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A Caracol

Um blogue pseudo-humoristico-sarcástico. #soquenão #ésóparvo

Na ótica do utilizador #1

"Ó menina, eu não quero anti-reflexo. Isso não serve para nada, risca tudo. Não quero nada disso.

É recorrente este argumento em clientes. E é claro que têm alguma razão: o anti-reflexo não serve para nada, se não tiverem intenção de usar os óculos. Caso tenham o intuito de os usar, então sim, o anti-reflexo faz todo o sentido e torna-se imprescindível.

Como o seu nome indica, o tratamento numa lente elimina os reflexos, os brilhos, tornando a lente mais transparente, mais lisa, resultando numa visão mais nítida. No fundo, é como se sem anti-reflexo víssemos a imagem por uma janela fechada, com todas as luzes interiores acesas, vemos bem lá para fora, mas também vemos reflexo das luzes do interior da nossa casa. A lente tratada é a janela aberta, livre de brilhos incomodativos.

"Ah, mas os meus óculos são apenas para descanso, vou usa-los pouco tempo, não faz sentido terem tratamento."

Errado. A não ser que usem os óculos para dormir, é fundamental que as vossas lentes tenham anti-reflexo. Se têm pouca graduação e vos disseram que deviam usar os óculos em situações de ocasionais, como a leitura, ver televisão, trabalhar no computador, o tratamento faz todo o sentido. São situações em que estamos expostos a luzes de vários ângulos, pelo que se tivermos uma lente com brilho e que reflete algumas dessas luzes, vamos andar ali às avessas, a esticar o pescoço, a mexer a cabeça, numa tentativa de encontrar uma posição melhor, que nos dê uma visão mais nítida, sem nunca a encontrarmos.

Uma outra vantagem do tratamento é melhorar significativamente a condução noturna. Se a lente é mais límpida, a visão também o será, especialmente com fraca luminosidade e brilho intenso de luzes frontais, como é o caso dos farolins.

O último beneficio do anti-reflexo, prende-se com a estética. Mais uma vez, ao ser mais transparente, a lente não esconde o olhar, pelo contrário, dá-lhe destaque e realce.

O único ponto em que o primeiro cliente tem razão é no facto da lente riscar com mais facilidade, mas isso prende-se com outras questões, nomeadamente os cuidados de limpeza, pelo que vou deixa-lo para uma próxima.

 

Deixo-vos uma imagem que ilustra o sem e o com tratamento anti-reflexo:

revestimento-anti-reflexivo-sobre-os-meus-oculos.j

Desmistificado o bichinho do tratamento das lentes?

 

 

 

Kinders Fofinhos

IMG_20160127_202826.jpg

Já viram as mensagens fofinhas que embrulham os ovos Kinder?

Achei taoooo fofinho! Há o "Amo-te", o " Para ti" e mais algum que agora não me lembro, só sei que não resisti à coisa e trouxe um para o Marido. Disse-lhe que era só para o dia dos namorados, mas ele fez ouvidos moucos e enfardou-o depois do jantar.

Sozinho.

Há-de ter muitos amigos, com certeza.

Adiante, para quem já não liga pevas ao S. Valentim, mas gosta de o assinalar ou fazer a vontade ao cônjuge, parece-me uma boa forma de lembrar o dia.

Podem dizer que o revivalismo está na moda, que o ovo é vintage e ficam logo com ar de sabidolas.

Ou então, serem uns fofinhos e dizerem, enquanto pestanejam muiiiiiito:

- Oh, sabes o que é Amorzinho, isto recorda-me a infância, os momentos felizes com sabor a chocolate... Gostava muito de reviver isso contigo, enquanto o saboreamos.

Caso a vossa cara-metade - ou vocês - seja uma verdadeira mão de vaca:

- Dinheiro?! Não, má cherri, isso custou 1.50€. Se partilhamos, fica a 0.75€ cada metade.

Para quem tem o seu amor de dieta:

- Querer que engordes querida? Nem pensar! Tu ficas com a parte entusiasmante da coisa: desembrulhas, divides o ovo certinho e ficas com o brinquedo. Eu trato do chocolate, não te preocupes.

E ainda para os mais afoitos e que gostam de apimentar a relação:

- Sabes, aposto que este chocolate derrete muiiiiiiitoooo facilmente. Podíamos testar a sua resistência ao calor humano. O nosso calor humano.

 

Quem diria que havia tanta versatilidade num simples ovo kinder, hã? =)

 

Só eu... #4

Sim, eu sei, já há imenso tempo que vos deixei pendurados à espera de mais aventuras com o Fiat Punto de '99.

Aqui estou, pronta a redimir-me dessa tremenda falha com a aventura mais espetacular de todos os tempos: a da porta.

Escusam de pedir mais, meus amigos, que hoje é O dia.

Esperava tudo daquela viatura, mas não a queda de uma porta. Apanhou-me completamente desprevenida, a mim e ao meu colega de trabalho que, coitado, tanto sofreu comigo ao volante.

Já eram horas de regressar a casa, mas não sem antes colocarmos umas lâmpadas no carro. Cheios de pressa, açambarcamos o máximo de lâmpadas (daquelas fluorescentes, compridas) que conseguimos, fechamos o estaminé e vamo'bora para a viatura que se faz tarde. Procura a chave no bolso, não está neste, deve estar no outro, e o rapaz a bufar, que aquilo lhe estava a escorregar, e eu menos um bocadinho de pressão sim? Tenho a certeza que a chave estava aqui à mão, lá dou com ela e preparo-me para abrir a mala (era preciso levantar uma alavanca junto ao banco do condutor) quando ouço ao meu lado um PLOC. Assim mesmo, PLOC. Olhei em redor, não vi nada de extraordinário, até os meus olhinhos baterem na porta que assentava, num ângulo meio estranho, no chão do passeio.

- Ai, ó C, a porta caiu!

- Caiu?! - não percebi o porquê do revirar de olhos à medida que se ia apercebendo que não, eu não estava a brincar.

- Abre masé a mala que eu já vejo isso.

Desmanchada de riso, lá lhe abri a bagageira para que acomodasse as lâmpadas, mas também me esqueci que tinha os amortecedores estragados, pelo que era preciso segurar manualmente na porta. Logo, enquanto eu avaliava a porta e pensava em possíveis soluções, o meu colega, pobrezito, levava com a outra na tola.

Quando, por fim, lá consegue vir observar o raio da porta, sempre a moer como raio tinha aquela merda caído  e eu sempre a responder sei lá eu, abri e ela caiu assim, do nada. Talvez seja bom referir que tinha batido num raile de auto estrada, exatamente naquele sítio, há uns tempos. Coisa pouca, só ficou ali em bocado amolgado e fazia CLAC cada vez que se abria a porta. CLAC que eu ignorei, com todas as minhas forças, está bom de ver.

Depois de muito olhar, ver, observar e analisar, o colega pôs mãos aos trabalho:

- Só partiu a dobradiça de cima, talvez dê para pôr a porta no sítio e trava-la por dentro.

- Ou então podemos pôr fita cola, daquela larga, acho que há na loja. - eu e as minhas ideias brilhantes.

- Eu bem te avisei que aquele barulho não era normal, devias ter visto isto. - Moía ele enquanto levantava a porta, tentando encaixa-la nas engrenagens, uma e outra vez.

- Ou então tiramos mesmo a porta. Guardamos na mala. Eu vou devagarinho e há-de correr tudo bem. 

As minhas soluções estavam a melhorar, àmedida que o meu cérebro ia apreendo que estavamos mesmo fodidos.

- Ou ligamos para a assistência em viagem, não?

- Sim, ou isso.

Não é à toa que se diz que duas cabeças pensam melhor que uma, apesar que a fita-cola não me parecia uma ideia assim tããããooo descabida.

Ele lá continuou, levanta mais, baixa mais nadinha, está quase lá, até que:

- Já está! Vai pelo outro lado trancar a porta.

Naquele momento, dei graças por ter um carro tão manual, bastou pressionar o travão da fechadura e a porta ficou segura.

Alertou-me o Colega:

- Agora não te esqueças de chegar a casa e abrir a porta, em vez de saires pelo outro lado.

E eu, claro, obediente que sou, não me esqueci. :D

 

 

 

Uma espécie de análise de mercado

Ontem, quando estava a tratar daquela tarefa super-espetacular que é passar a ferro, bateu-se-me assim aqui uma ideia na mona: e seu criasse uma rubrica dedicada à ótica?

Ele há blogues que falam de moda, que falam de maquilhagem, que falam de cosmética, que falam de tudo e mais um par de botas. Ainda não vi nenhum que dedicasse algum espaço a este tema, que tanto tem para contar. Por isto, e por ser também a minha área profissional, achei que talvez fosse boa ideia traze-lo aqui para a barraquinha.

Mas, primeiro, queria saber a vossa opiniao, prezados leitores, bem como qualquer dúvida que possam ter. O anti-reflexo é mesmo necessário? Como escolher a armação adequada? Tenho astigmatismo, que raio é isso? Descobri que sou presbita, quanto tempo me resta?

O blogue manterá o seu atual registo, assim meio sobre nada e sobre tudo, só lhe acrescento algum conhecimento de ótica ocular. =)

A rubrica não falará de marcas, pelo menos para já, mas tentará abordar os óculos e seus componentes de uma forma simples e, assim espero, clara.

Não pretendo dar-vos lições de física, até porque quero que gostem um bocadinho mais de mim que do vosso professor desta disciplina.

Que me dizem, hã? Muitas dúvidas? Ou nenhumas?

Desbronquem-se.

É publicidade ou não?

De manhã, vi esta... Coisa, chamemos-lhe assim, num jornal:

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Não vamos falar do produto, mas sim do texto.

Para mim, é um artigo claramente publicitário. Porque outra razão a jornalista sentiria necessidade de colocar ali em rodapé, em jeito de confissão, aquele "a jornalista viajou a convite da Carl Zeiss"? Lembra, e muito, os "posts escritos em parceria com" da bloga.

Reparem, eu não quero ser uma puritana da publicidade, não me choca que quem faz publicidade em blogues (desde que devidamente assinalada, óbvio), não me choca que tentem criar empatia com o leitor contando uma história pessoal (que possa ou não ser verdade), não me choca que jornalistas recebam contactos para divulgações de produtos - desde que o façam em áreas dedicadas à temática. Agora o que me choca, e muito!,é publicidade num jornal supostamente informativo, feita por uma jornalista e enquadrada numa página de economia. Desculpem, mas isto é gozar com a cara do leitor e consumidor.

Podem sempre alegar que aquilo é divulgação e informação de um produto novo, mas eu não consigo vê-lo dessa forma. Não ficaria tão indignada se, por exemplo, aparecesse na primeira página dos classificados. Tal como não fico quando leio divulgação de produtos, por exemplo, na TimeOut. Qual é a diferença? Um leitor que compre e leia uma revista deste género saberá, à partida, que a mesma serve de divulgação de produtos ou serviços. Já um leitor da  National Geographic provavelmente não acharia muita graça a um artigo sobre um hotel na Polinésia Francesa. Da mesma forma, quem compra e lê um jornal de caráter informativo, não quer publicidade no meio da informação. Misturar tudo no mesmo saco é, na minha opinião de leitora/consumidora, enganoso e um grandessíssimo tiro no pé, pelo que, pela parte que me toca, este jornal perdeu uma leitora.

 

 

 

Entre cunhadas

Ele há nomes bué difíceis de pronunciar.

Dizia-me a minha cunhada:

- É comá outra a Iryna Shake.

- Quem?

- A Iryna Shaike!

A minha cunhada deve julgar que a moça é um cogumelo.

Ensinei-a eu:

- A Iryna Sháeke. -

Hãã? Nunca ouvi assim.

- Sháieke. Acho que é assim.

- Não, é Shake.

- Olha, merda pró nome, a ex do Ronaldo!

E assim se resolvem acesas discussões em familia, a um domingo à tarde.

Aquele momento...

Em que estás prestes a sair de casa com o puto, para a aula de natação e percebes... Que não tens aquilo-que-te-livra-de-pareceres-uma-macaca, em dia. Ainda olhas para o relógio, mas percebes que nem tempo tens para o SOS. Acendes uma vela, à pressa, e rezas para que as mães impecáveis que acompanham os seus rebentos sejam tão gajas como tu. Ou então que nenhuma use lentes de contacto e tenha a acuidade visual de uma toupeira. Oremos senhor!

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