracolinho é sinónimo de desassossego, pelo que sugeri levar umas miniaturas para sobremesa.

"Vais buscar àquela confeitaria, ali. São melhores." - indicando o local exato, com indicador.

Onde aquela criatura entrou?

Na confeitaria errada. 

Ok, são três confeitarias na mesma rua, mas eu apontei especificamente para a correta, não havia muito que enganar.

Saio do carro e faço-lhe sinal, já ela estava na letra com o empregado.

"Oh meu menino, a tua tia é tão trenga! Agora vai trazer as piores miniaturas, ao dobro do preço"

Mas não, lá sai a barriguda da confeitaria, com dois tomates maduros nas bochechas e um ar tipo "ups!".

Pois que, felizmente, ali não se vendiam mini bolos, dissera-lhe o empregado enquanto olhava atarantada para mim, na rua ao lado do carro fazendo sinal que se tinha engado na porta.

Digam-me: eu mereço, não mereço?

É uma cruz que nem vos digo!

 

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